LEI para os REFORMADOS

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Paulo Zifum

O livro Continuidade e Descontinuidade traz a abordagem sobre a Lei de Moisés. Um do autores, Knox Chamblin, afirma que a Lei aponta para Cristo e sua obra. Para ele, o leitor que lê Moisés e entende o propósito da Lei está pronto para crer em Jesus. Cristo é o objetivo, Senhor e mestre da Lei. Cristo é a realidade, a Lei, sua sombra que o antecedia.

Chamblin reafirma a tradição reformada de que há continuidade nos “usos” da Lei. os reformados não negam que na progressão da revelação há descontinuidade (antítese) nos pontos onde o propósito maior foi cumprido em Cristo, mas os princípios da lei que educam o povo de Deus, continuam. A parte cerimonial central da Lei que era o sistema sacrificial foi resolvida de uma vez por todas na Cruz de Cristo, ficando os ritos do Batismo e da Ceia como marcas distintivas do povo da nova aliança.

Os “usos” da Lei, destacados por Melanchton, são:

  • Uso político (civil) que assegura a ordem social e a justiça entre os homens
  • Uso teológico (pedagógico) que revela a pecaminosidade humana
  • Uso normativo que norteia a conduta

Para os cristãos que vivem no mundo onde leis humanas e ideologias relativizam a moral, o Lei permanece como norma para fornecer regras de vida, não sendo oprimido pelo legalismo porque sabe que foi justificado pela fé na obra redentora de Cristo.

Calvino e Lutero concordavam com os “usos” da Lei, mas tinham ênfases distintas. Calvino dava mais ênfase no uso normativo da Lei.

As “dimensões” da Lei:

A Lei aponta para Cristo em todas as suas dimensões (moral, cerimonial e civil). Cristo, em seu tríplice ofício usou a Lei como profeta superior a todos, a explicando de modo inédito, decisivo e conclusivo no Sermão do Monte. A interpretação de Cristo como profeta (e autor da Lei) é a chave para entender a Torah. Cristo cumpriu cabalmente as exigências da Lei cerimonial como perfeito Sumo Sacerdote em seu autosacrifício, morrendo na Cruz. E por meio da Lei assumiu para sempre o governo civil como Rei como legislador e redentor do seu povo (rex lex).

Justificação e Lei (Calvino)

“Nós devemos buscar de Cristo o que a Lei daria se alguém conseguisse cumpri-la; ou, o que é a mesma coisa, que obtenhamos através da graça de Cristo o que Deus prometeu na Lei em troca de nossas obras: “Aquele que fizer estar coisas, ele viverá por elas” [Lev.18:5]… Pois se a justiça consiste em observância da Lei, quem negará que Cristo mereceu favor por nós quando, ao tomar o fardo sobre si, ele reconciliou-nos com Deus como se nós tivéssemos cumprido a Lei?” Calvino -Inst. II xvii.5

Lei e Evangelho (Theodoro de Beza)

“Lei e Evangelho não são contrários na essência da justificação mas no meio de obtê-la”

LEI (NATURAL)
Justiça Exigida
Benção mediante obediência pessoal
Ressalta o pecado

EVANGELHO (SOBRENATURAL)
Justiça Satisfeita
Benção obtida por fé nos méritos de outro
Traz o perdão e libertação do pecado

Gráfico relacional (Chamblin)

“A Lei de Moisés está relacionada para a Lei de Cristo, não como A para A ou A para B, mas como A1 para A2” pg.221

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“A Lei é revelada com base na redenção, não como a base, não como meio de salvação, mas como guia para mostrar gratidão por uma salvação que Javé já havia realizado” p.223  “A lei é o presente de casamento de Javé à sua esposa, para selar o vínculo entre eles” p.224

O gráfico mostra a continuidade, sendo o Sermão do Monte a elevação do conceito da Lei sinalizada no “eu porém vos digo” de Jesus. Os reformadores defendiam o sentido histórico-redentivo da Lei em sua UNIDADE DE SUBSTÂNCIA (AT e NT apontam o mesmo caminho de salvação) e em sua DISTINÇÃO NA FORMA (AT expressa a graça, mas não em sua plenitude).

Lei e Graça

A Lei expressa a Graça de Deus e o Catecismo de Heidelberg ao aborda-la a intitula como “Gratidão”. A Lei é uma aliança proposta por um Deus amoroso que oferece a seu povo a segurança contra os efeitos do pecado. Não sendo possível evitar o pecado a Lei providenciava cerimoniais que se repetiam de modo que o pecador aguardasse aquele que de uma só vez os livraria do pecado, Cristo. 

CONCLUSÃO: 

A lente hermenêutica reformada considera a antítese entre Lei e Evangelho, mas considera continuidade dos mandamentos e promessas da antiga aliança absorvida na nova.

 

 

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