REALIDADE ÚLTIMA

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Paulo Zifum

A Lei traz apenas uma sombra dos benefícios que hão de vir, e não a realidade dos mesmos.” Hb.10.1

Os judeus pensavam que a Lei Mosaica era um fim em si, o próprio propósito de Deus. A Lei era, de fato, superior aos povos ao redor em sua cosmovisão humanista, era superior em seu ordenamento jurídico e a mais acertada na eficácia da ordem social. Mas, era apenas a sombra da Caverna de Platão.

Os judeus achavam que a sombra era a realidade e não sabiam que ela apontava para a realidade última. Deus estava se movendo na direção dos homens e a Lei era sua sombra. Quando Jesus veio ao mundo, trouxe a realidade, e mostrou que tudo apontava para Ele.

Aplicando isso a pequenas relações de nossas vidas, podemos dizer que somos tutoreados por leis e regras que deveriam nos conduzir para a maturidade. Por exemplo, um radar de velocidade num determinado local nos deveria ensinar que existem razões para não correr. Essas razões estão relacionadas à finitude de nossa vida e também ao combate à compulsão de fazermos tudo correndo. A maioria das pessoas que levam multas não estavam em missão de socorro. O radar é uma sombra que seria totalmente dispensada se os homens percebessem que não precisam correr.

Alguns filhos que reclamavam da sombra da tutela dos pais bons e firmes, depois que entram para a realidade da vida, notam que foram disciplinados para o bem.

O amor efusivo de um jovem casal pode ser apenas uma sombra do amor encorpado e sacrificial que está para se manifestar. Muitos casamentos experimentam, depois de anos, que o verdadeiro propósito do casamento é colaborar para redenção um do outro.

Muitas coisas no mundo podem ser explicadas pela metáfora da “sombra”. E nós, pequenos filósofos que imaginamos que “há muito mais entre o céu e a terra”, podemos afirmar que nem tudo que vemos, sentimos e cremos é de fato a realidade, mas sim algo que nos orienta para ela.

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