EU QUERO LUTAR!

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Paulo Zifum

eu quero estar com Cristo onde a luta se travar, no lance imprevisto, na frente me encontrar, até que eu possa ver a glória” Hino 212 da Harpa Cristã

Num mundo onde as pessoas são educadas para viverem o mais confortável possível, os cristãos encontram na Bíblia um treinamento em sentido oposto. Os personagens admirados nas histórias bíblicas são os que assumiram o risco ao colocarem-se ao lado do povo de Deus e da Igreja peregrina.

Em Hebreus 11 temos o destaque para Moisés que preferiu se identificar com seu povo escravo a continuar como príncipe adotivo de Faraó (Hb.11.24). E a lista segue:

os quais pela fé conquistaram reinos, praticaram a justiça, alcançaram o cumprimento de promessas, fecharam a boca de leões, apagaram o poder do fogo e escaparam do fio da espada; da fraqueza tiraram força, tornaram-se poderosos na batalha e puseram em fuga exércitos estrangeiros. Houve mulheres que, pela ressurreição, tiveram de volta os seus mortos. Alguns foram torturados e recusaram ser libertados, para poderem alcançar uma ressurreição superior. Outros enfrentaram zombaria e açoites, outros ainda foram acorrentados e colocados na prisão, apedrejados, serrados ao meio, postos à prova, mortos ao fio da espada. Andaram errantes, vestidos de pele de ovelhas e de cabras, necessitados, afligidos e maltratados. O mundo não era digno deles” (Hb.11.33-38).

Eles tinham vontade de lutar. E por quê?

O apóstolo Paulo nos fala sobre combater o “bom combate” (1Tm.1.18) onde faz alusão ao discurso dos grandes guerreiros que ansiavam por uma batalha que valesse a pena morrer. Consideravam um privilégio cair numa grande guerra travada por motivos nobres.

O “bom combate” refere-se à causa, que para Paulo, era o Evangelho. Lutar para que o Evangelho fosse expandido era superior ao anseios do imperador César. Os soldados romanos acreditavam nos ideais de Roma e lutavam pela causa. Paulo, também, como guerreiro de uma pátria superior. Ele chamava os cristãos a assumirem suas posições numa batalha de esfera espiritual  (Ef.6), enquanto os romanos lutavam por reinos terreno.

O comportamento de Paulo é bem retratado no hino mencionado acima. Seu desejo era de sempre estar no front com Cristo.

Porém, infelizmente, muitos cristãos não estão tão decididos e lembram o personagem de Fernando Pessoa descrito no “Poema em Linha Reta”:

Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas

E, de fato, nossa fraqueza é como a de Pedro, que na “hora do soco” se esquivou três vezes (Lc.22.54) e também fugiram da batalha os outros dez discípulos  (Mt.26.56).

Se não fosse o poder do Espírito Santo concedido aos cristãos (At.1.8), todos naufragariam na fé (1Tm.1.19) e  abandonariam o bom combate, perdendo assim a boa consciência.

Não fosse a força do Senhor, iríamos negociar, esquivar e buscar o conforto em vez de abrir mão dele. Seríamos desertores.

Porém, abraçamos o “bom combate” principal de pregar o Evangelho, na desafiadora tarefa de “notificar” o mundo de seus pecados (At.17.30). Pregar a Palavra no lar, na escola e na empresa onde há oposição, é uma frente de batalha.

Quem decide não se amoldar a este século assume uma posição de perigo (Rm.12.2). Todos “os que desejam viver piedosamente em Cristo Jesus serão perseguidos” (2Tm.3.12).

Embora o risco, os que amam a Cristo desejam exatamente unir-se a Ele. É um  desapego de quem acredita que se “salvar a sua vida a perderá; mas quem perder a vida por minha causa, este a salvará” (Lc.9.24).  Quem ama o Senhor não se envergonha do Evangelho (Lc.9.26), “ficarão fora os covardes” (Ap.22.15), mas os fiéis estarão no campo de batalha com espada em punho.

Paulo era judeu, mas também romano, cuja cultura de guerra influenciava suas metáforas. Ele estimulava: “tomem toda a armadura de Deus” e lutem! (Ef.6.11).

Toda a Escritura ecoa o tom: “Somente seja forte e muito corajoso!” (Js.1.7) “Nós, porém, não somos dos que retrocedem” (Hb.10.39)

Vejam a resposta dos guerreiros da fé dos quais Hebreus 11 fala:

“Disse Nabucodonosor: Mas, se não a adorarem, serão imediatamente atirados numa fornalha em chamas. E que deus poderá livrá-los das minhas mãos? “Sadraque, Mesaque e Abede-Nego responderam ao rei: “Ó Nabucodonosor, não precisamos defender-nos diante de ti. Se formos atirados na fornalha em chamas, o Deus a quem prestamos culto pode livrar-nos, e ele nos livrará das suas mãos, ó rei. Mas, se ele não nos livrar, saiba, ó rei, que não prestaremos culto aos seus deuses nem adoraremos a imagem de ouro que mandaste erguer”. (Dn.3.15-18).

Eles decidiram estar com o Senhor, e, de fato estiveram.

Há diversas batalhas com lutas da ética e da moral, com esforços de perdão e serviço aos inimigos. O cristão pode se esquivar, pode se omitir de pregar o Evangelho para se poupar, pode ceder e tratar a cultura secular com amenidades supondo estar amando,  quando está, na verdade, tentando salvar a si mesmo.

Você quer lutar?

Dura é essa palavra. Quem pode suportá-la?” (Jo.6.60).

*Foto: Filme Fury que retrata quando um soldado sabe que morrerá.

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Um comentário sobre “EU QUERO LUTAR!

  1. Bom o texto… continue escrevendo… estamos longe da produção de wesley, lutero e outros…
    Beijos

    Sent via the Samsung Galaxy Note® 4, an AT&T 4G LTE smartphone

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