SHIBOLET: OU VOCÊ É OU…

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Paulo Zifum

shibōleth: do hebraico שבולת  (espiga de grãos-torrente de água)

Depois do incidente narrado no livro de Juíze 12.1-15 a expressão foi apropriada para indicar uma peculiaridade de pronúncia que serve para identificar um determinado grupo linguístico, funcionando praticamente como um tipo de senha linguística.

Numa disputa, os gileaditas bloquearam todas as passagens para o rio Jordão a fim de evitar que os efraimitas sobreviventes escapassem. Os gileaditas fizeram todos os que por lá passassem pronunciar a palavra shibōleth, mas como os efraimitas não tinham o fonema /ʃ/, pronunciavam siboleth, com /s/, sendo assim reconhecidos e executados.

Sempre me divertia com meu amigo venezuelano pedindo para ele pronunciar a frase “no poço não posso”. Ele sabia qual era o substantivo e qual era o verbo, mas na hora de falar ele dizia “no poço no poço”. As línguas tem suas sutilezas, e algumas são mais fáceis de aprender e outras um perigo para os estrangeiros que podem causar uma grande confusão errando um fonema ou uma entonação.  Estrangeiros podem se até evitar os falsos cognatos, mas muita vezes não conseguem escapar da sutilezas de pronúncia.

Estudando Teologia Reformada senti-me seguro de que já sabia o suficiente. Achando-me um reformado, fui fazer um exame, e lá me pediram para dizer shibōleth. Senti na pele o que o uruguaios passaram no sul do Brasil durante as revoluções de 1893 e de 1923. Pediam para eles pronunciarem a letra J ou a palavra pauzinhos. Eles diziam “xôta” e “paucinhos”.  Eu que me achava quase um “nativo” virei forasteiro. Não fui executado, só reprovado e posto para aprender melhor o pensamento reformado.

O apóstolo João registrou que o Espírito Santo haveria de nos ensinar. Paulo ensinou o Espírito opera em nós a identidade com Cristo (espírito de adoção) e  que “ninguém pode dizer Jesus é o Senhor senão pelo Espírito” (1Co.12.3). João reafirma que os homens são distinguidos pela doutrina (1Jo.4.2).

A confissão que salva não pode ser qualquer confissão, mas “se, com a tua boca, confessares Jesus como Senhor e, em teu coração, creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo” (Rm.10.9). 

Shibōleth (alegoricamente aqui como “Evangelho”) identifica os eleitos, e Deus, em sua misericórdia, “não levando em conta os tempos da ignorância” (At.17.30),  “deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao pleno conhecimento da verdade” (1Tm.2.4). Todos os eleitos, embora tropecem no presente, aprenderão a dizer shibōleth, nem que seja como o ladrão da Cruz na última hora.

 

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