SUA PEQUENA JERUSALÉM

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Paulo Zifum

O Senhor edifica a Jerusalém, congrega os dispersos de Israel. Sara os quebrantados de coração, e lhes ata as suas feridas.  Salmo 147.2-3

A Igreja local é uma Jerusalém particular onde Deus nos congrega. Nós “andávamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo caminho” (Is.53.6), ma Ele providenciou uma comunidade que nos acolhesse.

Muitos confirmam que, desde que passaram pelas portas dessa “pequena jerusalém”, tiveram seus corações sarados e suas feridas tratadas. A Igreja é uma comunidade terapêutica, é um lugar de restauração da dignidade perdida pelo pecado.

Segundo o Salmo 147, a Igreja não é um lugar que o homem organiza e sustenta. Jerusalém é mantida pelo Senhor que “fortalece os ferrolhos de suas portas; abençoa seus filhos dentro dela”.

E como o Senhor faz tudo isso? Por meio de sua Palavra:

“Envia o seu mandamento à terra; a sua palavra corre velozmente. Mostra a sua palavra a Jacó, os seus estatutos e os seus juízos a Israel.”

Deus sustenta a Igreja por meio da Bíblia. É através da Escritura que os corações são sarados, que os dispersos se voltam, que a instituição permanece forte e a benção é garantida. Tudo isso por meio da Palavra pregada e praticada na comunidade da fé.

Cada “pequena jerusalém” espalhada nesse mundo, tenha ela templo ou não, é um lugar especial onde Deus reúne seu povo. Ele é quem congrega, ordena os corações e direciona os passos. Ele é quem “mostra a sua palavra” e organiza a Igreja na sã doutrina.

Há “invasões” na “jerusalém local”? Sim. A Igreja pode tolerar heresias em seu meio, pode deixar sua pureza doutrinária, como ocorreu com Éfeso que aceitou “Jezabel, aquela mulher que se diz profetisa, porém, com seus ensinos induz os meus servos à imoralidade sexual e a comerem alimentos sacrificados aos ídolos” (Ap.2.20). Algumas Igrejas sofrem com a má gestão de pastores que “apascentam a si mesmos” (Jd.1.12).

Mas, feliz a “pequena jerusalém” que tem bons pastores, composta de homens e mulheres submissos à Escritura. Dentro de seus muros haverá paz e suas festas cheias de vivas de júbilo.

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BRECHAS QUE DAMOS

Sem títuloPaulo Zifum

Existem coisas sobre as quais não tenho nenhum controle. Minha anatomia caída impõe condição que exige constante cuidado. São as brechas que tenho. Porém, eu posso piorar muito as coisas com as brechas que dou.

Leia a história no link abaixo e preste atenção em Geazi:

https://www.bibliaonline.com.br/nvi/2rs/5

Note que Eliseu toma cuidado de não aceitar os presentes. Geazi estava em treinamento para ser um profeta. Ora, os profetas viviam exatamente  de ofertas e Naamã oferecia uma significativa ajuda. Geazi não compreendeu a lição que seu mestre estava dando.

A Casa de Profetas recebia vários discípulos que deixavam tudo para viver pela fé. Eram estimulados a orar e a confiar em Deus. Privações e perigos provavam os alunos, e, por vezes, o profeta poderia ser o maior desafio para eles.

Geazi talvez tenha considerado uma grande negligência o fato de Eliseu não aceitar aquela considerável oferta financeira para a escola. E pensando em si, o pobre rapaz resolve abandonar seu treinamento de viver pela fé.

Bem, ele não pensava em deixar a escola. Sua mentira, como a maioria delas, contava com a possibilidade de que ninguém pudesse descobrir.

Damos brechas em nossas vidas com planos irracionais, com comportamentos irrefletidos. Isso ocorre quando absolutizamos algo que não é Deus. Quando nosso coração idolatra algo ou alguém, agimos de forma insensata. É como abrir um furo na represa supondo controlar uma nova comporta de poder ou prazer.

Nem imaginamos que o pecado pode nos levar mais longe que pensávamos, cobrando um preço muito mais alto que o planejado.

O fim da história daquele discípulo é semelhante a de milhares de homens que perdem suas famílias, empregos e reputação. Uma olhada proibida, depois uma conversa comprometedora, depois um encontro envolvente. Um gole, depois uma desculpa para continuar, depois um costume relaxante. Uma explicação mal dada, depois uma pequena mentira para não desfazer a história, depois uma vida de farsa. 

Note que o problema de Geazi não estava na fraqueza de pedir para si um pouco de prata e uma roupa. Provavelmente Eliseu seria compassivo se fosse apenas uma atitude de oportunismo, mas foi uma mentira seguida de reafirmação. Geazi abandonou totalmente seu treinamento.

Uma coisa é trair a confiança, outra é simular que nada aconteceu. Uma coisa é roubar, outra é queimar arquivos. Podemos ouvir um elogio indevido e gostar, mas devemos falar a verdade e reconhecer direitos autorais.

Brechas já temos, porém, podemos aumentar, causar outras.

Quem se dedica a fechar suas próprias rachaduras, fazendo suas confissões e tratamentos, dificilmente seguirá os passos de Geazi.

BRECHAS QUE TEMOS

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Paulo Zifum

O que há de ruim represado em nós? Quisera eu ser só bondade e não precisar segurar nenhuma pressão de egoísmo, impaciência ou de raiva. Mas, eu contenho. Em paredes morais de educação, senso de coletividade e de justiça, cerco minha vontade.

Tenho rachaduras por toda a extensão. Sinto a umidade de meus pensamentos. Brechas de contrariedade, incoerência e devaneios.

Por vezes…

“tive inveja dos arrogantes quando vi a prosperidade dos ímpios. Estão livres dos fardos de todos; não são atingidos por doenças como os outros homens. Assim são os ímpios; sempre despreocupados, aumentam suas riquezas. Certamente foi-me inútil manter puro o coração e lavar as mãos na inocência, pois o dia inteiro sou afligido, e todas as manhãs sou castigado”. Salmo 73:3-14

Como seria bom viver sem pressão, sem muros, dizendo: não tenho rachaduras! Mas, todo homem de consciência olha para suas paredes e teme. Todos sustentam papéis sociais e percebem o risco das brechas.

E ouvimos aqui e ali que uma barreira caiu, um divórcio, uma amizade que se desfez, uma reputação que ruiu. Uma pequena e discreta brecha pode tornar-se escandalosa. E depois que tudo vai ao chão, um vazio enche a alma. Não há alívio depois do pecado. Há prejuízo e morte.

Os desastres alertam: Reparem as rachaduras! Reforcem os arrimos!

Mas, não temos tempo para orar. Aturdidos com tarefas e demandas, não conseguimos conversar com um filho. Casais não acham os vazamentos que tornam as brigas tão frequentes. E os pensamentos de ansiedade ameaçam a paz.

Desde Adão, há uma rachadura em tudo. A única solução é clamar pelo Salvador e pedir ao Espírito Santo que nos ajude a fechar uma brecha de cada vez.

ATÉ O FIM

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Paulo Zifum

tendo os olhos fitos em Jesus, autor e consumador da nossa fé. Ele, pela alegria que lhe fora proposta, suportou a cruz, desprezando a vergonha, e assentou-se à direita do trono de Deus. Pensem bem naquele que suportou tal oposição dos pecadores contra si mesmo, para que vocês não se cansem nem se desanimem. Na luta contra o pecado, vocês ainda não resistiram até o ponto de derramar o próprio sangue.” Hebreus 12.2-4

Até o fim. Não o fim da vida biológica, mas até as últimas consequências.

Um casamento (forma) pode durar até o velório, mas as promessas de amor e fidelidade (essência), não. Filhos abandonam a honra aos pais se ficarem muito ofendidos. Empenhar a palavra pode ser apenas um contrato a ser mantido enquanto houver vantagem. Nem todos estão dispostos ir até o fim, haja o que houver, custe o que custar.

Existem dois tipos de cristianismo: o de alto custo e o de baixo custo. Baixo custo é quando a fé nasce em ambiente favorável e sem grandes oposições. Alto é quando a conversão exige abrir mão de reputação, pessoas e segurança. O custo do discipulado se dá no “caminho rumo à Cruz”. Quanto mais perto da Cruz, mais alto o preço.

O cristianismo de baixo custo pode ser fiel. Um cristão que nunca foi perseguido pode dizer: “combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé” (2Tm.4.7), tendo vivido uma vida relativamente confortável. Um fim onde “será salvo como alguém que escapa através do fogo” (1Co.3.15).

O cristão que resolve levar sua fé às últimas consequências sofrerá, pois “todos os que desejam viver piedosamente em Cristo Jesus serão perseguidos” (2Tm.3.12). Os que se que expõem a pregar “quer ouçam quer deixem de ouvir” (Ez.2.5) e “quer seja oportuno, quer não” (2Tm.4.2), serão desafiados a se calarem.

Quando disseram a Pedro que ele não podia continuar, respondeu: “Julguem os senhores mesmos se é justo aos olhos de Deus obedecer aos senhores e não a Deus. Pois não podemos deixar de falar do que vimos e ouvimos” (At.4.19-20).

A Bíblia conta muitas histórias de pessoas que pagaram alto preço para seguirem até o fim. E para cada cristão Deus tem um curso de vida. Ele escolhe alguns e diz: “este é meu instrumento escolhido para levar o meu nome perante os gentios e seus reis, e perante o povo de Israel. Mostrarei a ele o quanto deve sofrer pelo meu nome” (At.9.15-16).

Na compreensão monergista, “é Deus quem efetua em vocês tanto o querer quanto o realizar, de acordo com a boa vontade dele” (Fp.2.13). Ele tece a trama das “cores alegres e tristes” e também garante o sucesso final do tapete.

Então, qual é a minha e sua participação? Podemos descansar no “piloto automático” da vocação?

A resposta está em compreender que “nos foi dado o privilégio de, não apenas crer em Cristo, mas também de sofrer por ele” (Fp.1.29). A palavra chave é “privilégio”. Ora, nem todos desfrutam tudo que lhes é oferecido em Cristo. Milhares de cristãos sorvem as alegrias do perdão, as delícias da comunhão, as maravilhas das revelações e doces esperanças da vida vindoura, sem, contudo conhecer os privilégios da identificação plena com Cristo.

Paulo disse: “Porque, sendo livre para com todos, fiz-me servo de todos para ganhar ainda mais. E fiz-me como judeu para os judeus, para ganhar os judeus; para os que estão debaixo da lei, como se estivesse debaixo da lei, para ganhar os que estão debaixo da lei. Para os que estão sem lei, como se estivesse sem lei (não estando sem lei para com Deus, mas debaixo da lei de Cristo), para ganhar os que estão sem lei. Fiz-me como fraco para os fracos, para ganhar os fracos. Fiz-me tudo para todos, para por todos os meios chegar a salvar alguns. E eu faço isto por causa do evangelho, para ser também participante dele.” (1co.9.19-23).

Logo, a expressão “até o fim” relacionada ao privilégio de identificar-se com o Senhor em seus sofrimentos, não ser pode usada por todos. A Graça levará a todos até o fim, porém o desfrute pleno do privilégio, nem todos chegarão. E lá, no Céu, descobriremos como desperdiçamos nossa salvação apenas chapinhando os dedos sem ir ao fundo.

AÇÃO E ORAÇÃO

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Paulo Zifum

enfrente os homens com as armas, mas com Deus, apenas ore

Abraão não pensou duas vezes para formar um exército e para contratar uma milícia com o fim de resgatar seu sobrinho Ló. Porém, quando Ló estava sob o risco de ser executado por Deus, Abraão faz diversas súplicas, pedindo clemência.

Gênesis 14 nos conta sobre a ação militar de Abraão. Gênesis 18 nos mostra outro tipo de ação cujas as armas são espirituais. Os dois capítulos nos ensinam que cada tipo de situação requer uma estratégia.

Quando o assunto é médico, econômico, judicial ou apenas diplomático, devemos agir de modo adequado ao contexto. Abraão deve ter passado a noite orando antes de sair para a guerra contra os rei Quedorlaomer. Mas, organizar um exército com armas exige cálculo, armas e provisões que levaram Abraão a contratar um grupo mercenário por garantia.

Se o assunto for um cuidado com a saúde, devemos ir ao hospital e buscar tratamento. Se for um empreendimento, precisa conselhos, dinheiro e coragem. Se o assunto for jurídico, consulte um advogado. Se há confusão e mal entendido, procure conciliação de modo humilde.

Agora, quando os médicos nada podem, os recursos não cobrem, o causa é perdida e o conflito insolúvel, então, devemos aprender a orar como Abraão.

Nos carvalhais de Manre, Abraão recebeu o próprio Deus (Gn.18). Foi ali que descobriu que seu sobrinho estava diante de um perigo maior. Uma coisa é ser ameaçado por homens, outro coisa é cair nas mãos de um deus irado. Abraão sabia que ninguém poderia resgatar a Ló e sua família. Nessa hora, Abraão inicia seu discurso:

“Abraão aproximou-se dele e disse: “Exterminarás o justo com o ímpio? E se houver cinqüenta justos na cidade? Ainda a destruirás e não pouparás o lugar por amor aos cinqüenta justos que nele estão? Longe de ti fazer tal coisa: matar o justo com o ímpio, tratando o justo e o ímpio da mesma maneira. Longe de ti! Não agirá com justiça o Juiz de toda a terra? ” Respondeu o Senhor: “Se eu encontrar cinqüenta justos em Sodoma, pouparei a cidade toda por amor a eles”. Mas Abraão tornou a falar: “Sei que já fui muito ousado a ponto de falar ao Senhor, eu que não passo de pó e cinza. Ainda assim pergunto: E se faltarem cinco para completar os cinqüenta justos? Destruirás a cidade por causa dos cinco? ” Disse ele: “Se encontrar ali quarenta e cinco, não a destruirei”.
“E se encontrares apenas quarenta? “, insistiu Abraão. Ele respondeu: “Por amor aos quarenta não a destruirei”. Então continuou ele: “Não te ires, Senhor, mas permite-me falar. E se apenas trinta forem encontrados ali? ” Ele respondeu: “Se encontrar trinta, não a destruirei”. Prosseguiu Abraão: “Agora que já fui tão ousado falando ao Senhor, pergunto: E se apenas vinte forem encontrados ali? ” Ele respondeu: “Por amor aos vinte não a destruirei”. Então Abraão disse ainda: “Não te ires, Senhor, mas permite-me falar só mais uma vez. E se apenas dez forem encontrados? ” Ele respondeu: “Por amor aos dez não a destruirei”. Tendo acabado de falar com Abraão, o Senhor partiu, e Abraão voltou para casa.” (Gn.18.22-33)

Note o esforço que Abraão empreende. Ele sabia que Sodoma tinha chegado no limite da maldade, mas, amava a Ló. Deus iria destruir a cidade inteira, mas a oração de Abraão poderia salvar toda a cidade. Abraão acreditava na clemência divina e recebeu um “sim”. Deus estava disposto a poupar a todos por amor a 10 justos. Abraão foi para casa aliviado, confiante de que pelo menos 10 pessoas boa existiam.

Bem, sabemos que a oração foi um sucesso. A decepção foi que em Sodoma não havia nem 2 justos. Pela narrativa do capítulo 19, apenas Ló tinha temor a Deus, nem a esposa e nem as filhas eram pessoas com noção da aliança com Deus.

A oração não falhou. Quando oramos observando os fundamentos da oração, como fez Moisés em Êxodo 32.11-14, podemos fazer toda a diferença na vida das pessoas. A ação objetiva, pragmática que move dinheiro e força física é o que se pede em algumas ocasiões. Mas, existem casos onde apenas a oração qualificada com argumentos corretos pode ser eficaz. Pois está escrito: “muito pode por sua eficácia a súplica do justo” (Tg.5.16).

 

DISCERNIR, JULGAR e SENTENCIAR

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Paulo Zifum

Discernimento precede o juízo. Quem julga precisa separar a coisas para não cometer injustiça. É preciso analisar o fato e a pessoa, sem misturar os dois, porque alguém pode cometer o pecado sem viver na prática dele. Uma coisa é detectar uma mentira outra é julgar um mentiroso. O discernimento exige que se considere contextos antes de julgar. O bom juízo é fruto de um bom discernimento.

A falta do bom discernimento causa preconceitos, que são os maus juízos, onde pessoas inocentes são condenadas ou pessoas culpadas são excessivamente punidas. Quando falhamos em considerar corretamente os fatos e palavras, corremos o risco de julgar antes do tempo ou com demasiado atrasado, produzindo injustiça. E tudo isso, pode ocorrer apenas no foro íntimo, dentro de cada um.

Mas, a maioria não consegue conter sua opinião consigo. As pessoas julgam com pronunciamento de sentença. Não apenas pensam, mas publicam. Ora, essa é uma das práticas que mais danificam a sociedade. Por isso, precisamos separar discernimento da sentença. Posso e devo julgar as coisas, mas, quando falo, quando emito juízo e sentença sobre o caso analisado, então posso sair do direito.

Jesus, Paulo e Tiago falam:

Não julguem, para que vocês não sejam julgados. Pois da mesma forma que julgarem, vocês serão julgados; e a medida que usarem, também será usada para medir vocês.” Mt.7.1-2

Portanto, não julguem nada antes da hora devida; esperem até que o Senhor venha. Ele trará à luz o que está oculto nas trevas e manifestará as intenções dos corações. Nessa ocasião, cada um receberá de Deus a sua aprovação.” 1Co.4.5

Irmãos, não falem mal uns dos outros. Quem fala contra o seu irmão ou julga o seu irmão, fala contra a Lei e a julga. Quando você julga a Lei, não a está cumprindo, mas está se colocando como juiz. Há apenas um Legislador e Juiz, aquele que pode salvar e destruir. Mas quem é você para julgar o seu próximo?” Tg.4.11-12

Se você notar, poderá perceber que a palavra “julgar” aqui está relacionada a emitir juízo sem a devida perícia e cuidado, sem a investidura, mas, principalmente sem amor. É por isso que é proibido esse julgar.

Um dos exemplos clássicos sobre colocar-se no devido lugar e evitar o juízo proibido encontra-se na misteriosa citação da carta de Judas: “Contudo, nem mesmo o arcanjo Miguel, quando estava disputando com o diabo acerca do corpo de Moisés, ousou fazer acusação injuriosa contra ele, mas disse: “O Senhor o repreenda! ” (Jd.1.9).

Em vez de emitir sentenças contra outros, Paulo orienta: “Não pagueis a ninguém o mal com o mal. Aplicai-vos a fazer o bem diante de todos os homens. Se for possível, quanto depender de vós, vivei em paz com todos os homens. Não vos vingueis uns aos outros, caríssimos, mas deixai agir a ira de Deus, porque está escrito: A mim a vingança; a mim exercer a justiça, diz o Senhor {Dt 32,35}.” Rm.12.17-19

Mas, qual o tipo de julgar é permitido?

  • Quando buscamos o bom, o belo e o verdadeiro para guiar nossas vidas: “julguem todas as coisas e retenham o que é bom” (Ts.4.21).
  • Quando estamos investidos de autoridade para guiar e proteger a outros: “Porque a autoridade é instrumento de Deus para teu bem. Mas, se fizeres o mal, teme, porque não é sem razão que leva a espada: é ministro de Deus, para fazer justiça e para exercer a ira contra aquele que pratica o mal“. (Rm.13.4).

Há restrição. Não nos foi dado liberdade para “amaldiçoar os homens, feitos à semelhança de Deus.” (Tg.3.9). A ênfase de nossa vida está definida pelo Amor que diz: “porque Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que julgasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele” (Jo.3.17).

O julgar deveria ser uma exceção em nossas vidas, não uma regra. Infelizmente vivemos num mundo onde o comum é ver todos julgando e condenando seu próximo por motivos errados, mesquinhos e maldosos.

O incidente abaixo em Samaria nos constrange:

Jesus partiu resolutamente em direção a Jerusalém. E enviou mensageiros à sua frente. Indo estes, entraram num povoado samaritano para lhe fazer os preparativos; mas o povo dali não o recebeu porque se notava em seu semblante que ele ia para Jerusalém. Ao verem isso, os discípulos Tiago e João perguntaram: “Senhor, queres que façamos cair fogo do céu para destruí-los? ” Mas Jesus, voltando-se, os repreendeu, dizendo: “Vocês não sabem de que espécie de espírito são, pois o Filho do homem não veio para destruir a vida dos homens, mas para salvá-los” Lc.9.51-56

Nossa natureza não é nobre, muito menos equilibrada para o exercício do juízo. Jesus afirma:

Vocês julgam por padrões humanos; eu não julgo ninguém. Mesmo que eu julgue, as minhas decisões são verdadeiras, porque não estou sozinho. Eu estou com o Pai, que me enviou.” Jo.8.15-16

Mas ele continuou: “Vocês são daqui de baixo; eu sou lá de cima. Vocês são deste mundo; eu não sou deste mundo. Eu lhes disse que vocês morrerão em seus pecados. Se vocês não crerem que Eu Sou, de fato morrerão em seus pecados”.”Quem é você? “, perguntaram eles. “Exatamente o que tenho dito o tempo todo”, respondeu Jesus. “Tenho muitas coisas para dizer e julgar a respeito de vocês. Pois aquele que me enviou merece confiança, e digo ao mundo aquilo que dele ouvi“. Jo.8.23-26

A conclusão que chegamos é:

“o pecado afeta cada pensamento, palavra e obra dos homens, portanto, nossos julgamentos podem estar enraizados em um motivo-base apóstata ou idólatra, ou seja, fora do crivo das Escrituras. Sendo assim, podemos errar sendo indulgentes com o mal ou punindo o bem

Não obstante:

“embora o pecado distorça o juízo, é possível fazermos bom juízo de situações e pessoas se formos auxiliados pelo “Senhor que não vê como o homem: o homem vê a aparência, mas o Senhor vê o coração” (1Sm.16.7).

CURIOSIDADE:
Segundo nosso Código de Processo Civil, um magistrado deve se declarar suspeito para julgar um caso quando

  • ele é amigo íntimo ou inimigo capital de qualquer das partes;
  • uma das partes é credora ou devedora do magistrado, de seu cônjuge ou de parentes destes, em linha reta ou na colateral até o terceiro grau (tio e sobrinho);
  • ele é herdeiro presuntivo, donatário ou empregador de alguma das partes;
  • ele receber dádivas antes ou depois de iniciado o processo; aconselhar alguma das partes acerca do objeto da causa, ou subministrar meios para atender às despesas do litígio;
  • ele for interessado no julgamento da causa em favor de uma das partes;
  • por motivo de foro íntimo.

FAZER DEVASSA

devassa

Paulo Zifum

Normalmente, a verdade permanece oculta. Quando algo é descoberto, dúvidas também surgem. Alguém levanta uma acusação e diz ter prova. Se envolve algo imoral, o assunto precisa ser comprovadamente ilegal para fundamentar as provas. Daí em diante, vítimas, acusados, advogados e promotores e até o juiz, podem sofrer uma devassa.

A devassa feita por homens de bem, busca a verdade. Os maus fazem devassa para desmoralizar envolvidos com o fim de acusar ou anular a acusação, de modo que a verdade não apareça.

Um importante ministro Medo-Persa sofreu uma devassa. O nome era Daniel (530 aC.). Quando ele estava para ser eleito o primeiro ministro do império de Dario, o registro diz o seguinte:

E pareceu bem a Dario constituir sobre o reino cento e vinte príncipes, que estivessem sobre todo o reino; E sobre eles três presidentes, dos quais Daniel era um, aos quais estes príncipes dessem conta, para que o rei não sofresse dano. Então o mesmo Daniel sobrepujou a estes presidentes e príncipes; porque nele havia um espírito excelente; e o rei pensava constituí-lo sobre todo o reino. Então os presidentes e os príncipes procuravam achar ocasião contra Daniel a respeito do reino; mas não podiam achar ocasião ou culpa alguma; porque ele era fiel, e não se achava nele nenhum erro nem culpa. Então estes homens disseram: Nunca acharemos ocasião alguma contra este Daniel, se não a acharmos contra ele na lei do seu Deus.” (Livro de Daniel 6.1-5)

Frequentemente estamos assistindo ou participando de uma luta entre o bem o o mal. Seja como expectadores ou como atores, podemos estar do lado errado, induzidos pela fumaça das acusações e narrativas. Por vezes, as coisas não são o que aparentam, e é difícil discernir.

O problema surge quando, a verdade que veio à tona culpa a quem você ama. Nessa hora, os que fazem devassa do acusador para esconder de novo a verdade, revelam sua inclinação idólatra. E é sina: “quem adora, se torna semelhante a seu ídolo”.

As pessoas que tem um compromisso fiduciário com alguém e não com a verdade, fará devassa em pessoas de bem para salvar seu amor malvado. Essa relação leva mães encobrirem graves pecados dos filhos diante do pai. Leva filhos levantarem falhas morais de seus pais para cobrir seu pecado. Essa inclinação é idólatra e pode ser demoníaca, pois foi Satanás que fez uma devassa em Jó para negar a verdade do amor voluntário entre Deus e suas criaturas. E é Satanás que deseja que o mal triunfe de modo que as pessoas de bem sejam executadas.

Judá escapou de fazer isso quando teve a vida devassada por um documento que comprovava sua culpa. Foi um julgamento que parecia fácil. Satanás, que induz os homens a acreditarem apenas na acusação sem provas, estava lá com Judá para apoiar seu legalismo para com Tamar. A mulher não tinha chance alguma. Sua única saída era Judá reconhecer o documento e fazer a confissão da verdade (Gn.38).

A Bíblia nos fala que todos os homens, após a morte, sofrerão uma devassa (apuração minuciosa de ato criminoso mediante pesquisa e inquirição de testemunhas). Esse juízo final será cruel pela quantidade abundante de provas e testemunhas. Inescapável.

Só se salvarão os que, ainda nesta vida, confessam seus pecados e não os encobrem (Pv.28.13). Os réus confessos que buscam em Jesus Cristo perdão e redenção, serão tratados na “Grande Devassa” (Ap.21) com misericórdia. Os que permaneceram do lado do mal dizendo que “não existe pecado do lado debaixo do Equador” devem arcar com sua própria defesa nesse dia.

*Daniel: Leia na íntegra o que a oposição fez para derrubar o primeiro ministro:

https://www.bibliaonline.com.br/nvi/dn/6