FOME E SEDE NOS SALMOS

Paulo Zifum

bem-aventurados os que tem fome e sede de justiça, porque serão fartos” Mt.5.6

A bem-aventurança citada acima é uma palavra introdutória do Sermão do Monte, onde Jesus ensina a seus discípulos o amor pelo próximo. Esse amor, segundo o Sermão, deve ser expresso no contínuo desejo de promover entre os homens a paz e a justiça.

E uma das maneiras de promover o bem dos injustiçados e oprimidos é orando por eles. A fome e sede deve ter seu início nas orações a Deus e o livro dos Salmos nos oferece muitos modelos. Vejamos o Salmo 10.4-18:

O perverso, na sua soberba, não investiga; que não há Deus são todas as suas cogitações.
São prósperos os seus caminhos em todo tempo; muito acima e longe dele estão os teus juízos; quanto aos seus adversários, ele a todos ridiculiza.
Pois diz lá no seu íntimo: Jamais serei abalado; de geração em geração, nenhum mal me sobrevirá.
A boca, ele a tem cheia de maldição, enganos e opressão; debaixo da língua, insulto e iniquidade.
Põe-se de tocaia nas vilas, trucida os inocentes nos lugares ocultos; seus olhos espreitam o desamparado.
Está ele de emboscada, como o leão na sua caverna; está de emboscada para enlaçar o pobre: apanha-o e, na sua rede, o enleia.
Abaixa-se, rasteja; em seu poder, lhe caem os necessitados.
Diz ele, no seu íntimo: Deus se esqueceu, virou o rosto e não verá isto nunca.
Levanta-te, Senhor! Ó Deus, ergue a mão! Não te esqueças dos pobres.
Por que razão despreza o ímpio a Deus, dizendo no seu íntimo que Deus não se importa?
Tu, porém, o tens visto, porque atentas aos trabalhos e à dor, para que os possas tomar em tuas mãos. A ti se entrega o desamparado; tu tens sido o defensor do órfão.
Quebranta o braço do perverso e do malvado; esquadrinha-lhes a maldade, até nada mais achares.
O Senhor é rei eterno: da sua terra somem-se as nações.
Tens ouvido, Senhor, o desejo dos humildes; tu lhes fortalecerás o coração e lhes acudirás,
para fazeres justiça ao órfão e ao oprimido, a fim de que o homem, que é da terra, já não infunda terror.

Salmos 10:4-18

FOME E SEDE DE JUSTIÇA

Paulo Zifum

bem-aventurados os que tem fome e sede de justiça, porque serão fartos” Mt.5.6

Jesus começa seu famoso Sermão do Monte definindo a matriz piedosa do cidadão do Reino de Deus. O cristão, para ser cristão, deve ter fome e sede de justiça, que segundo o Sermão, não é se relaciona com a busca de seus direitos, mas pelo direito dos outros. Por isso é uma vontade bem-aventurada.

Os cristão são ensinados a abrir mão de alguns direitos por amor e por um senso de inteligência. Jesus, ao dizer “negue-se a si mesmo”, direciona o discípulo a concentrar-se no próximo, mesmo que o mais próximo seja um inimigo. Se o inimigo estiver sendo injustiçado, o cristão, bem treinado, não escorrega na fome e sede de vingança, mas surpreende defendendo o direito de seu inimigo. O amor ao próximo é o alimento e bebida do Reino.

Fome e sede de justiça é um sinal seguro de que entramos no Reino de Deus. Enquanto a maioria não se importa se tem bens além do necessário, o cristão se incomoda sinceramente com a desigualdade. Enquanto muitos buscam gozar do maior conforto possível (fome e sede de prosperidade e paz pessoal), o cristão perde sua alegria quando diante da injustiça e opulência. A omissão não é opção para quem tem essa fome e sede.

A OFERTA DO PORCO

Paulo Zifum

O porco e a galinha passeavam descuidados pela fazenda até que notaram uma agitação incomum frente ao celeiro. A galinha, curiosa como sempre foi se aproximando e ciscando como quem nada queria, perguntou: -O que houve por aqui? O porco se ajeitou na cerca para ouvir o pato explicar. Em pânico, de modo que lhe era próprio, gritou: -Está tudo perdido! Seremos todos comidos! O porco pulou a cerca e acalmou o penoso amigo: – Não diga isso. Tem crianças aqui. Você não entendeu que somos todos animais de exposição? -disse o porco olhando com autoridade para todos os animais do celeiro. Dirigiu-se para o cão e perguntou: -Conte-me tudo o que está acontecendo. O cão descruzou as patas, levantou-se e esclareceu: -O dono está muito doente e suas dívidas estão acumuladas. Precisamos ajudar, mas sinto-me apenas um estúpido cão de exposição que só sabe fazer postura de nobre, mas nada tenho para socorrer a fazenda. A vaca, resmungou lá fundo: -Não me peçam para dar mais leite. Estou esgotada! Um silencio se faz que até o cata-vento parou. A galinha encostou no porco e falou baixinho. Todos então, logo queriam saber. O porco que não tinha entendido a confidência pediu para que dissesse a todos. Sem malícia e sem noção disse de modo simplista: -Eu ajudo com os ovos e você dá bacon. O porco olhou para a generosa amiga enquanto segurava o bico do pato que ameaçou rir.  -Fim da reunião! -disse o porco. Vamos pensar numa solução. A galinha perguntou: -Falei alguma bobagem?

O DISCERNIMENTO DE ABRAÃO

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Paulo Zifum

Tirando três momentos*, Abraão, em toda a vida, mostrou-se um homem espiritualmente sensível e corajoso em sua consciência coram Deo (vida onde tudo se relaciona com Deus). Para Abraão, as pessoas precisam observar os sinais e palavras de Deus.

Seja o que Deus quiser (Gn.13.1-13)

Abraão percebeu que um conflito financeiro poderia destruir a comunhão familiar. Ló, seu sobrinho, era como um filho. Abraão toma a iniciativa de se separar, mas concede a Ló o benefício de escolher o melhor lugar. Esse gesto pode ser, para nós, um sinal de entrega a Deus. O local onde discutiram essa solução tinha suas aparências. Abraão parece não querer viver por elas. Ló, por sua vez, não percebia o que estava realmente em questão. Ele não estava mais acompanhando seu tio pela promessa de Canaã e a construção de um clã de fé. Ló reduziu seu mundo às aparências e tomou um destino inferior, embora não chegou a perder a fé que emprestara de seu tio em Harã (2Pe.2.7). Nas encruzilhadas da vida, melhor é confiar naquele que não vê como vê o homem (1Sm.16.7).

Identificando laços sutis (Gn.14.21-24)

Abraão fez uma grande proeza. Ele saiu em guerra planejada e corretamente motivada contra quatro reis que haviam derrotado outros cinco reis. Depois de vencer os quatro reis, Abraão fica, tecnicamente, vitorioso sobre nove reis. Podemos imaginar o cálculo de riqueza pelos despojos de gerra. Mas, Abraão não cobiçava as riquezas dos povos envolvidos. E é na audiência entre Abraão e o rei de Sodoma que nosso patriarca reafirma seu relacionamento com Deus, evitando que a anatomia da benção fosse modificada. A maioria cai nos laços antigos do amor ao dinheiro (1Tm.6.10).

Identificando autoridades (Gn.14.1-20 – Gn.18.1-33)

Parece que Abraão desejava visitas que pudessem abençoa-lo. E, talvez, por sua expectativa, estava mais sensível a perceber a diferença entre uma simples visita e um evento especial. Quando Melquisedeque apareceu, Abraão foi capaz de notar que o desconhecido não era-um homem qualquer. A simplicidade do pão e vinho e da benção oferecida foi suficiente para Abraão fazer daquele encontro um culto a Deus. O gesto de dar o “dízimo de tudo” (provavelmente dos despojos de guerra) era uma prova do discernimento que tinha nosso patriarca. Como devemos nos comportar diante de uma autoridade? O que devemos fazer para mostrar que entendemos sua investidura?  Abraão, depois de se colocar sobre 9 reis, poderia sentir-se no mesmo nível que o Rei de Salém, mas seu gesto mostrou que o considerava superior. Algumas pessoas só reconhecem uma autoridade quando são ameaçadas ou derrotadas por ela.

Depois de um tempo, outra visita surgiu:

O Senhor apareceu a Abraão perto dos carvalhos de Manre, quando ele estava sentado à entrada de sua tenda, na hora mais quente do dia. Abraão ergueu os olhos e viu três homens em pé, a pouca distância. Quando os viu, saiu da entrada de sua tenda, correu ao encontro deles e curvou-se até ao chão.” (Gn.18.1-2)

O destaque para o comportamento de Abraão está aqui:

Trouxe então coalhada, leite e o novilho que havia sido preparado, e os serviu. Enquanto comiam, ele ficou perto deles em pé, debaixo da árvore” (Gn.18.8)

Escravos é que fazem assim. Abraão era um homem rico, mas era também humilde de espirito (Mt.5.3). Era capaz de identificar uma autoridade quando a via. Enquanto a maioria não sabe discernir, tratando a todos de modo igual ou até inadequado.

Abraão, depois de ser informado que aqueles visitantes eram também juízes enviados para julgar Sodoma e Gomorra, lança-se em audiência diante deles para fazer humildes petições. Abraão percebe que aqueles homens tinham poder para destruir e também poderiam poupar. Sua intercessão fez toda a diferença para Ló.

Ele sabia identificar e honrar, ou seja, discernia autoridades.

Casamento: quem e onde? (Gn.24.1-9)

Dentre os assuntos decisivos na vida humana, o casamento é um dos mais tensos. O mundo depende diretamente da qualidade e acerto dessa decisão. E a seriedade com Abraão trata o casamento de Isaque revela um profundo discernimento. Canaã era uma cultura sem temor a Deus e, por mais educadas que fossem as pessoas, estavam enraizadas numa cosmovisão sem o temor de Deus. Talvez Abraão tivesse em sua memória a forma como a cultura de Sodoma e Gomorra penetraram na família de Ló levando-a a um triste fim. Abraão sabia que as pessoas assumem tem compromisso do coração com os antepassados, com a cultura e sua visão de mundo. Isaque precisa de um casamento que não ameaçasse a continuidade da aliança feita com Deus. Alguns casamento desfazem compromissos de fidelidade construídos em anos de relacionamento com Deus.

CONCLUSÃO: Se nós fôssemos sensíveis e corajosos como Abraão:

  • não nos deixaríamos guiar pelas aparências, mas confiaríamos mais no Senhor
  • não cairíamos nos laços do dinheiro, mas abriríamos mão de vantagens duvidosas
  • não trataríamos todos como iguais, mas consideraríamos os outros superiores.
  • saberíamos quando uma situação exige atenção devida ao culto racional a Deus
  • não entraríamos na estatística humana da omissão diante do mal
  • trataríamos o casamento e as alianças familiares com mais cuidado

*Momentos baixos: Em Gênesis 12 Abraão sente medo de morrer e expõe sua esposa a uma situação embaraçosa. Mas, o patriarca estava no início de sua jornada de fé (ainda não entendia que a promessa feita em Harã incluía proteção física). Em Gênesis 16 Abraão é induzido por sua esposa a deitar-se com sua escrava Hagar com o fim de resolver a “má-vontade” de Deus de dar um filho ao casal (ainda não entendia que a promessa feita em Harã foi feita para Sara também). Em Gênesis 20 Abraão volta a expôr sua esposa Sara por causa de um medo antigo de morrer (ainda não entendia, como a maioria de nós, essa linha tênue entre a fé e os “jeitinhos de meia-verdade” que tomamos em busca de segurança.

*Foto: Se você estranhou a ausência de Gênesis 22, fez boa nota. O texto sublime foi omitido aqui porque trata-se de uma moldura exclusiva sobre a vinda de Jesus ao mundo. Alguns escritores tendem a comentar que “devemos sacrificar o nosso Isaque” e acabam por perder a singularidade desse momento sublime entre Abraão e Deus. Quem poderia repetir na vida esse evento?

O INFERNO

Paulo Zifum

Inferno é sinônimo de estado ou lugar ruim. Para a maioria é apenas uma figura de linguagem ou folclore, mas para a Bíblia, é um lugar real, um destino eterno para anjos e homens condenados após o juízo final.

É um dos temas mais controversos na Bíblia e um dos mais desconfortáveis. Os opositores alegam que o conceito do Inferno é incoerente com o amor e que o cristianismo usa o terror da punição para obter obediência.

Os teólogos piedosos que acreditam na literalidade do Inferno, se compreendem bem o ensino bíblico, sofrem sua realidade. A doutrina do Inferno cria dúvidas pontuais e simula sofrimento no coração de quem se esforça amar as pessoas.

Pelo menos, existem 2 dúvidas atroadoras sobre o Inferno: É um lugar de aniquilamento ou é uma sentença eterna? Se é um sofrimento eterno, como haverá paz e alegria completa no Céu, uma vez que se sabe que bilhões de almas estão em sofrimento eterno?

A tentativa de resposta para essas duas perguntas é:

O Inferno é um lugar de habitação eterna (não haverá aniquilamento). Deus, sendo um ser eterno, seus atos de justiça e bondade ecoam pela eternidade. Ao aplicar sua graça (justificar do mal) para com os eleitos, Ele o faz eternamente. Ao aplicar sua justiça (punir o mal), Ele o faz eternamente. E Ele é glorificado por sua eterna justiça e eterna bondade. Quando há uma condenação à prisão perpétua, a justiça é exaltada (se não houve erro) até o fim da vida do condenado. No caso do Inferno, os condenados segundo a Bíblia, não serão punidos por questões arbitrárias ou por não seguirem regras religiosas. Não haverá erro. Todas as pessoas condenadas ao Inferno serão ímpias cujo o desígnio do coração é totalmente mau. Essas, não estarão no Inferno tristes ou arrependidas, mas iradas porque estão impedidas de cometerem seus pecados. O Inferno é o banimento da presença de Deus e os que para lá vão, são aqueles que sempre demonstraram que o Deus cristão era um estorvo com sua moral opressiva. Esses estarão em sofrimento no Inferno, mas não tanto pelo desconforto do lugar, mas por não poderem ter os prazeres do pecado. E o desejo ímpio tende a durar a eternidade (fato trágico que pode ser constatado hoje em homens que não possuem remorso e se puderem continuar sem punição, não cessam de roubar, praticar a violência e a imoralidade). O Inferno é o lugar onde a punição do mal se cessa porque os ímpios continuarão com o plano de praticar o mal.

O Inferno é um desafio para quem ama. O sofrimento pelo próximo é para inseparável do cristianismo. Mas a promessa de que no Céu não haverá sofrimento, nos faz crer que Deus dará a seus filhos uma explicação suficiente sobre sua justiça. Lá, os corações serão sarados, não sabemos como.

A tentativa de responder essas questões não tira a dor cristã de saber que o Inferno é uma dura realidade de juízo final que os homens querem não acreditar.

ESTÍMULO PARA PEDIR

Paulo Zifum

Jesus em seu Sermão do Monte discursou sobre os assuntos mais importantes que envolvem a relação entre os homens e a relação com Deus, deixando clara a intersecção dessas esferas.

Dentre os temas, o Senhor ensina sobre a oração.
A oração é a prática de conversar com Deus. Nessa conversa necessária os homens confirmam sua reverência e submissão, prestam contas de suas vidas e pedem suprimentos de suas necessidades. E é a própria oração o suprimento de uma necessidade.

Ele ensinou: Pedi, e dar-se-vos-á; buscai e achareis; batei, e abrir-se-vos-á. Pois todo o que pede recebe; o que busca encontra; e, a quem bate, abrir-se-lhe-á” (Mt.7.7-8).

Note a simplicidade do ensino. Note a segurança do resultado.
Porém, a promessa de resposta às orações não está solta nos braços da vontade egoísta e vaidosa do coração humano. Jesus estimulou a oração dentro do contexto do Sermão todo.

Os súditos do Reino de Deus, segundo este Sermão, se encaixam nas bem-aventuranças (Mt.5.2-10), buscam o bem do próximo (Mt.5.38-48). Esses pedintes são educados a dizerem submissos: “seja feita a tua vontade” (Mt.6.10) em suas orações, não se mostram avarentos em suas motivações (Mt.6.19-21) e buscam o Reino de Deus em primeiro lugar (Mt.6.33).

É nesse contexto que Jesus garante que os pedidos e buscas serão atendidos.

Exceções?
Sim! Sempre há exceções!

Os filhos de Deus podem pedir ou buscar coisas que jamais irão receber.
Mas, isso não significa que o princípio “pedi e dar-se-vos-á” tenha falhado.
O que pode ocorrer, devido nossas limitações, é pedirmos algo a Deus fora de tempo ou propósito. Os filhos de Deus não conseguem ter com ele intimidade em todos os assuntos, e por isso, podem confundir ou desejar algo fora da vontade de Deus.

Entretanto, a maioria dos pedidos e buscas serão atendidos.
Logo, o Sermão do Monte é estimulante!

Note a relação com o Pai amoroso:

Ou qual dentre vós é o homem que, se porventura o filho lhe pedir pão, lhe dará pedra? Ou, se lhe pedir um peixe, lhe dará uma cobra? Ora, se vós, que sois maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais vosso Pai, que está nos céus, dará boas coisas aos que lhe pedirem?” (Mt.7.9-11).

A oração é um assunto importantíssimo do Reino de Deus. Os filhos de Deus participam ativamente desse Reino entrando em audiência diante do Rei. E não há limites para nossas petições e buscas porque Deus pode fazer “infinitamente mais do que tudo quanto pedimos ou pensamos, conforme o seu poder que opera em nós” (Ef.3.20).

Precisamos pedir. Temos muito o que pedir, seja o pão de cada dia, o perdão ou livramentos e resoluções desta vida. O cristão faz suas orações e as reforça com seus esforços de trabalho constante e honesto.

A perspectiva cristã é boa e cheia de esperança.

 

 

QUAL O PRÓXIMO PASSO?

Paulo Zifum

Será bom você passar um tempo de oração.
Por que?
Porque Deus tem prazer em ajudar os humildes, guiando seus passos.
Ele ajuda a evitar muitas encrencas
Embora Ele também crie vários desconfortos
nunca em vão, sempre de grande valor

Em 2020, antes de falar, sentir ou agir
passe um tempo com Deus
Ele vai te ajudar