FURA MINHA ORELHA!

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Paulo Zifum

“Com tua santa sovela, fura minhas orelhas, pois desejo servir-te eternamente” Jonas Madureira em Inteligência Humilhada

Belas histórias foram registradas sobre escravos que se apegavam tanto a seus senhores que, mesmo sendo alforriados, optavam voluntariamente continuar como escravos até o final de suas vidas, sem volta para a liberdade.

“Então, o seu senhor o levará aos juízes, e o fará chegar à porta ou à ombreira, e o seu senhor lhe furará a orelha com uma sovela; e ele o servirá para sempre” Êxodo 21:6.

O que é a liberdade? Servir a um bom senhor e gozar de benção ou desligar-se dele sob o risco de cair em outras mãos?

Esse era um dilema que muitos escravos de senhores bons viviam em épocas escravagistas. Pois, ocorria que o ex-escravo carregava consigo marcas e estigmas que o deixavam vulnerável num mundo cheio de maldades, preconceitos e armadilhas. Os homens em sua natureza pecaminosa tendem ao racismo ou a oprimir o vulnerável.

Talvez, esse contexto ajude a entender as palavras de Jesus: “aquele pois que o filho libertar, verdadeiramente será livre” (João 8:36). Uma coisa era a libertação de um pequeno senhor dentro de um reino, outra coisa era ter a liberdade decretada pelo rei. Jesus prometeu não apenas abrir a prisão, mas devolver a dignidade e dar um lugar à mesa: “não vos chamo servos e sim amigos” (Jo.15.15), conferindo liberdade de fato.

Assim, podemos entender a história do servo com a orelha furada. Como não havia possibilidade de ficar na casa do antigo senhor como homem livre, para permanecer, ele entrega a liberdade com alegria. Isso poderia ocorrer por gratidão de um perdão concedido. Mas, haviam casos em que, depois de anos de serviço com amor, o servo via a partida da casa de seu senhor como uma grande perda, não por falta de opção, mas por considerar ser melhor ser escravo de um bom senhor que estar entregue à própria sorte. Um caso semelhante temos na conversa de Jesus e Pedro: “Jesus perguntou aos Doze: “Vocês também não querem ir? “Simão Pedro lhe respondeu: “Senhor, para quem iremos? Tu tens as palavras de vida eterna” (Jo.6.67-68).

*Foto: Carta de Alforria de Escravos de 1838 com selo de autenticidade do Império do Brasil sob regência de Dom pedro II.

 

 

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OS MALES QUE NÃO FIZ

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Paulo Zifum

Gratiae tuae deputo mala quae non feci” (Devo à tua graça os males que não fiz) Santo Agostinho

Inclua essa graça em suas preces de gratidão. Além de todas as provisões divinas que nos cercam, Deus concede “freios” que nos livram de tornar a vida um caos. Devemos agradecer a nosso Senhor por não nos deixar entregues à própria sorte e por não nos conceder os pedidos despachados no porão de nosso coração mau. Devemos, de joelhos, levantar as mãos aos céus e adorar ao Senhor por não conseguirmos completar alguns planos suspeitos que pareciam ser bons, mas que teriam final trágico.

*Foto: o filme Senhor do Anéis apresenta o drama de Frodo que carrega o fardo de destruir um anel de poder cobiçado. A vontade de colocar o anel no dedo é grande.

TRAIR ou DESERTAR?

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Paulo Zifum

“Trair significa escolher o lado errado, desertar significa não escolher o lado justo; se você se alia ao inimigo, trai; se abandona o amigo, deserta. Mas, qual é o lado justo e o lado errado? Quem é o amigo, quem é o inimigo”  Norberto Bobbio, Os intelectuais e o poder (São Paulo-Unesp, 1997), p.135

Para não cair em queda livre do relativismo, dizendo ser capaz de definir por si mesmo o errado e o justo, eu, buscarei nas Escrituras Sagradas um tribunal para minha consciência. Lá, diante das verdades eternas, posso saber quem é o traidor e o desertor.

Nesses 32 anos de julgamentos, descobri que eu e meu próximo somos traidores e desertores. Tanto apunhalamos com acusações quanto abandonamos com a falta de defesa. Tanto abrigamos traidores quanto acalentamos desertores. E somos traídos e também abandonados.

Diante da Palavra de Deus confesso, e não nego, que caímos em várias tentações, ora por engano e imprudência, ora por dureza do coração e maldade, ora por conveniência e covardia. Pais e filhos, cônjuges e amigos tentam não trair ou desertar. Mas, quem nunca caiu em ciladas de algum tipo de engano, prazer ou poder?

Nesses tribunais, tive de recorrer a Jesus Cristo, que foi o único homem que nunca traiu ou desertou, antes, foi ele mesmo, por Judas ferido com um beijo e abandonado e negado por seus amigos. Jesus, como meu advogado (1Jo.2.1), aconselha-me antes de sentar no banco dos réus. Sob orientação, tanto confesso (1Jo.1.9) quanto perdoo (Mc.11.25-26). Saio perdoado, embora, nem sempre, absolvido das consequências de minhas escolhas. Algumas coisas não se podem reparar.

 

 

 

 

DESCOBERTA DE BASÍLIO

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Paulo Zifum

Basílio teve uma infância feliz e abastada. Seu pai, um próspero fazendeiro era também um pai amigo. Das lembranças da fazenda a que mais gostava era dos almoços de domingo quando o tio chegava com seus 11 primos. Basílio podia brincar com primos e primas fazendo travessuras e comendo gostosuras que jamais via durante a semana. Mas, algo ocorreu, e os primos pararam de aparecer. Basílio sentia tristeza, não entendia. Depois de crescido, já na faculdade, uma situação o fez lembrar do tio e de seus primos. Começou a indagar o porquê aquela alegria lhe fora tirada. Quando viajou para casa num feriado, sentou-se com o pai e quis saber o que houve. Seu pai o chamou para a varanda fazendo um sinal de segredo para que não deixasse sua mãe perceber e disse:

-Seu tio era muito pobre, mas extremamente orgulhoso. Eu o convidava para almoçar todos os domingos para aliviar seus gastos e oferecer para meus sobrinhos guloseimas e pequenos presentes que jamais poderiam ter. Você era muito pequeno e ouviu suas tias cochicharem algo sobre minha intenção. Eu e seu tio estávamos sentados nessa varanda e você pegou na mão de seu tio e disse: Papai vai sempre convidar o tio e a tia para almoçar em casa, ele sempre vai dar comida pra vocês. Desse dia em diante seu tio nunca mais voltou a comer em casa com a família. Passou muitas necessidades, mas prometeu que não aceitaria ajuda.

Basílio chorou. Abraçou o pai e saiu. Entrou em seu quarto e começou a fazer contato com seus primos para marcar um almoço em família. Seu coração ardia por redenção, embora temesse que o orgulho impedisse novamente essa alegria.

O HOMEM MISERÁVEL

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Paulo Zifum

“Miserável é, portanto o homem que está privado da comunhão com Deus, para o qual está destina a vida humana. Essa destinação não é anulada pelo fato de o homem estar alienado dela. Justamente por continuar em vigor, ela fundamenta a miséria do homem, pois, na distância em relação a Deus, as pessoas estão privadas de sua própria identidade. Por isso, conforme a análise perspicaz de Agostinho, as pessoas são mais miseráveis justamente quando nada sabem de sua miséria, e isso não necessariamente na desgraça, em doença e na angústia da morte, mas em face dos bens deste mundo. Quando aí se esquecem de Deus, tornam-se por isso infelizes em meio a bem-estar e abundância, experimentando sua vida como vazia e sem sentido”. Citação de Wolfhart Pannenberg no livro Inteligência Humilhada de Jonas Madureira, p.95.

Destaque “infelizes em meio a bem-estar e abundância“.

O diagnóstico dado por Pannenberg é extraído de Romanos capítulo 7, onde o apóstolo Paulo fala do conflito onde “a atitude do homem miserável é aquela que jamais corresponde com a vontade e a consciência do que é bom” (p.151). É a reveladora insatisfação de Adão e Eva num jardim onde tinham bem-estar e abundância, mas não tinham tudo. Bastou-lhes um passo (ou pensamento) de costas para Deus e, pronto! Experimentaram a estranha sensação de vazio e de nada ser suficiente.

A incapacidade de ser feliz com pouco e de ter contentamento apesar das limitações já é um sinal de miséria, porém, estar triste tendo mais do que precisa ou merece, é uma autópsia. Esse estado deveria conduzir à humildade, mas, parece que o orgulho dá forças para tentar outra opção que é disfarçar, retardar os efeitos do “corpo desta morte”.

Sem o conhecimento de sua miséria, o homem continuará fazer discurso firme e seguir adiante, até a cera derreter, porque, antes disso não conseguirá ser sincero (sem cera).

*Foto: o filme O Retrato de Dorian Grey, da obra de Oscar Wilde, mostra o desespero do homem alienado de Deus.

VISITAR DOENTES

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Paulo Zifum

Estive doente e me visitastes‘ (Mt 25,36)

Fracassamos no pouco. E, de fato, Deus espera muito pouco de nós. Ele quer só uma visita. Não exige que tenhamos a cura, apenas espera uma visita.

As pessoas doentes ficam muito sensíveis aos pequenos gestos. Não tem preço uma visita de cinco minutos, principalmente quando a pessoa viajou duas horas para ver o amigo doente. É uma surpresa! E a emoção exclamada pergunta: você veio me ver?

Ah! Como é boa aquela visita calada com aquele sorriso de medo que esconde o choro! Como é medicinal a visita animada e sincera que faz de conta que tudo vai ficar bem! Como é maravilhosa a visita que faz aquela oração de fé! Como é reconfortante receber alguém que só veio ver e segurar a mão!

Ame os doentes com sua presença. Um dia, o Senhor vai lhe fazer um visita para agradecer.

RESOLVE AÍ, MEU FILHO!

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Paulo Zifum

“Então, lhes disse: Por que sois assim tímidos?! Como é que não tendes fé?” Mc.4.40

Tudo era festa e pressa na libertação de Israel. Depois de 400 anos de escravidão, os hebreus estavam eufóricos com saída do Egito. Sob a liderança de Moisés viram o poder de Deus que parecia sem limites. Mas Faraó, embora derrotado, não estava totalmente convencido. Deus não havia dado a Faraó a chance de usar seu exército nenhuma vez, pois os golpes divinos tinham ocorrido em planos verticais com forças invisíveis movendo a natureza. Faraó pensou que num plano horizontal com carros, cavalos e cavaleiros conseguiria tomar seus escravos de volta. Num ato de desespero, sai no encalço de um povo desarmado, acreditando em vantagem.

Quando o povo indefeso viu o tropel militar levantando poeira e vindo de modo amedrontador, declaram para Moisés que estavam mortos. Moisés clama a Deus.

E qual foi a resposta de Deus?

Bem… clique no link abaixo e tente aprender, existem horas que Deus nos diz: “Resolve, aí, meu filho!”

https://www.bibliaonline.com.br/nvi/ex/14