DESTINO EXISTE?

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Paulo Zifum

“Os destinos guiam o que obedece e forçam o que resiste” Sêneca

Determinado está o curso da história? A vida de uma pessoa depende dela ou de forças externas que a empurram? Existe um roteiro duro para a vida de cada um ou nós é que fazemos nosso destino?

Se Deus não existe, então, a vida é aleatória seguindo índices de probabilidade, ou seja, um caos. Mas a perspectiva cristã insiste de que tudo foi planejado e que o Criador amoroso iniciou tudo e intervém em tudo traçando o destino.

A Navio da História está singrando o Oceano do Tempo seguindo uma rota determinada. Todos nascem e morrem dentro dele e somente por meio da morte um tripulante pode sair do Navio. A vida toda é dentro desse Navio que não pára. A tripulação é composta por dois tipos: os que sabem que o Navio tem um curso definido e os que ignoram essa realidade. A livre-arbítrio dentro desse Navio é concedido apenas nas horas de folga. Todos estão nas posições ordenadas pelo Alto Comando e são moralmente responsáveis em seus papéis. Os motins? Os grupos rebeldes são supervisionados e cumprem o propósito específico. Possibilidade de alguém afundar o Navio é inexistente. A História foi escrita com início, meio e fim. E tudo, absolutamente tudo, está sob controle .

Essa ideia não soa bem para quem nasceu assistindo filmes e estudando sobre o homem autônomo. Filmes de ficção como Matrix tentam falar sobre essa condição imposta por um Soberano tirano, mostrando que a criatura luta e tenta se livrar desse controle. Mas, para alcançar essa liberdade a raça humana precisa de um messias com poderes sobrenaturais. E qual a mensagem? Existe alguém controlando nosso destino e devemos nos rebelar contra isso.

O que você acha?

*Foto: A ideia de que não existe acaso e sim alguém controlando, faz pensar que esse “alguém” é um ente divino mas com traços humanos, cuja intenção de controle é suspeita. A imagem mostra a reação das pessoas controladas.

APÊNDICE

a ordem das coisas está determinada pela presciência de Deus; se a ordem dos acontecimentos está determinada, determinada está também a ordem das causas, pois nada pode acontecer que não seja precedido de uma causa eficiente.” (Agostinho cita Cícero em Cidade de Deus-pg.486.)

Cícero discursa em Sobre a Natureza dos Deuses  e o dilema:

“escolher de duas uma — ou a nossa vontade tem algum poder, ou existe uma presciência do futuro. Porque, assim pensa, uma e outra não podem coexistir: se admitirmos uma, negamos a outra; se escolhermos a presciência do futuro, suprimimos o arbítrio da vontade; se escolhermos o arbítrio da vontade, suprimimos a presciência do futuro. E assim ele, grande e douto varão, tantas vezes e com tal mestria defensor da vida humana, das duas coisas escolheu o livre arbítrio da vontade; mas, para o consolidar, negou a presciência do futuro e assim, querendo fazer os homens livres, fê-los sacrílegos.” (Cidade de Deus pg.489)

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SENTIR-SE SEGURO

AUTOESTIMA

Paulo Zifum

Ter boa autoestima: se contentar com seu modo de ser e demonstrar, consequentemente, confiança em seus atos e julgamentos.

É complicado ver uma pessoa saudável, bela e rica em evidente insegurança emocional. Admirável é conviver com pessoas que, mesmo não tendo nada, parecem contentes e seguros.

Segurança é uma de nossas necessidades básicas. Quando Adão e Eva pecaram, descobriram que estavam nus e se esconderam um do outro e depois de Deus. Vergonha era um sentimento que não existia e o medo passou a ser o estado de alerta dos descendentes.

Todos enfrentamos um problema que atordoa: sentir-se inseguro. Podemos ter tudo, mas basta uma ponta de dúvida e, pronto! A alma se inquieta e, mesmo afortunada, não se sente abençoada. Podem dizer que somos amados, mas a insegurança faz uma bagunça lá dentro.

A Bíblia, como um tratado sobre relacionamentos, ilustra o modo como reagimos quando nos sentimos inseguros. Escondemos (Adão), fugimos (Jonas), ameaçamos (Saul) e conspiramos (Davi). Na Parábola dos Talentos, somos gente que se acovarda com a vida, que se encolhe para não arriscar, criando uma aparente prudência que, no fundo, é pura insegurança.  Seja pelo temor do homem (Pv.29.25) ou falta de confiança em Deus,  a sentença é severa para os covardes (Ap.21.8).

Com relacionamentos frequentemente inseguros, somos muito parecidos com Jacó (Gn.27-43). Ele não se sentia abençoado e passou anos e anos de sua vida fazendo esquemas para sentir-se seguro. Sua busca por afirmação, pela afeição de seu pai, seus negócios para conseguir uma esposa, sua constante preocupação com a prosperidade material, sua insegurança com seu irmão de sangue, faziam Jacó ter a sensação de que nunca iria descansar ou relaxar. Tornou-se um homem dramático e negativo diante dos incidentes da vida. Consequentemente, seu lar era inseguro e não conseguia estabilizar seus relacionamentos. Era um guerreiro, mas com pouco pouso de alma.

Como podemos viver com mais segurança? Como podemos conduzir nossos relaciomentos de modo a não precisar dissimular, fugir ou ameaçar?

Bem, a reposta é bem simples: “quando estiver com medo, confiarei em ti. Em Deus, cuja palavra eu louvo, em Deus eu confio, e não temerei. Que poderá fazer-me o simples mortal?” (Sl.56.3-4).

Nossa segurança não deve ser posta nas pessoas: “Maldito é o homem que confia nos homens, que faz da humanidade mortal a sua força, mas cujo coração se afasta do Senhor.” (Jr.17.5). Essa é uma tendência que todos temos e que pode nos custar muito. Davi pagou caro por cair nisso (1Cr.21.1).

Paz encontramos quando a “confiança está no Senhor, cuja confiança nele está. Ele será como uma árvore plantada junto às águas e que estende as suas raízes para o ribeiro. Ela não temerá quando chegar o calor, porque as suas folhas estão sempre verdes; não ficará ansiosa no ano da seca nem deixará de dar fruto” (Jr.17.7-8). Pois se diz: “Não temerá más notícias; seu coração está firme, confiante no Senhor. O seu coração está seguro e nada temerá” (Sl.112.7-8).

Segurança sem Deus é arrogância e um cadafalso perigoso. Autoestima baseada na vaidade é um laço. Empreendimentos que se asseguram como a Torre de Babel, podem surgir de relacionamentos  e convençoes seguras, mas são idólatras tanto no objetivo como nos afetos.

Não há real segurança quando Cristo é colocado à margem, como disse Bonhoeffer: “Ele não é apenas o mediador entre Deus e os homens. Ele é o mediador da relação entre o homem e seu próximo. Ele é que remove a barreira e insegurança e fazendo com que se sintam um.” (Vida em Comunhão).

A pergunta principal da psicologia moderna é: “como vai sua autoestima?”, porém a pergunta cristã é: “como vai sua fé em Deus?”. O Salmo 37* persuade o leitor preocupado e inseguro: “Confie no Senhor e faça o bem; assim você habitará na terra e desfrutará segurança. Deleite-se no Senhor, e ele atenderá aos desejos do seu coração. Entregue o seu caminho ao Senhor; confie nele, e ele agirá: Ele deixará claro como a alvorada que você é justo, e como o sol do meio-dia que você é inocente. Descanse no Senhor e aguarde por ele com paciência”.

O Salmo 91 convida à vida estável e Provérbios 16.7 reafirma “Sendo os caminhos do homem agradáveis aoSENHOR, até a seus inimigos faz que tenham paz com ele.”.

Sinta-se seguro… em Deus.

*Salmo: o Rei Davi escreveu maior parte dos Salmos cuja marca é tratar dos medos da alma. Davi sentiu-se muito inseguro em sua vida. Foi perseguido, rejeitado, traído e se meteu em diversas confusões.

 

 

 

ENTENDES O QUE LÊS?

Se eu encontro em mim um desejo que nenhuma experiência desse mundo possa satisfazer, a explicação mais provável é que eu fui feito para um outro mundo...Se nen... Frase de C. S. Lewis.

Paulo Zifum

Vê, posto que tarde, que às vezes poucos, acertar conseguem, enquanto muitos mil, no erro se engolfam”  Paraíso Perdido VI, 148  John Milton (poema épico originalmente publicado em 1667).

Você consegue entender o texto acima? Uma coisa é entender o significado das palavras, outra é ir o mais alto possível na aplicação delas.

A poesia é sempre um desafio para os literariamente iletrados e a maioria evita esforços com leitura por não ver grandes recompensas. Mas, os mais curiosos “brigam” com textos como quem vê ouro na quina de uma pedra.

É verdade que, como disse Adélia Prado, às vezes “olho pedra, e vejo pedra mesmo”, e se descobre que não há ouro em montes de livros. Mas, quando você encontra uma pepita, a aperta no peito e se gaba para sempre. É o garimpo de quem sonha com riquezas que vão além das coisas.

Havia um Eunuco etíope que ia em sua carruagem lendo o capítulo 53 do Profeta Isaías, e alguém lhe pergunta: “Entendes o que lês?”. Ele então, compartilha sua luta com o texto, demonstrando seu esforço (At.9). Esse leitor foi altamente recompensado.

Mas, voltando ao texto de John Milton, vamos reler:

POSTO QUE

Se você puder, risque sobre esse mármore!

SAMARITANO BOM

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Paulo Zifum

A ajuda vem de onde menos se espera. Criamos expectativa de que um solteirão bem-sucedido vai socorrer, mas a mão vem de um pedreiro casado com três filhos. Às vezes, alguém rico envolve-se não apenas em dar esmolas mas em fazer amizade com um pobre.

Jesus contou a singular Parábola do Bom Samaritano. Seus personagens e detalhes tornam a parábola profunda e vale a pena um estudo acurado, mas a grosso modo, qualquer leitor pode notar uma coisa: ninguém consegue sair ileso depois de ouvir. Era um poderoso recurso didático que exigia a identificação com os personagens, gerando um confronto quase que imediato.

O assunto é o amor ao próximo e Jesus define que ao vermos uma necessidade podemos tomar 2 atitudes: “passar de largo” ou “passar perto”.

Depois de ver, a consciência de uma pessoa normal pede uma ação caridosa (o pouco de Deus que ainda restou em nós após a Queda). Podemos “driblar” nossa consciência justificando nossas urgências ou julgando a dignidade da causa. A atitude de “passar de largo” talvez seja a razão porque a maioria das dores humanas não sejam aliviadas.

E quem pode afirmar que sempre irá “passar perto”? Quem pode arrogar-se assim? Até Madre Teresa de Calcutá negligenciou atendimento adequado sob a desculpa do doente não ter mais tempo de vida.

Conjugue: Eu “passo de largo”/ Você “passa de largo”/ Nós “passamos de largo”.

O desafio será sempre “passar perto”. O custo pode ser notado na foto acima. Observe a foto. A tarefa de cuidar de alguém pode ser solitária e pesada. Pode comprometer mais do que você gostaria. Às vezes, socorrer alguém implica enfrentar opressores e se indispor contra inimigos. O gesto perigoso de perguntar: “você está precisando que eu faça algo?” pode tornar você responsável e isso o Sacerdote e o Levita quiseram evitar.

E é exatamente isso que significa amar o próximo: ser por ele responsável. Caim ao ser indagado sobre o paradeiro de seu irmão Abel, respondeu: “Por acaso eu sou tutor de meu irmão?”. Bem, Deus respondeu: “Sim!”. E cobrou dele o sangue de Abel (Gn.4).

Eu quero ser bom, o problema é que, ser bom pode ser ruim pra mim. Preciso abrir mão de outras coisas, abrir mão de meu conforto e minha agenda, e, pior ainda, de minhas reservas financeiras.

Para ser um samaritano bom preciso passar perto daquilo que vejo, com gesto, com um abraço, com uma pequena caridade ou com um sacrifício maior.

Quem quer ser bom?

 

 

A SOPA DE PEDRA

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Paulo Zifum

Era uma vez um habilidoso e famoso cozinheiro muculmano que perdeu seu emprego porque se tornara cristão. E como ninguém lhe dava emprego por ser cristão, passou a pregar de vila em vila, em busca de tanto encontrar cristãos como mostrar a fé a outros.

Passando por uma vila muito pobre chamada Ptorróis percebeu que todos passavam por grande dificuldade, mas eram orgulhosos e desunidos. Teve uma ideia para unir o povo da vila. Deixou que soubessem que era o famoso cozinheiro do Sultão Alsaeb e anunciou que serviria um banquete para todos no domingo.

Pediu que lhe trouxessem o maior caldeirão da aldeia e prometeu que ensinaria a fazer sua deliciosa e secreta sopa com apenas uma pedra. A notícia correu rápido e a multidão foi se chegando tanto para comer como para aprender a tal sopa. Fizeram para ele fogo e colocaram nele um caldeirão tão grande que o Chef precisou subir num banquinho.

Enquanto preparava a receita começou a falar aos aldeões que, naquela vila distante,  estava para chegar uma grande benção para todos eles. Começaram a ficar impressionados com a roupa do cozinheiro, com a tal sopa de pedra e agora, também, uma esperarança gratuita surgia pois, algo bom, enfim, ocorreria naquele lugar esquecido.

Quando a água começou a ferver, o pomposo cozinheiro tirou de sua sacola uma  pedra um pouco maior que sua mão e a lançou no caldeirão. Com uma grande colher de pau começou a mexer enquanto falava que Caris* desejava visitar o povoado ali. Alguém perguntou quem era essa tal mulher, mas o cozinheiro gritou:

-Preciso de sal! E salsa também!

Logo trouxeram. Ele continuou explicando que Caris nao era uma mulher, mas algo que poderia mudar totalmente a vida dos moradores de Ptorróis.

-Esqueci das batatas, mas provavelmente não temos batatas suficientes nesse lugar -lamentou, limpando a testa. Logo os moradores se juntaram e começaram a trazer tantas que sobejou.

-Vocês estão com fome? -perguntou sorrindo. -A sopa de pedra está quase pronta, se não fosse a falta de um ingrediente que daria um toque todo especial: o chouriço! -disse, mantendo toda a atenção na sopa.

O homem mais rico da vila estava também curioso e resolver participar e trouxe o pedido especial. Logo alguns começaram a oferecer pedaços de carne seca e feijão. E tudo foi lançado não caldeirão.

Pronto! O banquete está pronto! Vamos todos nos servir, mas a sopa de pedra só fica abençoada quando os idosos são servidos primeiro -falou em tom firme. Assim começaram todos a servir. E conversavam sobre o famoso cozinheiro: -Bem que ele podia morar aqui na vila e cozinhar para nós.

Maravilhados com a sopa, perguntaram ao viajante porque ele estava fazendo a sopa para todos. Nessa hora, a atenção de todos de voltava para o homem desconhecido. Então, com voz alta e bondosa, passou a falar sobre o amor de Deus. Ressaltou que a vila poderia ser transformada se eles aprendesssem a praticar esse amor.

Pediram para que ele ficasse com eles mais uns dias e aquele despretencioso missionário começou a oferecer a eles muitas outras tarefas que fizeram juntos, sempre com a mesma pedra que o cozinheiro carregava na sacola.  Arrumaram juntos a Escola e a ponte também, ajudaram várias viúvas e melhoraram a qualidade de vida dos doentes. E cada noite pediam ao visitante que falasse mais do amor de Deus. Até que um dia…

*Caris ou Charis palavra de origem grega que significa graça. Dela surge a palavra caridade (latim).

APRENDER ATÉ MORRER

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Paulo Zifum

A criança nasce curiosa para aprender.  Fuça tudo porque tem sede de descobrir. A preguiça não a alcança enquanto mantiver esse prazer. Alguns pais ficam irritados com tantas perguntas: “pai, quando que é amanhã?”.

Com o passar do tempo, ocorre com a maioria um “defeito” de acomodação, quando a vontade estimulante de aprender é confrontada com o conceito do “tem que ir à escola”. A obrigação de aprender gera um movimento mecânico e a cultura do “estudar para ser alguém na vida” mata aqulela criança aprendedora. O que sobra? Um monte de gente que estuda só para o gasto.

Eu que nem achava isso de mim, fiquei desconfiado. Tenho preguiça de pesquisar e, por vezes, acomodado demais com o meu saber mediano. Esse é um corte ruim na vida de um jovem e pior no adulto.

Jesus, com apenas 12 anos, mostrou um ritmo que deveria ser o de todos nós, pois se diz que “ele ia crescendo em sabedoria, estatura e graça diante de Deus e dos homens” (Lc.2.52). Ele era autodidata e surpreendeu os doutores que com ele conversavam. Nesse exemplo do Senhor devemos seguir, num ritmo onde não podemos “finalizar os estudos”, pelo contrário, seguiremos aprendendo por toda a vida.

Se você quer mudar em você o defeito que te fez parar de crescer, então, faça a qualificada prece do Salmo 90.12*.

Keep learning!

*se tiver preguiça de pesquisar, então… tem jeito não!

 

 

 

 

 

ELEVE SUAS CONVERSAS

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Paulo Zifum

Sua conversa me impede de te ver. Desanima-me.

Em meio a um mundo cheio de palavras, os verbos ficam fracos e as pessoas não conseguem subir de nível depois de um pequeno diálogo. Por vezes, dependendo da conversa, há uma queda de toda inteligência.

Precisamos, urgente, elevar o nível de nossos diálogos, de nossas defesas e explicações. Precisamos aprender com o Mestre* das respostas sinceras e inteligentes e o Professor das perguntas cirúrgicas: Jesus!

Note com atenção a conversa que ele teve com um governador romano:

Pilatos então voltou para o Pretório, chamou Jesus e lhe perguntou: “Você é o rei dos judeus?” Perguntou-lhe Jesus: “Essa pergunta é tua, ou outros te falaram a meu respeito? “Respondeu Pilatos: “Acaso sou judeu? Foram o seu povo e os chefes dos sacerdotes que entregaram você a mim. Que é que você fez? ” Disse Jesus: “O meu Reino não é deste mundo. Se fosse, os meus servos lutariam para impedir que os judeus me prendessem. Mas agora o meu Reino não é daqui”. “Então, você é rei! “, disse Pilatos. Jesus respondeu: “Tu dizes que sou rei. De fato, por esta razão nasci e para isto vim ao mundo: para testemunhar da verdade. Todos os que são da verdade me ouvem”. “Que é a verdade? “, Então perguntou a Jesus: “De onde você vem? “, mas Jesus não lhe deu resposta. “Você se nega a falar comigo? “, disse Pilatos. “Não sabe que eu tenho autoridade para libertá-lo e para crucificá-lo? ” Jesus respondeu: “Não terias nenhuma autoridade sobre mim, se esta não te fosse dada de cima. Por isso, aquele que me entregou a ti é culpado de um pecado maior“. (Jo.18.33-40 – 19.9-11)

Percebeu?

Jesus mantém a calma, no esforço de ser coerente. Ele tinha pedido ao Pai “se possível passe de mim esse cálice”, numa conversa de entrega à vontade soberana. Agora, Pilatos surge como uma possibilidade de escape, mas Jesus não poderia reduzir o diálogo e apresenta ao nobre juiz romano uma lógica profunda sobre o que significa autoridade delegada.

Nossas conversas revelam nossa identidade que, frequentemente é ameaçada por circunstâncias e moldada por conveniências. Pelo “temor do homem” (Pv.29.25) podemos cair na tentação de emitir lisonjas (dizer o que se quer ouvir) ou tratar de modo rude (emitir ameaças). Nesse caso ego ducitor toda conversa é rasteira.

Mas, se tratarmos as pessoas como Jesus, vamos “jogar para o alto” os temas das conversas, considerando o quanto este mundo é provisório e quanto importa crer que Deus é soberano. Se elevarmos o assunto como fez Jesus, evitaremos as distorções em torno do “estar certo ou errado”.

Sem aumentar o tom de voz, podemos copiar a Jesus, como dele foi escrito: “Eis o meu servo, a quem sustento, o meu escolhido, em quem tenho prazer. Porei nele o meu Espírito, e ele trará justiça às nações. Não gritará nem clamará, nem erguerá a voz nas ruas. Não quebrará o caniço rachado, e não apagará o pavio fumegante. Com fidelidade fará justiça; não mostrará fraqueza nem se deixará ferir, até que estabeleça a justiça sobre a terra”.(Is.42.1-4).

Seguindo o Senhor, nosso modo de responder se torna mais econômico, pois acreditamos que o outro não precisa de nossa validação para se autoafirmar.

Pai e mãe, ao elevarem o discurso, dialogam com seus filhos com inteligência ao oferecerem os porquês, e jamais se vitimizam como alguns fazem em conversas agonizantes, suplicando serem ouvidos. Os filhos percebem quando seus pais estão inseguros, mas ficam cautelosos quando conversam com pais que falam do tema “vontade de Deus”.

Casais cristãos que elevam o trato de seus conflitos, apelam sabiamente para o Reino de Deus. Porque, se não voltarem para o Ceú, logo estarão brigando por um reino pequeno demais.  Elevando o diálogo “os que usam as coisas do mundo, (conversam) como se não as usassem; porque a forma presente deste mundo está passando.” (1Co.7.31). Esposas devem praticar o “seja a tua vontade” para encerrar longas discussões. Maridos devem levar o conversa para o “vamos orar e buscar de Deus uma direção”.

Filhos devem acreditar que seus pais “nenhum poder teriam se do alto não lhes fosse dado”. A conversa toma outro rumo quando os filhos confiam em Deus. Se “o coração do rei é como um ribeiro de águas caudalosas nas mãos do Senhor; este o inclina para onde deseja” (Pv.21.1), então, a conversa torna inteligente.

E nada pode ser tão inteligente que falar de política com a cosmovisão de Jesus! Ele elevou o assunto ao Céu a ponto de Pilatos ficar apavorado e perguntar: Que é a verdade? O governador romano não sabia mais, exatamente, diante de quem ele estava. Ficou atordoado com o nível de segurança de Jesus e como ele via politicamente o mundo.

Jesus era seguro e sabia conduzir uma conversa. E é isso que precisamos tanto! Elevar  para alcançar um nível mínimo de segurança, sinceridade, objetividade, profundidade e amabilidade.

Coram Deo!