FEITIÇARIA: O QUE VOCÊ FARIA?

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Paulo Zifum

Minha mãe contou-me uma história de arrepiar.

Há muito tempo atrás, meu avô Joaquim tinha um pequeno bar em Baguari, cercania de Governador Valadares. Certa vez, Joca precisou ausentar-se, pedindo que sua esposa Mariquinha, tomasse conta do boteco. E bar não era coisa decente para uma mulher ficar sozinha a cuidar, mas minha avó era mais temida nas redondezas que muito homem de bigode.

Nesse período, entrou um homem encorpado que logo pediu uma cachaça, tomando-a de uma vez, pedindo outra dose em seguida. E como o cliente estava disposto a tomar bastante, sabe-se Deus por qual motivo, Mariquinha ofereceu-lhe uma garrafa. E não demorou muito para o forasteiro ficar agradável e falante, mas sem incomodar a ninguém. Minha avó, tinha seus preconceitos com a cor da pele e nunca foi virtuosa na paciência.

O pobre homem parecia querer ir ao chão com tanta aguardente. Ao terminar a garrafa, pediu outra. Mariquinha, que recusava servir ao próprio marido quando não queria, pegou uma garrafa cheia, abriu e soltou um grito estridente: -Pega essa garrafa e some para o meio do inferno. Eu não suporto bêbado e esse cheiro de cachaça.

Depois do silêncio, daquele do tipo que nunca concerta nada, o homem levantou com dificuldade, tirou o dinheiro amassado do bolso, pagou e segurou a garrafa sem olhar para a mulherzinha azeda de um metro e meio. Foi saindo, resmungando coisas sem sentido, como se não tivesse ficado ofendido. Mas, quando chegou à porta, virou-se, aprumou o corpo, cruzou uma perna levantando-a como quem queria olhar para a sola do sapato. Olhou de modo sombrio para minha ave começou a derramar a cachaça no pé erguido. Enquanto fazia o gesto inusitado, disse: -Mariquinha! Essa você vai beber até morrer!

Minha avó não conhecia o homem. Ele subiu o morro cambaleando e num determinado local derramou o resto da bebida falando coisas estranhas. Era um feiticeiro.

Quando meu avô chegou, sua esposa estava totalmente bêbada e o bar inteiro quebrado. Daí em diante, o hálito de cachaça nunca se apartou de vida de minha avó.

Desesperado, Joca começou a procurar a quebra daquele feitiço. Ele era supersticioso e acreditava nos curandeiros e benzedeiros, mas não havia o serviço na região de Minas. Depois de alguns anos, resolveu levar minha avó para Nazaré das Farinhas na Bahia. Lá encontrou um bruxo que lhe explicou sobre aquele feitiço. Levou meu avô para um lugar junto a uma pedra e ali fez subir uma fumaça. Surgiu a aparição do homem que havia amaldiçoado minha avó. O bruxo deu a triste notícia de que o feitiço não poderia ser quebrado porque o mandingueiro havia morrido.

Dona Mariquinha bebeu até o fim de seus dias. E só não morreu afogada na bebida porque um de seus netos foi até ela e pregou o Evangelho de Cristo. Maria de Jesus não conhecia o Salvador, mas com auxílio amoroso de Luiz Leite conseguiu orar e quebrar, enfim, a cangalha daquela maldição.

 

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Um comentário sobre “FEITIÇARIA: O QUE VOCÊ FARIA?

  1. Tanto quanto cremos q Deus é real tbm devemos crer que o inimigo existe, e como a palavra diz; “2 Coríntios 2: 10. E a quem perdoardes alguma coisa, também eu; pois, o que eu também perdoei, se é que alguma coisa tenho perdoado, por causa de vós o fiz na presença de Cristo, para que Satanás não leve vantagem sobre nós; 11. porque não ignoramos as suas maquinações.”

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