PASTOR TRISTE

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Paulo Zifum

“O pastor, para ser pastor, tem de ser triste

Ser triste é um corte do ministério pastoral. O pastor sorri na sala e chora no quarto, e disfarça, cauteloso. Nunca desonesto com sua tristeza, o pastor alinha-se, em seu treinamento,  com o “homem de dores, que sabe o que é padecer”. Agora, deixe-se bem claro que quem padece, por dó de si, está saindo fora do curso, como fez Demas (2 Tm 4:9,10). E é suspeita a tristeza sentida porque não se alcançou sucesso pessoal.

A tristeza desse ministério é bela, uma bem-aventurança cheia de choro invisível.

E pastor padece. Como padece! Ele ama o rebanho e, por isso, se enche de temores, e sofre porque o pecado encontra caminho na vida da esposa, dos filhos, dos líderes e do recém-convertido cuidado com tanto carinho.

Entretanto, os pastores bem treinados separam  dor e tristeza. Ora, a tristeza nunca deve ser muita, precisa ser contida, enquanto a dor é um caso inevitável. O ferro perfurante da ingratidão espeta o coração do pastor sem esse escolher. E os “alexandres latoeiros” sempre surgem (2Tm.4.14) causando dor e prejuízos não esperados. Mas, a verdade é que esse sacrifício  foi combinado. As dores são algemas que o pastor sabe que enfrentará. Porém, essas não o impedem de cantar (At. 16.23-25). E o rosto feliz não significa um ministério sem dor; e, com domínio próprio, afirma o pastor: “sei estar abatido, e sei também ter abundância; em toda a maneira, e em todas as coisas estou instruído” (Fp. 4.12).

Jesus era sereno, simpático e não desprezava banquetes. Porém, sofria com sua compaixão. Absorvia as dores do mundo, enfermando num “vinde a mim” que só ele poderia oferecer. E é por isso que o ministério pastoral é um caminho triste, porque escoltar cansados e sobrecarregados até o Senhor é uma tarefa incerta de sucesso com audições que exigem confidência e discursos que deixam o ministro esgotado. 

Porém, quando os infelizes chegam ao Salvador e são transformados ao pé da Cruz, o pastor tem seu alívio e um intervalo de alegria celestial na partilha do “penoso fruto da alma” do Supremo Pastor (Is. 53.11). Entretanto, ao sair de um ambiente alegre, o pastor logo retorna para os acidentes do pecado, pois como está escrito: “quem enfraquece, que eu também não enfraqueça?” (2Co. 11.29). E volta a tratar a dureza dos corações sentindo no peito o que significa o desabafo “até quando vos sofrerei?” (Mt.17.17). 

Pastores sofrem com classe. E são tristes com discrição. E, um dia, eternamente, se alegrarão.

APÊNDICE

Nunca sinta dó de um pastor. Ele é um privilegiado como todo cristão a quem “foi dado o privilégio de, não apenas crer em Cristo, mas também de sofrer por ele” (Fp.1.29).

Se você conhece um pastor, preste bem atenção. Se ele disfarça, é valente. Ore por ele e procure aliviá-lo. Os que assim fazem, aplicam em ações da bolsa de valores celestial. Quando o Supremo Pastor Sofredor se manifestar (1Pe.5.4), ele vai puxar os nomes daqueles que os pastores mencionaram. Porque todo pastor tem um “testamento” tipo Romanos 16 e, se seu nome estiver na lista dele, essa honra não lhe será tirada.

 

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