AMIGOS DE NOVO

Resultado de imagem para amigo é coisa pra se guardar

Paulo Zifum

Senhor! Faz aquelas mágicas novamente! Quando do barro fez um homem e uma mulher de uma costela. Do nada! Faz de novo surgir a flor do galho seco! Faz entre nós, mais uma vez, brotar amizade feito criança.

UMA NOTA DE LÚCIFER

Resultado de imagem para silmarillion pdf

Tolkien, famoso escritor de O Senhor dos Anéis, escreveu The Silmarillion, obra editada e publicada postumamente por seu filho Christopher Tolkien, em 1977. Depois do sucesso de O Hobbit, e antes da publicação de O Senhor dos Anéis, a editora de Tolkien solicitou uma continuação de O Hobbit, e Tolkien os enviou um rascunho de O Silmarillion. Mas, através de um mal-entendido, o editor rejeitou o projeto sem lê-lo na íntegra.

Segue abaixo um trecho desse livro:

A Música dos Ainur Havia Eru, o Único, que em Arda é chamado de Ilúvatar. Ele criou primeiro os Ainur, os Sagrados, gerados por seu pensamento, e eles lhe faziam companhia antes que tudo o mais fosse criado. E ele lhes falou, propondo-lhes temas musicais; e eles cantaram em sua presença, e ele se alegrou. Entretanto, durante muito tempo, eles cantaram cada um sozinho ou apenas alguns juntos, enquanto os outros escutavam, pois cada um compreendia apenas aquela parte da mente de Ilúvatar da qual havia brotado e evoluía devagar na compreensão de seus irmãos. Não obstante, de tanto escutar, chegaram a uma compreensão mais profunda, tornando-se mais consonantes e harmoniosos. E aconteceu de Ilúvatar reunir todos os Ainur e lhes indicar um tema poderoso, desdobrando diante de seus olhos imagens ainda mais grandiosas e esplêndidas do que havia revelado até então; e a glória de seu início e o esplendor de seu final tanto abismaram os Ainur, que eles se curvaram diante de Ilúvatar e emudeceram

Disse-lhes então Ilúvatar: – A partir do tema que lhes indiquei, desejo agora que criem juntos, em harmonia, uma Música Magnífica. E, como eu os inspirei com a Chama Imperecível, vocês vão demonstrar seus poderes ornamentando esse tema, cada um com seus próprios pensamentos e recursos, se assim o desejar. Eu porém me sentarei para escutar; e me alegrarei, pois, através de vocês, uma grande beleza terá sido despertada em forma de melodia. E então as vozes dos Ainur, semelhantes a harpas e alaúdes, a flautas e trombetas, a violas e órgãos, e a inúmeros coros cantando com palavras, começaram a dar forma ao tema de Ilúvatar, criando uma sinfonia magnífica; e surgiu um som de melodias em eterna mutação, entretecidas em harmonia, as quais, superando a audição, alcançaram as profundezas e as alturas; e as moradas de Ilúvatar encheram-se até transbordar; e a música e o eco da música saíram para o Vazio, e este não estava mais vazio. Nunca, desde então, os Ainur fizeram uma música como aquela, embora tenha sido dito que outra ainda mais majestosa será criada diante de Ilúvatar pelos coros dos Ainur e dos Filhos de Ilúvatar, após o final dos tempos Então, os temas de Ilúvatar serão desenvolvidos com perfeição e irão adquirir Existência no momento em que ganharem voz, pois todos compreenderão plenamente o intento de Ilúvatar para cada um, e cada um terá a compreensão do outro; e Ilúvatar, sentindo-se satisfeito, concederá a seus pensamentos o fogo secreto. Agora, porém, Ilúvatar escutava, sentado, e por muito tempo aquilo lhe pareceu bom, pois na música não havia falha. Enquanto o tema se desenvolvia, no entanto, surgiu no coração de Melkor o impulso de entremear motivos da sua própria imaginação que não estavam em harmonia com o tema de Ilúvatar; com isso procurava aumentar o poder e a glória do papel a ele designado. A Melkor, entre os Ainur, haviam sido concedidos os maiores dons de poder e conhecimento, e ele ainda tinha um quinhão de todos os dons de seus irmãos. Muitas vezes, Melkor penetrara sozinho nos espaços vazios em busca da Chama Imperecível, pois ardia nele o desejo de dar Existência a coisas por si mesmo; e a seus olhos Ilúvatar não dava atenção ao Vazio, ao passo que Melkor se impacientava com o vazio. E, no entanto ele não encontrou o Fogo, pois este está com Ilúvatar. Estando sozinho, porém, começara a conceber pensamentos próprios, diferentes daqueles de seus irmãos. Alguns desses pensamentos ele agora entrelaçava em sua música, e logo a dissonância surgiu ao seu redor. Muitos dos que cantavam próximo perderam o ânimo, seu pensamento foi perturbado e sua música hesitou; mas alguns começaram a afinar sua música a de Melkor, em vez de manter a fidelidade ao pensamento que haviam tido no início. Espalhou-se então cada vez mais a dissonância de Melkor, e as melodias que haviam sido ouvidas antes soçobraram num mar de sons turbulentos. Ilúvatar, entretanto, escutava sentado até lhe parecer que em volta de seu trono bramia uma tempestade violenta, como a de águas escuras que guerreiam entre si numa fúria incessante que não queria ser aplacada. Ergueu-se então Ilúvatar, e os Ainur perceberam que ele sorria E ele levantou a mão esquerda, e um novo tema surgiu em meio à tormenta, semelhante ao tema anterior e ao mesmo tempo diferente; e ganhava força e apresentava uma nova beleza. Mas a dissonância de Melkor cresceu em tumulto e o enfrentou. Mais uma vez houve uma guerra sonora, mais violenta do que antes, até que muitos dos Ainur ficaram consternados e não cantaram mais, e Melkor pôde dominar. Ergueu-se então novamente Ilúvatar, e os Ainur perceberam que sua expressão era severa. Ele levantou a mão direita, e vejam! Um terceiro tema cresceu em meio à confusão, diferente dos outros. Pois, de início parecia terno e doce, um singelo murmúrio de sons suaves em melodias delicadas; mas ele não podia ser subjugado e acumulava poder e profundidade. E afinal pareceu haver duas músicas evoluindo ao mesmo tempo diante do trono de Ilúvatar, e elas eram totalmente díspares. Uma era profunda, vasta e bela, mas lenta e mesclada a uma tristeza incomensurável, na qual sua beleza tivera principalmente origem. A outra havia agora alcançado uma unidade própria; mas era alta, fútil e infindavelmente repetitiva; tinha pouca harmonia, antes um som uníssono e clamoroso como o de muitas trombetas soando apenas algumas notas. E procurava abafar a outra música pela violência de sua voz, mas suas notas mais triunfais pareciam ser adotadas pela outra e entremeadas em seu próprio arranjo solene

No meio dessa contenda, na qual as mansões de Ilúvatar sacudiram, e um tremor se espalhou, atingindo os silêncios até então impassíveis, Ilúvatar ergueu-se mais uma vez, e sua expressão era terrível de ver. Ele então levantou as duas mãos, e num acorde, mais profundo que o Abismo, mais alto que o Firmamento, penetrante como a luz do olho de Ilúvatar, a Música cessou. Então, falou Ilúvatar e disse: – Poderosos são os Ainur, e o mais poderoso dentre eles é Melkor; mas, para que ele saiba, e saibam todos os Ainur, que eu sou Ilúvatar, essas melodias que vocês entoaram, irei mostrá-las para que vejam o que fizeram E tu, Melkor, verás que nenhum tema pode ser tocado sem ter em mim sua fonte mais remota, nem ninguém pode alterar a música contra a minha vontade. E aquele que tentar, provará não ser senão meu instrumento na invenção de coisas ainda mais fantásticas, que ele próprio nunca imaginou. E então os Ainur sentiram medo e ainda não compreenderam as palavras que lhes eram dirigidas; e Melkor foi dominado pela vergonha, da qual brotou uma raiva secreta. Ilúvatar, porém, ergueu-se em esplendor e afastou-se das belas regiões que havia criado para os Ainur; e os Ainur o seguiram. Entretanto, quando eles entraram no Vazio, Ilúvatar lhes disse: – Contemplem sua Música! – E lhes mostrou uma visão, dando-lhes uma imagem onde antes havia somente o som E eles viram um novo Mundo tomar-se visível aos seus olhos; e ele formava um globo no meio do Vazio, e se mantinha ali, mas não pertencia ao Vazio, e enquanto contemplavam perplexos, esse Mundo começou a desenrolar sua história, e a eles parecia que o Mundo tinha vida e crescia. E, depois que os Ainur haviam olhado por algum tempo, calados, Ilúvatar voltou a dizer: – Contemplem sua Música! Este é seu repertório. Cada um de vocês encontrará aí, em meio à imagem que lhes apresento, tudo aquilo que pode parecer que ele próprio inventou ou acrescentou. E tu, Melkor, descobrirás todos os pensamentos secretos de tua mente e perceberás que eles são apenas uma parte do todo e subordinados à sua glória. E muitas outras palavras disse Ilúvatar aos Ainur naquele momento; e, em virtude da lembrança de suas palavras e do conhecimento que cada um tinha da música que ele próprio criara, os Ainur sabem muito do que foi, do que é e do que será,e deixam de ver poucas coisas. Mas algumas coisas há que eles não conseguem ver, nem sozinhos nem reunidos em conselho; pois a ninguém a não ser a si mesmo Ilúvatar revelou tudo o que tem guardado; e em cada Era surgem novidades que não haviam sido previstas, pois não derivam do passado. E assim foi que, enquanto essa visão do Mundo lhes era apresentada, os Ainur viram que ela continha coisas que eles não haviam imaginado. E, com admiração, viram a chegada dos Filhos de Ilúvatar, e também a habitação que era preparada para eles. E perceberam que eles próprios, na elaboração de sua música, estavam ocupados na construção dessa morada, sem saber, no entanto, que ela tinha outro objetivo além da própria beleza. Pois os Filhos de Ilúvatar foram concebidos somente por ele; e surgiram com o terceiro tema; eles não estavam no tema que Ilúvatar propusera no início, e nenhum dos Ainur participou de sua criação. Portanto, quando os Ainur os contemplaram, mais ainda os amaram, por serem os Filhos de Ilúvatar diferentes deles mesmos, estranhos e livres; por neles verem a mente de Ilúvatar refletida mais uma vez e aprenderem um pouco mais de sua sabedoria, a qual, não fosse por eles, teria permanecido oculta até mesmo para os Ainur. Ora, os Filhos de Ilúvatar são elfos e os homens, os Primogênitos e os Sucessores. E em meio a todos os esplendores do Mundo, seus vastos palácios e espaços e seus círculos de fogo, Ilúvatar escolheu um local para habitarem nas Profundezas do Tempo e no meio das estrelas incontáveis. E essa morada poderia parecer insignificante para quem leve em conta apenas a majestade dos Ainur, e não sua terrível perspicácia; e considere toda a área de Arda como o alicerce de uma coluna e a erga até que o cone do seu topo seja mais aguçado que uma agulha; ou contemple somente a vastidão incomensurável do Mundo, que os Ainur ainda estão moldando, não a precisão detalhada com que moldam todas as coisas que ali existem. Mas, quando os Ainur contemplaram essa morada numa visão e viram os Filhos de Ilúvatar surgirem dentro dela, muitos dos mais poderosos dentre eles concentraram todo o seu pensamento e seu desejo nesse lugar. E, desses, Melkor era o chefe, exatamente como no início ele fora o mais poderoso dos Ainur que haviam participado da Música.

E ele fingia, a princípio até para si, que desejava ir até lá e ordenar tudo pelo bem dos Filhos de Ilúvatar, controlando o turbilhão de calor e frio que o atravessava. No fundo, porém, desejava submeter à sua vontade tanto elfos quanto homens, por invejar-lhes os dons que Ilúvatar prometera conceder-lhes; e Melkor desejava ter seus próprios súditos e criados, ser chamado de Senhor e ter comando sobre a vontade de outros. Já os outros Ainur contemplaram essa habitação instalada nos vastos espaços do Universo, que os elfos chamam de Arda, a Terra; e seus corações se alegraram com a luz, e seus olhos, enxergando muitas cores, se encheram de contentamento; porém, o bramido do oceano lhes trouxe muita inquietação. E observaram os ventos e o ar, e as matérias das quais Arda era feita: de ferro, pedra, prata, ouro e muitas substâncias. Mas de todas era a água a que mais enalteciam. E dizem os eldar que na água ainda vive o eco da Música dos Ainur mais do que em qualquer outra substância existente na Terra; e muitos dos Filhos de Ilúvatar escutam, ainda insaciados, as vozes do Oceano, sem contudo saber por que o fazem. Ora, foi para a água que aquele Ainu que os elfos chamam de Ulmo voltou seu pensamento, e de todos foi ele quem recebeu de Ilúvatar noções mais profundas de música. Já sobre os ares e os ventos, mais havia refletido Manwë, o mais nobre dos Ainur. Sobre a textura da Terra havia pensado Aulë, a quem Ilúvatar concedera talentos e conhecimentos pouco inferiores aos de Melkor; mas a alegria e o prazer de Aulë estão no ato de fazer e no resultado desse ato, não na posse nem em sua própria capacidade; motivo pelo qual ele dá, e não acumula, é livre de preocupações e sempre se interessa por alguma nova obra. E Ilúvatar falou a Ulmo, e disse: – Não vês como aqui neste pequeno reino, nas Profundezas do Tempo, Melkor atacou tua província? Ele ocupou o pensamento com um frio severo e implacável, mas não destruiu a beleza de tuas fontes, nem de teus lagos cristalinos. Contempla a neve, e o belo trabalho da geada! Melkor criou calores e fogo sem limites, e não conseguiu secar teu desejo nem sufocar de todo a música dos mares. Admira então a altura e a glória das nuvens, e das névoas em permanente mutação; e ouve a chuva a cair sobre a Terra! E nessas nuvens, tu és levado mais para perto de Manwë, teu amigo, a quem amas. Respondeu então Ulmo: – Na verdade, a Água tornou-se agora mais bela do que meu coração imaginava. Meu pensamento secreto não havia concebido o floco de neve, nem em toda a minha música estava contida a chuva que cai. Procurarei Manwë para que ele e eu possamos criar melodias eternamente para teu prazer! – E Manwë e Ulmo se aliaram desde o início, e sob todos os aspectos serviram com a máxima fidelidade aos objetivos de Ilúvatar. Porém, no momento em que Ulmo falava, e enquanto os Ainur ainda contemplavam a visão, ela foi recolhida e permaneceu oculta Pareceu-lhes que naquele instante eles percebiam uma nova realidade, as Trevas, que eles ainda não conheciam a não ser em pensamento. Estavam, porém, apaixonados pela beleza da visão e fascinados pela evolução do Mundo que nela ganhava existência, e suas mentes estavam totalmente voltadas para isso; pois a história estava incompleta, e os círculos do tempo, ainda não totalmente elaborados quando a visão foi retirada. E alguns disseram que a visão cessou antes da realização do Domínio dos Homens e do desaparecimento gradual dos Primogênitos; motivo pelo qual, embora a Música estivesse sobre todos, os Valar não viram com o dom da visão as Eras Posteriores ou o final do Mundo. Houve então inquietação entre os Ainur; mas Ilúvatar os conclamou, e disse: – Conheço o desejo em suas mentes de que aquilo que viram venha na verdade a ser, não apenas no pensamento, mas como vocês são e, no entanto, diferente. Logo, eu digo: Eä! Que essas coisas Existam! E mandarei para o meio do Vazio a Chama Imperecível; e ela estará no coração do Mundo, e o Mundo Existirá; e aqueles de vocês que quiserem, poderão descer e entrar nele.

Tolkien nos leva à uma viagem na tentativa de explicar a queda de Lúcifer. A Bíblia fala da queda (Lc.10.18), mas não detalhes e contexto. Deus permite que nossa imaginação trabalhe. Tolkien, em sua ficção, ousa abordar a origem do mal em sua licença artística.

TORRE DE BABEL

Resultado de imagem para maior arranha céu do mundo

Paulo Zifum

A palavra semítica  Babel בבל significa confusão e popularizou-se na experiência narrada em Gênesis 11.

Era uma vez uma comunidade que acumulava muitos recursos humanos e materiais. Experimentavam a prosperidade da união, onde a riqueza começa a sobrar. Provavelmente alguém levantou a necessidade de materializar o sentimento de orgulho desse ajuntamento de sucesso. Essa sugestão foi acolhida com entusiasmo, passando a reunir todos os talentos para idealizar o sentimento eleito: somos grandes!

E foi assim! Começaram a construir a Torre e ninguém sabe até hoje o tamanho desse ousado projeto. Só sabemos que a motivação era fazer algo digno, não para Deus, mas para eles mesmos.

Esse comportamento é a nossa marca na História. Tanto individualmente como coletivamente fazemos tentativas de novas Torres. E também, colecionamos fracassos em nossos empreendimentos, devido à misteriosos desentendimentos. Sejam governos seculares ou eclesiásticos, sejam ideologias ou metodologias, inexplicavelmente (para os céticos), Babel se repete. Nenhuma unidade humana com motivação semelhante conseguiu um sucesso duradouro. A História prova que jamais conseguimos concordar e andar juntos nessa linha de propósito e pensamento. Babel é um tipo de parábola.

Mas, por que o Divino não deixa a Torre ser concluída?

Ele não quer concorrência? Por isso sabota a obra de suas criaturas que poderiam se igualar a Ele? Bem, esse pensamento é tão tosco que deve ser descartado.

A resposta pode ser encontrada no capítulo 6 de Gênesis. O coração dos homens está carregado de maldade e a História nos conta que, quando alguém ou algum governo assume o poder, os resultados são sombrios. Há uma rebeldia que se revela no sucesso do tribalismo e a tendência do homem não é repartir generosamente os bens (recursos, conhecimento, tecnologia, etc.) que acumula, mas usa-los de modo vaidoso ou totalitário (sejam ateus ou religiosos).

Deus sabe disso e, para não fazer o mundo sucumbir em juízo precoce, ele continua “confundindo as línguas” e impedindo que as Torres subam até o fim. E esse julgamento se antecede porque muitos empreendimentos não visam a cura das nações, mas o poder para controlar e vender essa cura.

Quem está imune de começar a construir uma torre dessas?

Surge um ímpeto alegre e confiante de motivações muito suspeitas.

Os ricos caem na tentação de externar a riqueza. Pessoas belas são atraídas pelo imã da publicidade. O propaganda esconde o “somos deuses!”, mas a ostentação aparece nos bens, nas roupas, nas construções e nas artes. Sutilmente o modo de falar sobre cultura e maneira de palestrar conhecimento podem anunciar novas versões da Torre.

Quantos líderes religiosos nos últimos anos viram seus pequenos reinos caírem num emaranhado de confusão e escândalo? Quantos governos deixaram de dar a glória a Deus pelo sucesso e sucumbiram com uma pequena confusão interna?

A intervenção divina foi ruim para os investidores de Babel, mas foi benéfica para a humanidade. A República de Platão era uma boa ideia, mas só para os gregos. A Igreja Católica Romana seguiu o mesmo caminho para estabelecer um poder temporal, mas, perdeu sua hegemonia diante da Reforma Protestante. Hitler tinha boas intenções, mas eram exclusivas para a raça ariana, não para a humanidade.

Em outra dimensão, Deus permitiu que Lúcifer organizasse uma rebelião (Is.14.5; 12-15; Ez.28.16), mas interrompeu a obra dele no Céu e destruirá sua tentativa na Terra (Apo 20:2; 10). O Senhor permite que a Torre comece, pois também é um modo de nos disciplinar em nossa teimosia. Ele pode deixar um Titanic desatracar, mas não permitirá que intentos rebeldes cheguem a prosperar.

Ninguém duvida que somos terríveis como mulas. Não aprendemos com o fluxo da história. Se algum líder com discurso messiânico se levantar pedindo votos, elegemos pela promessa de dar paz pessoal e prosperidade.

Porém, graças a Deus que não nos entrega totalmente a nós mesmos. Por sua misericórdia, Ele desce, intervém e sabota nossos projetos megalomaníacos. Embora coisas boas tenham sido canceladas porque as motivações estavam endiabradas, não podemos negar que, a interrupção de  alguns intentos humanos foram grandes livramentos de Deus na História.

Soli Deo Gloria

*Foto: A maior torre do mundo está em Dubai. Os empreendimentos humanos mostram a glória de Deus. Obras concluídas, na perspectiva da defesa acima, provam que não houve ameaça, embora nenhuma obra humana esteja isenta de motivações erradas.

 

 

DIGNIDADE DO MENDIGO

Resultado de imagem para mendigo logotipo

Como avaliamos a dignidade de uma pessoa?

Pelo tanto de bens que tem? Quanto vale um homem na guerra para o inimigo?  A aparência de uma pessoa pode interferir no juízo de valor que temos dela?  Qual o valor do feto numa gravidez indesejada?  Se um pai descobre que o filho não é seu, muda a dignidade desse filho?  O conhecimento muda a dignidade? O passado altera a dignidade? O lugar onde vive? A família em que nasce? Os dotes de beleza ou talentos atribuem mais dignidade à uma pessoa?

Seríamos hipócritas de disséssemos que não sofremos variação em nosso tratamento. Todos, em alguma escala, podemos mudar nossas afeições dependendo daquilo que julgamos aumentar ou diminuir a dignidade. Há quem ache que os ricos são menos dignos da misericórdia porque estão abastados, e ainda usam a frase que “é mais fácil um camelo passar por uma agulha que um rico entrar no céu”. Sim, é difícil uma pessoa muito rica ser salva, mas não é impossível para Deus.

Jesus não caiu no erro de julgar as pessoas pela aparência, riqueza ou talentos. Ele acolheu Judas depois de tê-lo traído, ele acolheu Pedro depois de tê-lo negado. O Senhor nos deixou o exemplo e nos direcionou para amar as pessoas.

GUIAS ESPIRITUAIS

Resultado de imagem para guia espiritual

Paulo Zifum

Desconfie de todos “guias espirituais” que aparecem como espíritos ou que tragam mensagens do além. Anjos ou entidades encorporadas em pessoas são suspeitos. Não acredite facilmente em orientações de oráculos que consultam cartas e estrelas. Cautela!

O que é um guia espiritual?

É uma pessoa que possui espiritualidade. Agora, se você não souber discernir pode confundir-se muito. Há no mundo milhares de líderes com temperamento dócil e discurso espiritualista, mas isso não significa espiritualidade. Pode ser um guru ou um pastor, pode ter dotes cativantes de pacificação, porém, isso não garante que sejam espirituais.

Para ajudar, segue algumas dicas:

1-Guia Espiritual de verdade acredita em um Deus criador, soberano, pessoal, invisível  e moral. 2-Guia Espiritual tem caráter e vida moral exemplar. 3-Guia Espiritual ensina as pessoas a terem fé orientada na verdade absoluta. 4-Guia Espiritual não atrai as pessoas para si, mas aponta para o que é superior. 5-Guia Espiritual qualifica o erro e confronta o infrator.

Poderia dar mais traços, mas isso é suficiente.

Se seu guia fala de Deus como uma força e diz que deus é tudo e tudo é deus, ele não tem como te conduzir para um lugar mais elevado porque a referência é tudo, e esse tudo é impessoal.

Se seu guia adora algo visível e invoca uma religião materialista cujos rituais e oferendas apontam só para uma finalidade imediata, esse líder não tem como oferecer algo além.

Se seu guia não fala nunca de pecado, fala pouco de justiça e quase não enfrenta ninguém que está errado, esse líder está perdido. Ou, se ele acha que tudo é pecado e oprime as pessoas com culpa, esse líder também está perdido.

Se seu guia é mais ou menos moral, então, é bom você não insistir. Caráter é o crédito da espiritualidade. Pode ser o cara mais inteligente e mais carismático, não entregue a ele sua peregrinação.

Se seu guia usa a própria cabeça dele como fonte de iluminação, e apoia sua doutrina nas revelações particulares que ele teve sozinho, então esse líder é um tipo de messias e ele vai te levar para alguma incoerência ou insanidade. O ser humano não pode ser referência última por causa de sua limitação. A fé orientada numa “verdade relativa” é um perigo. Verdade absoluta precisa de provas no mundo externo. Se alguém disse que teve uma revelação e o conteúdo dessa revelação não pode ser estudado nem compreendido pelo mundo externo, como poderemos orientar nossa fé?

Se seu guia é vaidoso e em vez de conduzir para a virtude conduz para si, ele está perdido. O jeito de falar, a falsa modéstia, a valorização do nome e de títulos pode denunciar que as pessoas são guiadas para algo muito particular e pequeno, senão maluco. Esse líderes usam as pessoas como meio, e dificilmente as tratará como um fim em si, com sua dignidade. Alguns guias são assim até de um modo inconsciente.

Se seu guia é “paz e amor”, negocia princípios e só diz coisas que aumentam sua fama de bom, desconfie, ele está mais perdido que seus liderados.

João Batista pregou duramente contra o pecado social e reprovou publicamente até o Rei Herodes. Quando se viu ameaçado com a concorrência de Jesus, declarou: “Eu não sou a luz, Ele é o Cordeiro de Deus, sigam a Ele, pois convém que Ele cresça e eu diminua”. João Batista preocupa-se com as pessoas e não as queria possuir. João pregava com base no documento do Antigo Testamento, ou seja, fundamentado nos profetas cujas previsões foram confirmadas no mundo externo. João trazia verdades absolutas sobre o ser humano em sua experiencia. João tinha reputação moral para pregar e vivia de modo modesto e separado da sociedade materialista.  João Batista pregava sobre valores e justiça. Falava que a vida vai além desse mundo e que Deus é uma ser pessoal e moral que exige que suas criaturas sejam coerentes e obedientes, que sejam justas e compassivas.

João Batista foi modelo de guia espiritual no sentido pleno da palavra.

Que Deus nos ajude com homens assim!

*Tudo foi dito aqui sem mencionar a Bíblia, mas é dela que extraímos toda a coerência para julgar todas as coisas. Por ela podemos evitar o engano de eleger guias à nossa “imagem e  semelhança”. Se você não acredita na Bíblia e este texto pareceu religioso e pedante, então guarde apenas isso: Nossos postulados precisam ser validados pelo mundo externo, pelo mundo criado, pelo universo ao redor. 

A CORRUPÇÃO DO HOMEM BOM

Sem título

Paulo Zifum

Como na Física, aonde alguns materiais bons sofrem os efeitos da temperatura e impactos do atrito, assim também os homens bons são testados severamente pelo mal.

O fogo em alta temperatura faz com que alguns “materiais” deformem ou derretam mudando sua forma original. E se o calor for severo, viram cinzas.

O cenário político do Brasil mostra uma grande fogueira acesa. Um espetáculo que envergonha homens de bem, pois ficam abatidos ao verem o fogo aumentar a cada dia. É uma grande tristeza assistir pessoas sendo lançadas na fogueira.

Paira a dúvida: Quanta gente boa está sendo destruída com a corrupção?

O Brasil perdeu um exército de homens bons que foram cooptados pelo crime. Homens treinados (demora de 10 a 15 anos para formar um líder social) que começaram bem, mas desgraçaram a nobre vocação e a dignidade dada por Deus.

O prejuízo material da corrupção (calculado em bilhões de reais) é pequeno perto do dano estrutural que foi causado. Iremos demorar, no mínimo, de 40 a 50 anos para formar líderes bons que possam nos guiar politicamente. Tínhamos vários, mas os perdemos porque foram seduzidos.

O mal é exatamente como vemos nos filmes de ficção: é invisível, mas opera com agências humanas de argumentos muito convincentes. Uma vez instalado, como um vírus, assume a central de comando remoto. Sempre desconfio do lobby* americano, que para mim, são uns demônios.

Os homens maus no Brasil representam um grupo pequeno e poderoso. Os maus são agentes que foram para o Congresso e alto escalão do Governo com o fim de roubar, matar e destruir. Esse é um grupo seleto que facilmente arregimenta os políticos oportunistas (os “laranjas”), mas, para conquistar um homem bom, não é tão fácil.

Para dobrar homens honestos o mal precisa ser sutil e ardiloso. Precisa fazer manobras para conseguir financiar seus ideais, sem que saibam. E essa é uma das atividades mais sofisticadas de escuridão.

Bem. Perdemos uma fileira de homens bons. Já eram! Acabou!

Agora, temos “zumbis” espalhados por todos os cantos. De dia emulam “é golpe!” com paixão. À noite, deitam a consciência num caixão.

Triste época!

*Lobby: Quem assistiu o filme A Origem vai entender.

PERDER A VIRGINDADE

 

Image result for chaves antigas

Paulo Zifum

A virgindade é um estado. Não é necessariamente um estado de santidade, porque é possível ser virgem e imoral. É um valor, mas, em determinada idade o glamour pode desvanecer.

A expressão antiga “perder a virgindade” é popular e parece ser razoável. Mas, a palavra “perder” levanta uma suspeita. Todos “perdem”? Ninguém ao deixar de ser virgem, ganha?

Para os cristãos que acreditam em moral absoluta, o sexo após o casamento civil e religioso coloca a virgindade num pedestal perpétuo. Não há perda, mas uma honra a ser mantida.  A pessoa deixa de ser virgem para o outro apenas, mas sua castidade é preservada como uma roupa mística que poderá sempre usar. A exclusividade é um valor que não se perde (tratando-se da castidade voluntária).

Tudo bem. Isso parece exacerbadamente purista e com potencial de gerar culpa desnecessária, mas não é uma discussão semântica inútil. O assunto tem implicações sociais muito relevantes, mas a maioria dos jovens desconhecem.

Infelizmente, é forte a tendência de acolher o discurso liberal que diz: que mal há se os dois se amam? E além da inclinação indulgente de nossa natureza, há uma militância hedonista na mídia e na cultura  dizendo que todos são livres para escolher a pessoa, o local e a hora de “perder” sua virgindade. Alardeiam: “meu corpo, minhas regras” e defendem que exigir castidade é um tipo de maldade.

Mas, regras individualistas é que definem o que é certo e o que é errado? Dizer: “faça o que deseja, contanto que não faça mal a ninguém”, não define o que é mal. Schaeffer disse que “a finitude do homem é a sua limitação, e essa mostra que ele não consegue ser um ponto de referência suficiente para si mesmo” (O Deus que se revela, pg.66). O individualismo é um erro porque, depois de exaurido, mistura desesperança com sensualidade no famoso mote “comamos e bebamos, porque amanhã morreremos” (Is.22.13). Nesse espírito, manter a virgindade é um esforço inútil.

Sem um porto seguro a sociedade deixa que filósofos solteiros e artistas com vida amorosa suspeita, definam qual é a moral a ser seguida. A felicidade individual tolerável é posta acima da moral e passa a ser um fim em si.

O que você acha disso?

Se você é cristão ou pelo menos acredita no que Schaeffer disse, deve concordar que precisamos de leis que venham “de cima para baixo”. E podemos saber, por análise racional, quando essas leis “de cima” são compatíveis com o mundo externo. Podemos discernir leis que trazem ordem ao caos sentimental e, ao mesmo tempo, não neguem necessidades básicas do homem.

Sobre a virgindade, a lei de referência cristã está na Bíblia, que diz: “deixará o homem pai e mãe e se unirá à sua mulher” (Gn.2.24). A origem orienta uma moral universal onde o casamento é um rito de passagem (histórico) que exige exclusividade (monogâmico) e diversidade (heterossexual). O momento em que pessoas virgens “deixam pai e mãe” para “se unir” precisa ser preparado como ato de celebração de uma nova vida,  e não como um start do prazer. Sexo só após o casamento.

A castidade envolve a mística e valores elevados. O sexo é um marco único para os cristãos que acreditam que a virgindade não é perdida, antes se torna uma moldura de ouro na qual a santidade faz todo o sentido, seja no casamento ou no celibato.

Essa santidade não é uma exigência religiosa moralista. Ela está impressa na consciência de todo homem e mulher criados conforme à imagem de Deus. E é por isso que os cristãos  consideram que tudo é Coram Deo (vida integralmente vivida na presença de Deus).

Portanto, a virgindade, segundo a lei da liberdade (Tg.2.12) é um “leito sem mácula” (Hb.13.4), é “estado sem culpa”. Esse status é modificado pelo casamento, mas permanece sagrado até o fim.

*foto: Porque Colocamos Fechadura