ENTULHARAM OS POÇOS

Paulo Zifum

Enriqueceu-se o homem, prosperou, ficou riquíssimo;
possuía ovelhas e bois e grande número de servos, de maneira que os filisteus lhe tinham inveja. E, por isso, lhe entulharam todos os poços que os servos de seu pai haviam cavado, nos dias de Abraão, enchendo-os de terra.

Gênesis 26:13-15

Entulhar um poço é sinônimo de sabotar, é uma declaração de inimizade e intenção de impedir o progresso do outro. Em guerra, uma das estratégias é destruir todas as fontes de provisão para que o inimigo se enfraqueça. Num mundo onde o poder é um tipo de segurança sem Deus, qualquer pessoa que aumenta seu poder torna-se uma ameaça.

Aplicação: Os inimigos de Deus não podem impedir o destino dos eleitos, mas podem sabotar diversos pontos. Deus mesmo, ao conduzir seus filhos em peregrinação nesse mundo, permite que os inimigos os atinjam. Satanás, nosso adversário, move no mundo o ódio contra os justos porque não quer que o dominem. O ímpio não vê o justo com bons olhos. Então, entulhar os poços com ameaças, difamação, calúnia e todo tipo de perseguição, é o modo de neutraliza-lo.

O ADULTÉRIO

Paulo Zifum

Não importa a cultura ou religião, em condições sociais normais, o adultério é um delito grave. Pessoas casadas falam de amor, amor invoca fidelidade e exclusividade. O casamento segundo a Bíblia é heterossexual, monogâmico, exclusivo e indissolúvel.

Mas, o pecado corrompeu as relações em todos os níveis, trazendo a homossexualidade, a poligamia, o adultério e o divórcio. Após a queda a honra deixa de ser o que os homens buscam ver no espelho e o prazer assume o comando. A sensualidade se desassocia da racionalidade e o moral sexual passa a ser anti-natural.

Deus criou o sexo para reprodução. Porém, no sexto dia, ao criar o homem e a mulher, cria o conceito do prazer além da reprodução. E como o ser humano é um ser moral, diferente dos animais, o prazer pode ser legítimo ou não.

Temos, na Bíblia, o registro de culturas primitivas onde encontramos o conceito de  prazer legítimo. Esses registros estão narrados em dois incidentes com Abraão no Egito e em Gerar (Gn.12 e 20). Mas destaco aqui um com Isaque em Gerar:

“Assim Isaque ficou em Gerar.
Quando os homens do lugar lhe perguntaram sobre a sua mulher, ele disse: “Ela é minha irmã”. Teve medo de dizer que era sua mulher, pois pensou: “Os homens deste lugar podem matar-me por causa de Rebeca, por ser ela tão bonita”.
Isaque estava em Gerar já fazia muito tempo. Certo dia, Abimeleque, rei dos filisteus, estava olhando do alto de uma janela quando viu Isaque acariciando Rebeca, sua mulher.
Então Abimeleque chamou Isaque e lhe disse: “Na verdade ela é tua mulher! Por que me disseste que ela era tua irmã? ” Isaque respondeu: “Porque pensei que eu poderia ser morto por causa dela”.
Então disse Abimeleque: “Tens ideia do que nos fizeste? Qualquer homem bem poderia ter-se deitado com tua mulher, e terias trazido culpa sobre nós”.
E Abimeleque ordenou a todo o povo: “Quem tocar neste homem ou em sua mulher certamente morrerá! ”

Gênesis 26:6-11

O prazer dentro do casamento é legítimo, fora é pecado. Essa moral parece óbvia na maioria das culturas. O adultério é um pecado destacado entre os dez mandamentos, e entre os cinco últimos, parece ser o mais danoso socialmente porque envolve desonra,  falsidade,  furto, cobiça e ameaça matar o relacionamento.

 

A ÓRBITA DO PENSAMENTO

Paulo Zifum

Em física, órbita é a trajetória que um corpo percorre ao redor de outro sob a influência de alguma força (normalmente gravítica). Existem leis estabelecidas pelo Criador que determinam a órbita de astros, asteroides, cometas e outros objetos.

Os seres humanos orbitam em relacionamentos, lugares e pensamentos, sendo que alguns nascem e morrem na mesma órbita. Se há felicidade e realização, não há porque sair da órbita.

Gênesis 3 narra como Adão e Eva saíram da órbita em que foram colocados (por escolha e expulsão). Depois desse dia, a humanidade inquieta-se onde está, engana-se e desvia-se da rota, às vezes em busca do que já tem, às vezes para rebelar-se contra leis estabelecidas.

A verdade é que tudo orbita em torno de Deus, sendo determinado por Ele qual a distância e movimento de cada vida. Deus é como o sol (verdade) e sob sua luz (graça) todos os homens orbitam. E não há como fugir dele, sendo o discurso de negá-lo apenas um discurso. A realidade é que todos orbitam em sua misericórdia.

Porém, é possível que os homens criem para si um pequeno mundo de costas para Deus. A idolatria leva o pensamento a orbitar em torno de coisas menores. A beleza, a fama e o  poder (falsos deuses) possuem força de atração que criam órbitas onde milhões de pessoas se escravizam. Embora todos vivam no mundo de Deus, a maioria prefere os fragmentos em vez de se voltarem para o inteiro.

Quando Jesus (o inteiro) veio ao mundo , ele atraía multidões que desejavam orbitar à sua volta. Tudo em Jesus era superior, mas muitos não puderam discernir. Entre seus seguidores, o caso mais emblemático é o de Marta: 

E aconteceu que, indo eles de caminho, entrou numa aldeia; e certa mulher, por nome Marta, o recebeu em sua casa. E tinha esta uma irmã, chamada Maria, a qual, assentando-se também aos pés de Jesus, ouvia a sua palavra. Marta, porém, andava distraída em muitos serviços e, aproximando-se, disse: Senhor, não te importas que minha irmã me deixe servir só? Dize-lhe, pois, que me ajude. E, respondendo Jesus, disse-lhe: Marta, Marta, estás ansiosa e afadigada com muitas coisas, mas uma só é necessária; e Maria escolheu a boa parte, a qual não lhe será tirada.” (Lc.10.38-42). 

É possível passarmos toda nossa vida orbitando em torno de coisas inferiores. É possível nossos pensamentos, desejos e sonhos estarem em torno dos fragmentos do pecado, dos vícios e vaidades. Mas, podemos ouvir a voz que nos chama:

Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para a vossa alma. Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve” (Mt.11.28-30).

Quanto mais perto do Senhor, mais nossa vida encontrará sentido e felicidade. E cada volta é coisa nova num progresso de revelação que exclui qualquer monotonia. Em Cristo temos uma vida superior de pensamentos elevados e vida plena de significado.

SOU ÍNTEGRO

Paulo Zifum

“Ele é a única virgem do bordel”  fala de Lucius sobre o Senador Bocalon.

O cristão vive num mundo caído em mentiras e imoralidade. As pessoas evitam tratar de temas como integridade e preferem assuntos como liberdade e relatividade.

Mas, no Salmo 17 e 18 há um desafio para o cristão: a corajosa declaração de integridade. O desafio pede um extenuante exercício de autocrítica: “provas-me pelo fogo e iniquidade nenhuma encontras em mim” (Sl.17.3). E invoca:  “retribui-me conforme a minha justiça, conforme a pureza de minhas mãos, na tua presença” (Sl.18.24).

Esse exercício o próprio Senhor nos ensinou na oração: “perdoa nossas ofensas assim como temos perdoado a quem nos tem ofendido”. Os espiritualmente íntegros tem coragem de falar certas coisas para Deus.

Você conseguiria?

DESPREZANDO O QUE SE TEM

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Paulo Zifum

Foi assim que Esaú desprezou o seu direito de primogenitura” Gn.25.34

Foi assim.
Milhares de pessoas todos os dias, por pouco e por nada, entregam bens, honra e relacionamentos. Por uma necessidade imediata, por uma convicção duvidosa, por prazer ou por orgulho, muita gente joga fora o bem maior que é a benção de Deus.

Trocar a confiança dos pais pelo sorriso de um amigo é esautesco. Mentir para o cônjuge para não criar desconforto é esautismo. Não pedir permissão por pressa do prazer é ser como Esaú.

O direito de primogenitura pode ser comparado às bençãos que Deus reserva a cada de nós por nascimento. Essas bençãos garantem dádivas no futuro onde a alma terá prosperidade e paz. E essas garantias podem ser perdidas se não forem protegidas. É dever de cada um cuidar da saúde, dos recursos e das relações de afeto. Um bom nome precisa ser cultivado e protegido das más conversações e más companhias. Quantos perdem tudo por uma saída de lazer ou constantes extravagâncias? Quantos pais perdem o respeito dos filhos por negligências diárias, quantos filhos perdem a bençãos de seus pais por preguiça e rebeldia.

Todos os dias um mundo de ofertas chegam, um mundo de trocas nos assediam, um mundo de facilidades nos tentam. Jesus nos deu exemplo de que precisamos treinar o “não” (Mt.4). Esaú deveria ter dito que “nem só de pão viverá o homem”, mas reduziu sua vida a um prato de lentilhas.

Pois a quem tem, mais será dado, e terá em grande quantidade. Mas a quem não tem, até o que tem lhe será tirado” Mt.25.29

“Eis que venho sem demora; guarda o que tens, para que ninguém tome a tua coroa.” Ap.3.11

*Foto: Cazuza foi um poeta e cantor brasileiro.

AO ACORDAR, APROXIME-SE!

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Paulo Zifum

“Eu acredito no Cristianismo como acredito no brilho do sol, não porque o vejo, mas porque, através dele, posso ver todas as outras coisas” (C.S.Lewis)

A coisa mais importante para mim ao acordar não é tomar um café e lançar-me em comunicação com o mundo por meio de leituras, conversas e tarefas. O que eu mais preciso é aproximar-me de Deus.

É por meio dele que “posso ver todas as coisas”. É em meu afeto com ele que posso sentir, de modo equilibrado, o mundo ao meu redor. Ele me concede o melhor juízo de valor para organizar minha agenda e também me ajuda a ser simples e eficaz. Com ele sou capaz de administrar o caos. Perto dele, quando fracassar, saberei o que fazer. Se eu fizer uma pequena oração primordial, primeira antes de tudo, subirei acima dos comuns. Se mostrar para Deus um mínimo de humildade em escutá-lo, eu prosperarei, sobrenaturalmente e paradoxalmente.

 

A FENDA PARA O OUTRO LADO

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Paulo Zifum

Desconhecemos a vida em outra dimensão. Os cristãos se esforçam para “pensar nas coisas lá do alto” (Cl.3.2), acenam para a pátria superior (Hb..11.16), mas ainda estão apegados às realidades dessa vida. A maioria vive dividida, senão, muito desatenta quanto ao mundo vindouro.

Quando Jesus, cujo “reino não é deste mundo” (Jo.18.36), declarou ao discípulos que eles, também, não pertenciam a esse mundo (Jo.15.19, 17.16), ele estava indicando a realidade de outro dimensão (além do que esses olhos podem ver).

Há um mundo outro, uma realidade superior que os astronautas desconhecem (porque o o que podem explorar é só o quintal desse mundo físico). Há um mundo espiritual que rege o mundo físico. Jesus ensinou sobre isso, mas interpelou: “Vocês são daqui de baixo; eu sou lá de cima. Vocês são deste mundo; eu não sou deste mundo. Por que a minha linguagem não é clara para vocês? Porque são incapazes de ouvir o que eu digo” (Jo.8.23 e 43).

Deus tem “ocultado estas coisas aos sábios e entendidos, e as revelado aos pequeninos” (Mt.11:25). Ele tem aberto fendas para que os eleitos enxerguem a realidade, a verdade que liberta da lógica desta vida (viver aqui o melhor possível, custe o que custar). Essas fendas podem ocorrer enquanto a alma sincera busca por Deus e o significado da vida (Jr.29.13), mas também a fenda é rasgada em ocasiões mais dramáticas.

Deus permite o mal para nos chamar atenção de que a vida vai além da segurança e bem-estar desta. Deus permite acidentes e enfermidades para nos “desmamar” (expressão usada pelo Dr.Russel Shedd). Alguns, sensível dizem: “o Senhor me chama”. 

Porém, a instabilidade que rasga nosso céu de planos para essa vida nem sempre vem para os interromper. Muitas vezes, apenas ocorrem para nos lembrar de que não devemos nos apegar, pois somos peregrinos com destino para outra vida. Por vezes, a fenda é um susto bom para nos alinhar ao propósito de nossa missão aqui.

O rei Ezequias viu essa fenda quando foi atingido por uma enfermidade mortal. Deus avisou para ele “colocar em ordem sua casa” por iria partir. Porém, Ezequias chorou muito pedindo mais tempo, e Deus concedeu. Infelizmente, os quinze anos a mais que ganhou foram marcados por vaidade e um fracasso terrível na educação de seu sucessor, seu filho Manassés (Is.38-39; 2Cr.33). Nem todos entendem os sinais.

Jó, que via uma fenda desta vida, depois de dizer “nu vim para este mundo, nu voltarei”, foi acometido de uma grave e humilhante enfermidade, e foi diante dessa que ele afirmou: “aceito o bem dado por Deus, mas, também, aceito o mal vindo dele” (Jó 2.10). Parece que Jó via muito mais que seus contemporâneos.

Por isso, Paulo nos exorta:

“Desperta, ó tu que dormes, levanta-te dentre os mortos e Cristo resplandecerá sobre ti”.
Tenham cuidado com a maneira como vocês vivem; que não seja como insensatos, mas como sábios, aproveitando ao máximo cada oportunidade, porque os dias são maus.
Portanto, não sejam insensatos, mas procurem compreender qual é a vontade do Senhor”. (Ef.5.14-17).

As fendas que surgem quando não estamos buscando, como intervenções de Deus, nos ajudam a despertar. Por mais difícil que sejam as privações, enfermidades ou perdas, Cristo nos faz ver o paraíso, mesmo que não seja nossa hora.

*a voz de um profeta de nosso tempo: http://www.monergismo.com/textos/sofrimento/desperdice_cancer_piper.htm