SALMO 34

Paulo Zifum

salmo 34

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SEGURANÇA ARTIFICIAL

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Paulo Zifum

a concha da segurança superficial se partiu e um abismo se me abriu

A segurança é uma de nossas necessidades básicas. Somos definidos pelo nível de segurança que temos. Os mais saudáveis, os mais belos, os mais inteligentes, os mais sociáveis, os mais ricos e mais mais amados, podem sentir-se mais seguros.

Porém, toda segurança baseada no recurso pessoal é transitória, podendo partir ao meio ou em pedacinhos da noite para o dia. Por isso, a Bíblia diz:

Maldito é o homem que faz da humanidade mortal a sua força, mas cujo coração se afasta do Senhor. Ele será como um arbusto no deserto” Jr.17.5-6

Toda confiança na vaidade é vacuidade, mas, infelizmente, é onde normalmente colocamos nosso sossego. E o texto bíblico continua:

Mas bendito é o homem cuja confiança está no Senhor, cuja confiança nele está.
Ele será como uma árvore plantada junto às águas e que estende as suas raízes para o ribeiro. Ela não temerá quando chegar o calor, porque as suas folhas estão sempre verdes; não ficará ansiosa no ano da seca nem deixará de dar fruto“. Jr.17.7-8

É em Deus que podemos encontrar real segurança. Falamos, então, da fé sugerida no Salmo 127: “Se não for o Senhor o construtor da casa, será inútil trabalhar na construção. Se não é o Senhor que vigia a cidade, será inútil a sentinela montar guarda.Será inútil levantar cedo e dormir tarde, trabalhando arduamente por alimento. O Senhor concede o sono àqueles a quem ama.” (Sl.127.1-2). A Bíblia sempre nos traz um confronto entre a segurança artificial e a segurança espiritual.

Se você quer sentir-se em segurança verdadeira, então, “confie no Senhor de todo o seu coração e não se apóie em seu próprio entendimento; reconheça o Senhor em todos os seus caminhos, e ele endireitará as suas veredas. Não seja sábio aos seus próprios olhos; tema ao Senhor e evite o mal. Isso lhe dará saúde ao corpo e vigor aos ossos.” Pv.3.5-8

Isso, sim, é segurança! O resto? É cosmético.

ELE ME AMOU PRIMEIRO

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Paulo Zifum

Era uma vez um rapaz que gostava de uma moça muito bela, tavez, a mais bela da faculdade. Porém, essa afeição era muito improvável. O rapaz não tinha nenhum dote de beleza e vinha de uma família muito pobre. Mas, mesmo assim, tentou aproximar-se da moça, que, de modo gentil, disse a ele não ser possível cultivar amizade para um amor.

O rapaz, ao invés de afastar-se, continuou nutrindo um raro carinho pela bela moça, e fazia diversos benefícios secretos a ela. Pequenos presentes de admirador anônimo chegavam e ela jamais desconfiava.

Certo dia a moça, em apuros financeiros, foi chamada no jurídico da faculdade. Ela devia um ano de mensalidades e sabia que seria expulsa do campus. Mas, para sua surpresa recebeu a notícia de que suas dívidas estavam pagas. Insistiu em saber como, mas alegaram ser um benefício interno não divulgado. Disseram também que, ela receberia uma bolsa integral para terminar seu último ano de curso.

Próximo à formatura, ela foi até a direção da faculdade e solicitou à quem deveria dirigir uma carta de agradecimento pelo benefício recebido. Quando deram a ela um nome e endereço escrito no papel, saiu pelo corredor tentando assimilar, porque nao conhecia ninguém com aquele nome, nem amigos nem familiares. Voltou à secretaria e perguntou quem era a pessoa descrita. A funcionária sorriu e disse:

-Esse era nosso segredo. Você lembra de seu amigo de classe que abandonou o curso no ano passado? Então… ele veio aqui na direção dizendo que queria assumir sua dívida. Ele arrumou um segundo emprego à noite para pagar o acordo das parcelas atrasadas e, todo mês, pagou sua mensalidade desse ano para você se formar. E ainda deixou pagas as taxas de formatura.

A moça começou a chorar. Sem dizer nada, saiu e sentou-se no banco da praça do campus. Um filme passou em sua mente, pensando em seu admirador anônimo. Pensou: como ele poderia fazer isso, mesmo sabendo que eu tinha começado namorar outro rapaz há meses? Como ele pôde sacrificar seu sonho de se formar para dar isso a mim? Ficou atordoada e não conseguiu enviar a carta de agradecimento.

No dia da formatura, ela esperava que ele aparecesse. Estava tão nervosa que não conseguia formular palavras de agradecimento. Mas, não precisou, pois ele não compareceu, nem mesmo para cumprimentar seus outros amigos de turma.

E o tempo passou. E a moça comparava tudo àquele amor incondicional. Ela, sem saber o porquê, resolveu terminar o namoro. Arrumou o cabelo e foi insegura até aquele endereço. Mas, infelizmente descobriu que era uma república de estudantes e o rapaz não estava mais lá.

Dalí pra frente, começou a busca.

*só ouvindo a canção abaixo para entender a razão desse texto.

 

 

 

PRECISO de PAZ

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Paulo Zifum

Fico sem paz vez em quando. Deus me perdoe. Dentro em mim se forma uma mistura de pressa e medo. Tenho vontade de fazer tudo dar certo e isso é bom, mas quando tudo depende de mim sinto receio e, quando dependo dos outros, deixam-me inseguro.

Às vezes, viver é como subir num palco com dor de barriga. Às vezes, é como enfrentar uma guerra com pouca munição ou como ter uma enfermidade que não tem remédio.

DE FRENTE PRO CRIME

de frente

Paulo Zifum

Sexta-feira de manhã, uma multidão de gente desocupada queria sujar as mãos pedindo a morte de Jesus. Pilatos, político, não queria, mas pela pressão popular manda executar Jesus e depois lava as mãos. Mas, a água não limpa o coração. Naquela sexta, estavam todos diante do crime, mas, para a maioria, a cena era só mais uma execução de alguém que vacilou diante da milícia romana.

João Bosco, cantor brasileiro, fez um samba intitulado De frente pro crime no qual retrata de modo eficaz como podemos nos acostumar com o crime e continuar nossas vidas sem sentir culpa. Veja a letra:

Tá lá o corpo estendido no chão
Em vez de rosto, uma foto de um gol
Em vez de reza, uma praga de alguém
E um silêncio servindo de amém…
O bar mais perto depressa lotou
Malandro junto com trabalhador
Um homem subiu na mesa do bar
E fez discurso pra vereador…
Veio o camelô vender anel,
cordão, perfume barato
Baiana pra fazer pastel
e um bom churrasco de gato
Quatro horas da manhã
baixou o santo na porta-bandeira
E a moçada resolveu parar, e então…
Tá lá o corpo estendido no chão
Em vez de rosto, uma foto de um gol
Em vez de reza, uma praga de alguém
E um silêncio servindo de amém…
Sem pressa foi cada um pro seu lado
Pensando numa mulher ou no time
Olhei o corpo no chão e fechei
Minha janela de frente pro crime.

 

Penso em Pilatos e naquela multidão que participou da morte do Senhor. Penso nas pessoas hoje que, ao ouvirem que Jesus morreu na Cruz, nada sentem. Todos, mesmo sabendo que houve uma morte, “tá la o corpo estendido na Cruz”, continuam suas vidas.

Imagino que muitos pensaram que Jesus se envolveu em algum crime, ou em todos os crimes que o acusavam. E como todos sabem, uma vez acusado, a maioria já acha culpado. E a atitude de fechar a janela de frente pro crime foi natural naquela capital impenitente. Jerusalém tinha fama de passar por cima do amor ofertado. Cidade violenta.

Vivemos num mundo semelhante, que ignora o sagrado e despreza a Paixão. E o camelô consegue vender ovos de chocolate fazendo da Páscoa apenas “um corpo estendido no chão”. O feriado religioso enche a mesa de cerveja juntando malandro com trabalhador. E ninguém quer saber de tristeza.

Eu e você estamos então, de frente pro crime. E nesse momento Deus nos vê. Ele sabe quem considera importante a morte de seu Filho. Sabe quem sente a culpa ao ouvir que o corpo de Jesus foi brutalmente morto pelos pecados de todos nós.

Abro minha janela e vejo a Cruz. Paro tudo e penso em meus crimes: Ele morreu por mim!

 

EXISTE LIBERDADE!

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Paulo Zifum

Liberdade implica em desigualdade. Os que desejam igualdade devem saber sacrificar a liberdade. E assim, as escolhas seguem acirradas. Aquele que deseja justiça deve se submeter às leis criadas por pessoas. Mas, ao ressentir-se de alguma lei, a quem recorrerá por liberdade? Os que desejam liberdade devem abrir mão de algum conceito de igualdade, e, isso é perigoso para os termos humanos de justiça.

Os que desejam liberdade, igualdade e justiça são constantemente frustrados por ser impossível equilibrar esses conceitos. A História recente nos conta o quanto nós polarizamos as ditaduras do comunismo e capitalismo, tornando antagônicos os desejos de liberdade, igualdade e justiça.

A única saída para nossos movimentos pendulares entre o bem e o mau, é aceitarmos o conceito bíblico de que existe um soberano sobre o mundo, e que este, é totalmente livre para administrar tudo. Jó desenvolveu esse conceito na teoria e o consolidou na prática, logo depois de sofrer perdas incalculáveis e ter sua vida mutilada. Ele disse: “Deus deu, Deus tomou. Ele continua sendo bom e justo. Tenho recebido o bem de Deus, não receberia também o mal?” (Jó 1.21 -2.10).

Pessoas que tem um conceito correto de Deus, são as mais capacitadas para compreender a vida em suas contingências. Jó, segundo o texto de sua história, era um homem que lutava pela justiça e igualdade, que libertava pessoas da opressão, porém,  não se vitimizou quando foi atingido por uma “injustiça” e quando teve sua liberdade decepada. Para ele, Deus está acima de qualquer julgamento humano. Entendia que Deus é livre e isso implica que não tratará a todos de modo igualitário. Jó acreditava que permitir que uma pessoa boa sofra e dar prosperidade para um homem mau não torna Deus injusto.

Para ateus, esse raciocínio é um absurdo e escandalosamente escapista*. A defesa de um Deus pessoal e soberano é odiosa para intelectuais que voam “livres” de ideias teístas. Mas, a rejeição da fé em Deus cria um universo que relativiza a moral e, essa é a razão pela qual a humanidade é incapaz de ser livre, igualitária e justa (se alguém duvida disso, basta olhar as manchetes diárias ou estudar sobre as riquezas das nações).

Rejeitando ideias ardilosas e sofistas, a fé cristã defende que Deus é o único que pode sustentar nossa vida num mundo sem sentido. E, temos, não apenas em Jó, mas em vários testemunhos de cristãos hoje, a possibilidade de se viver acima do pensamento linear. Mesmo que tudo pareça desigual e injusto, é possível acessar uma outra liberdade. Jó a acessou a partir da verdade sobre Deus, segundo o que foi dito: “conhecereis a verdade e a verdade vos libertará” (Jo.8.32), e, talvez, seja por isso que o próprio Jó disse: “eu sei que meu Redentor vive, e que no fim se levantará para me defender e vindicar ainda que eu esteja no pó do meu túmulo” (Jó.19.25). Os cristãos sabem quem é a Verdade e o Redentor, no qual firmam a garantia de real liberdade (Rm.8.21).

*Nota: Os cristãos são escapistas e vivem numa religião onde Deus está sempre certo: Para os que pensam assim, é melhor mesmo, nadarem numa piscininha rasa com bóia. Porém, os mergulhadores acreditam que Jó considerava que tudo que temos e somos nos foi doado e, o doador tem o direito de tomar de volta. Essa é uma noção de justiça mais profunda, baseada num criador pessoal, e que faz sentido num mundo que não pode ser  sustentado pelo acaso.

agostinho

MAU-HUMOR final

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Paulo Zifum

Era uma vez um pai que tinha dois filhos. O mais novo era maluquinho e o mais velho era certinho. E aconteceu o que era de se esperar: o mais novo resolve sair de casa e pede ao pai uma boa grana. O pai, que amava muito, financiou o sonho do moleque, mesmo sabendo do risco, porque quem ama se arrisca. E assim, saiu o jovem para sua aventura, dizendo: “não se preocupem, voltarei rico e vocês ficarão orgulhosos de mim”.

Só que, o composto: dinheiro na mão e  tendência imoral unida às más companhias levou aquele filho à miséria. A notícia do estado dele correu pelas redes sociais: “filho de fulano, grande empresário, foi visto mendigando pela cidade”. A família ficou sabendo de tudo com tristeza.

Quando ele se viu desesperado, resolveu voltar para casa e pedir ao pai um emprego e uma pousada num dos alojamentos de funcionários. E para sua grande surpresa, ao voltar, o pai o recebeu com amor, fazendo uma grande festa de perdão.

O filho mais velho havia viajado para cuidar dos negócios e nada sabia do ocorrido. Quando chegou, tomou ciência: seu irmão não recebera nenhuma penitência. Pelo contrário, foi recebido como se não tivesse feito nada. Aquilo azedou seu coração. E tanto, que não quis entrar em casa. Ficou do lado de fora muito aborrrecido.

O pai, sabendo dessa revolta, foi explicar ao filho mais velho o que se passava em seu coração de pai, mas, descobriu o que se passava no coração daquele filho, que disse: “Não vejo justiça e não vejo coerência em fazer festa para alguém que não merece. Esperava punição. Eu tenho sido fiel, trabalho dobrado e o que recebo, um sanduíche de “muito obrigado”? Pai, o Senhor não festeja minha vida”.

(paráfrase de Lc.15)

Aplicação moral da história: Pessoas mau-humoradas não perdoam e são incapazes de se alegrar com o outro que se dá bem. Pessoas mau-humoradas são as mais carentes e fazem as coisas esperando reconhecimento. Pessoas mau-humoradas näo entram na festa do perdão, e, consequentemente, não vão para o Céu.

Esperança para os azedos: Se você tem sido uma pessoa mau-humorada, mas deseja abondonar esse estilo de vida (ou morte), então faça algo bem simples descrito em 1Jo.1.9, depois siga a orientação de Tg.5.17, e, pronto.

*Foto: Não sei quem é o autor da pintura. A tela capta como a pessoa mau-humorada fica enquanto o amor está acontecendo.