CALVINISMO

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Paulo Zifum

Em sua relação conosco, Deus tem somente direito e poderes. Ele se obriga, graciosamente e soberanamente, a deveres tão-somente por meio de aliança. Em aliança, ele assume os deveres e as responsabilidades de ser Deus para nós, mas isso não o impede de ser a causa primária e o fim de todas as coisas. O universo é governado não pelo acaso ou pelo destino, e sim pelo governo completo e soberano de Deus. Existimos com um propósito: dar glória a Deus. Temos somente deveres, e não direitos, para com Deus. Qualquer tentativa de desafiar essa verdade está condenada
Joel R. Beeke -Vivendo para a Glória de Deus-p.57

Se um pastor não ensina sua igreja corretamente sobre quem é Deus, segundo as Escrituras, normalmente educa os crentes a desenvolverem um tipo de relação com Deus diferente do texto acima. E uma compreensão diferente da doutrina da soberania absoluta de Deus, cria teologia fraca, crentes fracos, casamentos fracos, famílias fracas, e autoridades arbitrárias. É uma tragédia!

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A MATRIZ TEÓRICA DO AMOR

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Paulo Zifum

Seja casado ou não, leia o texto com calma.

A matriz teórica do amor não é uma ideia, mas uma pessoa e os atos decorrentes de seu ser. A base dessa matriz está resumida assim:

Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (João 3:16).

Note a definição teórica em 5 pontos de referência:

  • DEUS: a fonte do amor não é a criatura finita, mas o Criador infinito. Como está escrito: “amamos porque Ele nos amou primeiro” (1Jo.4.19)
  • PERFEIÇÃO: para sabermos se amamos muito ou pouco precisamos de uma referência. Todos os pais normais estão dispostos a morrer por seus filhos, mas qual pai que ama a seu filho o sacrificaria por outros? O amor foi nivelado pelo Pai no ponto mais alto possível de nossas referências humanas: o Filho. Abraão chegou perto desse amor sublime (Gn.22), mas ainda longe porque quis demonstrar amor para alguém mais digno. O amor é elevado porque se sacrifica pelos indignos (Rm.5.7-8).
  • RACIONAL e PROPOSICIONALMENTE CLARO: as intenções do amor revelam coerência em suas explicações que são simples. O amor não é um mistério, mas uma pessoa que se revela para que nela se creia. Deus enviou seu Filho ao mundo para cumprir uma exigência da justiça. Jesus Cristo viveu e ensinou de modo claro, todos os dias (Lc.19.47), confirmando as intenções do amor do Pai (Cl.1.13).
  • OFERTA: o amor não é uma imposição, mas um atração (Jo.6.37; Mt.11.28). O amor abre possibilidade de que não se creia nele. É possível dar as costas a ele e desperdiça-lo (Lc.9.51-55).
  • REDENTOR: o amor busca a salvação do outro e não uma redenção de si. O amor “busca os seus próprios interesses” (1Co.13.5), e para isso mantém-se respeitável onde “tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta” (1Co.13.7).

Aplicações:

Vida Conjugal: Quando duas pessoas se casam logo descobrirão qual é a matriz teórica do amor que possuem. Os conflitos surgem na medida em que percebem que sua maior carência não é amar, mas serem amados. E muitas vezes a fonte do amor é a reciprocidade e, essa, nem sempre ocorre. Uma vez que há falhas entre dar e receber, um lado se vê prejudicado, gerando frustrações. Um casamento cuja fonte não é Deus, tem base idólatra. Ora,  a idolatria busca vantagens onde o marido e esposa se sacrificam por interesses pessoais, mas é um tipo de amor que enfraquece quando deixa de ser vantajoso. Muitos casamentos não são ofertas de amor, mas “negócios da paixão”. A matriz teórica do amor de Deus ama o outro como ser livre, sem fazer ameaças ou exigências. O outro não precisa ser amável para ser amado. Porém, quem é amado de modo incondicional, jamais receberá redenção do amor ofertado se não amar também. Por fim, o casamento ideal, tratando-se de cônjuges pecadores, é o casamento de propósito redentor, onde o marido deseja salvar sua mulher (Ef.5.25-26) e a esposa deseja redimir o marido por meio de sua obediência (1Pe.3.1).

Vida Social: A matriz teórica do amor das famílias, dos grupo e comunidades pode ser percebida com o tempo. A maneira como os conflitos são resolvidos ou não são, revelam qual é base social das relações. Os constantes apelos pelo respeito, a quantidade de leis e a necessidade de uma complexa estrutura judicial para tentar proteger as pessoas são flagrantes dessa matriz. Não precisamos pesquisar muito para concordar que, o que une os homens não é o amor sacrificial, mas a busca por prosperidade e paz pessoal. E quando vaidades e cobiças mantém um cidade (Gn.11), o elo pode romper-se em violência e corrupção em todas as esferas. E são os interesses egoístas que confirmam a profecia de que “por se multiplicar a iniquidade, o amor de muitos esfriará” (Mt.24.12). Para edificarmos uma comunidade sadia é preciso que o amor seja a motivação das relações.

 

 

 

TRÊS OFÍCIOS DE CRISTO

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Paulo Zifum

Profeta, Sacerdócio e Rei

No Antigo Testamento o Espírito Santo de Deus concedia unção temporária para os ofícios de mediação entre Deus e os homens. Cristo, como Profeta, revela a vontade e a pessoa de Deus. Como sacerdote, ele é o mediador que oferece a si mesmo como sacrifício para satisfazer a justiça divina em favor dos eleitos. Como Rei, ele governa eternamente todas as coisas

O rei era chamado para governar a nação de acordo com as diretrizes da
lei de Deus. O sacerdote era chamado para realizar o culto conforme as diretrizes
da lei de Deus, além de interceder pelo povo perante o Senhor. O profeta era
chamado para anunciar ao povo, com fidelidade, a palavra que recebia de Deus.

Cristo exerce o ofício de profeta “revelando-nos, pela sua Palavra e pelo seu Espírito, a vontade de Deus para a nossa salvação. Jo.1.18; Hb.1.1-2; Jo.14.26 -16.13” Breve Catecismo de Westminster. Ele recebe unção do Espírito Santo a autoridade pública para ser ouvido (Mt.3.17; 17.5). Sua pregação foi de grande impacto e reconhecimento. E como os profetas do A.T. ele também rejeitado. E essa função adquirida como homem, continua na eternidade.

Cristo exerce o ofício de sacerdoteoferecendo-se a si mesmo uma vez em sacrifício, para satisfazer a justiça divina, reconciliar-nos com Deus e fazendo contínua intercessão por nós. Hb.9.28; Rm.3.24-26; 10.4; Hb.2.17 -7.25; Is.53.12” Breve Catecismo de Westminster 

Cristo exerce o ofício de reisujeitando-nos a si mesmo, governando-nos e protegendo-nos, contendo e subjugando todos os seus e os nossos inimigos. Sl.110.3; At.2.36 -18.9-10; Is.9.6-7; 1Co.15.26-27” Breve Catecismo de Westminster 

A tradição reformada identifica o tríplice ofício no Antigo Testamento para explicar como o Messias (o ungido) no Novo Testamento assume as três funções para sempre. Essa chave hermenêutica de leitura do AT e NT esclarece o ensino e o consolo para a vida diária dos crentes. O tríplice ofício mostra como toda a história da redenção estava planejada antes da fundação do mundo.

VOCÊ ESTÁ EM TREINAMENTO

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Paulo Zifum

2 Reis 5 para ensinar, para repreender, para corrigir e para instruir (2Tm.3.16)

O caso da cura de oficial militar Naamã em 2 Reis capítulo 5 foi um melhores treinamentos para um discípulo de profeta. Geazi ingressou no Seminário presidido por Eliseu e acompanhou o milagre do nascimento, morte e ressurreição do filho de uma sunamita, a purificação do alimento e a multiplicação dos pães (2Rs4). Mas, seu grande aprendizado, mesmo, seria com o caso de Naamã.

Treinamento 1 (fé)
O rei Ben-Hadade da Síria envia um carta que causa pânico em Jorão, rei de Israel: “Envio meu servo Naamã, leproso, para que o cure”. Eliseu, vendo a falta de fé de Jorão, assume esse ensino a toda a nação: “traga a mim”. Eliseu cria num Deus soberano por trás daquela situação. Geazi é ensinado que os servos de Deus devem entender que tudo está relacionado a Deus e que devem assumir suas responsabilidades espirituais no contexto de suas famílias, cidade e nação.

Treinamento 2 (discernimento -não há bondade inata)
Geazi que já havia levado o bordão de Eliseu para orar pelo menino morto da sunamita, agora levava as instruções para Naamã. Eliseu não recebeu o arameu pessoalmente e, essa atitude aparentemente indelicada causou em Naamã muita indignação, pois considerava-se um nobre a ser tratado com deferência. Naamã ameaça ir embora, e se fosse, nunca mais veria o rosto de Eliseu. Geazi é ensinado que uma enfermidade humilhante não é suficiente para tornar alguém humilde (o sofrimento não converte). Viver com pessoas de fé não o tornam um homem de fé.

Treinamento 3 (para te humilhar Dt.8.2 -a Cruz)
O processo de cura (ser ministrado pelo seminarista e os 7 mergulhos) parece que ajudou  a quebrantar-se e desenvolver fé. Ele não esperava isso. Queria apenas pagar bem pela cura (340k de prata, 68k de ouro e 10 vestes festivais). Geazi foi ensinado sobre a necessidade que o ser humano tem de confronto, aprender a se humilhar e depender de Deus.

Treinamento 4 (dinheiro é um assunto espiritual e deve ser usado para adorar) 
Agora, a lição de ouro viria no trato com o novo convertido. Eliseu é muito cuidadoso porque sabia da importância da conversão de um homem naquela posição. Só depois que a cura acontece, Eliseu vai ao encontro de Naamã. As palavras daquele oficial comprovam sinais de conversão: “em toda a terra não há Deus senão em Israel “. Eliseu recusa receber os vultuosos presentes de Naamã e não explica as razões como fez Abraão ao rei de Sodoma (Gn.14). Intuímos que ele queria que aquele novo convertido fosse conduzido a entender que não poderia pagar a cura. Esse gesto sutil teria grande impacto sobre o conceito religioso em Israel, entre as escolas de profetas, e faria repercussão na religião Síria a partir do testemunho de Naamã. A recusa de Eliseu poderia ser uma luta pessoal do profeta de “pisar em Mamon”? Sim. Ele poderia estar vencendo a idolatria e reafirmando sua dependência de Deus. A oferta era sempre bem-vinda, mas ali havia um contexto especial que modificava o juízo de valor. As coisas podem ser boas em si, mas algumas “bençãos” podem ser um laço. Geazi entrava num nível elevado do seu treinamento.

Treinamento 5 (a provas – decisões – A Cruz)
Todo treinamento tem um alvo: formar o aluno! O tempo de cada treinamento tem um termo nas provas. Geazi estava agora diante um importante teste. Ele deveria decidir se iria continuar o discipulado, discernindo o conteúdo das lições e confiando na direção espiritual de seu líder, e mesmo não compreendendo, se dispondo a perguntar depois. Geazi uma coisa para avaliar: Por que Eliseu não aceitou a oferta? Será que estou sendo testado quanto ao valor do desapego e confiança em Deus? O que é ser um homem de Deus?

Reprovação e Recuperação (o inevitável pecado e o graça de Deus):

Geazi não passou na prova. Sem saber, saiu do programa. Isso acontece com todos. Cometemos alguns pecados achando só uma contingência e acidente. E, ainda bem que o amor de Deus não depende de nosso desempenho. Deus nos vê fazendo e falando coisas que negam tudo o cremos. Ele tem compaixão quando damos as costas para tudo que aprendemos. Como percebemos que Geazi que não sabia o que estava fazendo?
Simplesmente pelo fato dele voltar para Eliseu para continuar o treinamento como se pudesse retomar do ponto onde se encontrava. 

Cristãos abandonam seu discipulado durante a semana, negam uma, duas e até três vezes suas relações com o Senhor, por medo ou indolência que são frutos da ignorância. Mas, ele se compadece de nós como fez com Pedro que negou o Senhor e nos  busca para recuperar. E como ele faz? Com uma pergunta: “onde você foi?” (2Rs.5.25); “onde estás” (Gn.3.9); “é razoável essa tua ira?” (Gn.4.5-6 ; Jn.4.4; Lc.15.28-30). 

Geazi precisava ser convencido do pecado e seu “jordão” seria sua Cruz: confessar sua desobediência e mentira. Naamã tinha lepra e foi curado no rio Jordão. Foi nesse mesmo Jordão que João batizava, sinalizando que todos os homens padecem do pecado (uma doença incurável e humilhante).

Abandono do Treinamento (revelação das coisas ocultas)

Geazi poderia “descer ao Jordão”, confessar, receber o perdão e a oportunidade de devolver aquele produto de roubo. Mas não fez. Abandonou de vez seu treinamento, não porque caiu em cobiça, mas porque negou seu pecado, pois está escrito que “se declaramos que não temos pecado algum enganamos a nós mesmos, e a verdade não está em nós” (1Jo.1.8). O ídolo do coração foi totalmente revelado. 

Talvez tenha pensado que, no máximo, Eliseu vai me expulsar do Seminário, mas iria ficar com a prata e o ouro. Geazi estava no caminho de Esaú que trocou o privilégio do discipulado por uma “sopa de lentilhas” (Gn.25). E assim como Isaque foi duro com Esaú, assim Eliseu com Geazi, lançando sobre ele a lepra de Naamã. Sendo o alerta contundente: “Não haja nenhum imoral ou profano, como Esaú, que por uma única refeição vendeu os seus direitos de herança como filho mais velho. Como vocês sabem, posteriormente, quando quis herdar a bênção, foi rejeitado; e não teve como alterar a sua decisão, embora buscasse a bênção com lágrimas” (Hb.12.16-17).

PREGAÇÃO PURITANA

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Joseph Pipa resumiu as 7 marcas distintivas da pregação puritana:

  • Escriturística
  • Centrada em Cristo
  • Lógica
  • Memorável
  • Transformadora
  • Prática
  • Clara

O tema era uma passagem das Escrituras com um princípio ou tema principal da fé, adequado a algum acontecimento do momento. Cuidava-se do estudo de um capítulo das Escrituras ou salmo.

O sermão o deveria enfocar a Palavra de Deus e evitada a pregação cultural, filosófica e socialmente moralizante. Para eles o sermão doutrinário era a simples exposição do significado das Escrituras. Os pregadores puritanos acreditavam que o sermão era  o meio de se viver bem.

Os puritanos preferiam o método expositivo. Muitas vezes usavam o método textual-tópico. Usavam ilustrações da vida e da natureza com referências bíblicas para esclarecer a verdade.

Os puritanos tinham sensibilidade sobre a natureza cristocêntrica da Bíblia. Revelar Cristo era a tarefa de todo sermão. Dedicavam-se na tarefa de pregar todo o conselho de Deus, sendo a Cruz o centro desse conselho. O Calvário era a torre de referência para o ministro jamais se perder entre muitos temas .(Packer).

Os puritanos acreditavam que as Escrituras oferecem um desafio de lógica acessível para o intelecto. Acreditavam que os ouvintes deveriam receber uma exposição racional que antecedesse os assuntos que envolvessem vontade e afetos. Os puritanos desenvolveram um “novo método reformado” ou “esquema triplo” (inspirado em Calvino).

Perkins, em The Art of Prophesying, resumiu:

  • 1. Ler claramente a passagem da Escritura canÙnica.
    2. Explicar o significado da passagem, depois que ela for lida
  • 3. Ajuntar alguns dos pontos proveitosos de doutrina do sentido
    natural da passagem.
  • 4. Se o pregador for adequadamente capacitado para isso, aplicar
    as doutrinas expostas à vida prática da congregacão com um linguajar direto e simples.

Os puritanos criam que o sermão deveria ser memorável. O esquema triplo, com seus tópicos enumerados, fornecia às pessoas pontos pelos quais estudar o sermão em
casa. O Catecismo Maior, na pergunta 160 dizia que “o que se requer daqueles que ouvem a Palavra pregada?… meditar nela e conferi-la (discuti-la)”.

O pregador puritano estava comprometido com a tarefa de auxiliar o cristão em sua busca por transformação. Por isso, seguiam o Diretório de Westminster:

“Ele (o pregador) não deve se demorar muito na doutrina geral, …mas apresentá-la em seu uso prático, aplicando-a aos ouvintes  …requer muita prudência, zelo e
meditação, e por ser desagradável ao homem natural e corrupto, cabe ao pregador a tentativa de fazer cumprir tal aplicação de modo que os ouvintes possam sentir a Palavra de Deus como penetrante e poderosa, e que discerne os pensamentos e intenções do coração”

William Haller escreveu que os pregadores puritanos buscavam “sondar a consciência do pecador desanimado para curar sua alma e depois envia-lo fortalecido para suas batalhas diárias contra o mundo e o maligno”.

O Diretório de Culto identifica que o o sermão deve instruir a doutrina, deve refutar as falsas, deve exortar os ouvintes quanto as obrigações expostas, deve chamar ao arrependimento, deve consolar na esperança do Evangelho, deve apresentar a conclusão de modo que o ouvinte faça autoconfronto, e por fim deve ser doxológico levando os ouvintes a glorifica a Deus.

Charles Bridge que o sermão deve “atrair a simpatia do coração”. Então a pregação
deve vir do coração e da experiência do pastor. Logo, a pregação deve ser feita com paixão.

Porém, a paixão não deveria misturar-se à sofisticação. O sermão deve ser simples de modo que a sabedoria humana fique escondida. A Palavra deve ser evidenciada, Cristo claramente visto de modo que a fé dos ouvintes não sejam atraídos a amar os dom do pregador.

Perkins que o dever era ” pregar numa simplicidade tal, e, ainda assim, com tanto poder, que mesmo os menos dotados intelectualmente reconheçam que não é o homem,
mas o próprio Deus quem está ensinando. E no entanto, ao mesmo tempo, a consciência do mais capaz intelectualmente sinta que não é o homem, mas o próprio Deus que o reprova por meio do poder do Espírito”.

 

A AUTOESTIMA da ALTA ESTIMA

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Paulo Zifum

O que eu e você refletimos? …Deus criou os seres humanos para refleti-lo, mas, se não se comprometerem com ele, não o refletirão, e sim outra coisa da criação. No íntimo de nosso ser, somos criaturas reprodutoras de imagem. É impossível ser neutro nesse aspecto: refletimos o Criador ou outro elemento da criação”  G. K. Beale -“Você se torna aquilo que adora” p.16

Uma boa autoestima pode ser alcançada quando olho para mim e sinto-me semelhante a ao que mais amo e admiro. O constructo do bom, belo e verdadeiro está dentro de mim e quando alcanço esse padrão, sinto-me seguro.

Nesse “sonho lindo”, G.K. Beale diz que “as pessoas se parecem com o que veneram, seja para sua ruína, seja para sua restauração”. Logo, te uma autoestima na direção errada evidencia que se tem uma alta estima  aos ídolos inferiores.

Tim Keller em Deuses Falsos denuncia que o dinheiro, o poder, a fama e o amor romântico mentem por não entregarem a segurança que prometem. Quando aquilo que estimamos muito é um ídolo menor que Deus, nunca poderá produzir em nós uma autoestima sustentável.

E por quê não é uma autoestima segura? Porque a mulher diz “eu preciso ser amada” e o homem diz “eu preciso ser valorizado” e essa carência de roupas afetivas, sociais, intelectuais e estéticas não tem fim. A segurança e significado obtidos nos ídolos pode ser um sucesso, mas virá a desvanecer.

Porém, quando o Espírito Santo revela a verdade, o ser humano consegue perceber que Cristo é sua maior necessidade. Imediatamente, após ser regenerado, a alma passa a adorar a Cristo. Daí em diante, sua autoestima não é um reflexo das coisas criadas, mas Cristo. E é essa direção que Paulo dá à sua vida ao dizer:

Mas o que para mim era lucro, passei a considerar perda, por causa de Cristo.
Mais do que isso, considero tudo como perda, comparado com a suprema grandeza do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor, por cuja causa perdi todas as coisas. Eu as considero como esterco para poder ganhar a Cristo e ser encontrado nele, não tendo a minha própria justiça que procede da lei, mas a que vem mediante a fé em Cristo, a justiça que procede de Deus e se baseia na fé. Quero conhecer a Cristo, ao poder da sua ressurreição e à participação em seus sofrimentos, tornando-me como ele em sua morte
Filipenses 3:7-10

Se nos tornamos aquilo que temos em alta estima, então, nossa autoestima depende desse ídolo. Por isso Deus exige que não tenhamos outro deus diante dele. Não porque ele busca em estima em suas criaturas, mas porque as ama a sabe que se buscarem segurança e significado em coisas falsas, irão se perder.

CERTEZA DE SALVAÇÃO

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Paulo Zifum

Os Cânones de Dort (1618-1619) diz:

Os eleitos recebem, no devido tempo, a certeza da sua eterna e imutável eleição para salvação, ainda que em vários graus e em medidas desiguais. Eles não a recebem quando curiosamente investigam os mistérios e profundezas de Deus. Mas eles a recebem, quando observam em si mesmos, com alegria espiritual e gozo santo, os infalíveis frutos de eleição indicados na Palavra de Deus – tais como uma fé verdadeira em Cristo, um temor filial para com Deus, tristeza com seus pecados segundo a vontade de Deus, e fome e sede de justiça.

A consciência e a certeza desta eleição fornecem diariamente aos filhos de Deus maior motivo para se humilhar perante Deus, para adorar a profundidade de sua misericórdia, para se purificar, e para amar ardentemente Aquele que primeiro tanto os amou. Contudo absolutamente não é verdade que esta doutrina da eleição e a reflexão na mesma os façam relaxar na observação dos mandamentos de Deus ou rendam segurança falsa. No justo julgamento de Deus isto ocorre freqüentemente àqueles que se vangloriam levianamente da graça da eleição, ou facilmente falam acerca disto, mas recusam andar nos caminhos dos eleitos.