SATANÁS: O PERFUMISTA

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Paulo Zifum

O Filme “Perfume: A História de um Assassino” baseado no livro de Patrick Suskind foi dirigido pelo cineasta Tom Tykwer (ambos alemães). O que tem de sensível tem de perturbador. Em uma Paris perfumada e apodrecida, a obra descreve uma obsessão (apego exagerado a um sentimento ou a uma ideia desarrazoada) humana pelo poder, a sensação de possuí-lo e como um caçador acaba tornando-se uma vítima da própria glória.

Há uma face escondida na obra de Suskind, um rosto milenar e familiar aparece em vários momentos da obra. Uma identidade pode ser notada: Satanás e seu requinte em roubar e matar. O autor consegue mostrar Jean-Baptiste Grenouille como alguém que devemos admirar e odiar. Esse é um dos cortes da arte: desafiar o observador a se identificar.

O filme é levado a um clímax nas cenas finais, onde a identidade de Lúcifer se revela mais clara (coisa que duvido ser propósito do autor). O bacanal é uma cena ousada, uma fotografia sem pudor. Ali, Suskind mostra que, pela sensualidade, a humanidade pode ser controlada por aquele que souber provocar com intensidade.

O talentoso assassino pode representar o “deus deste século” (2Co.4.4) que coleciona os perfumes que apreciamos e essências que desejamos. Ele sabe extrair de suas vítimas os segredos, as “notas” que provocam os homens. Ele anda ao derredor da Terra (Jó 1.7) e é aclamado como um anjo de luz (2Co.11.14). Ele estuda e busca encontrar uma arma para controlar as afeições humanas, mas ele mesmo não consegue amar nem ser amado.

O autor coloca quase todos na moldura do bacanal: ricos e pobres, incultos e acadêmicos, criminosos e autoridades, descrentes e religiosos. Ao mostrar a Igreja representada caindo em luxúria, Suskind mostra o quão indefeso é o homem religioso (Cl.2.23). E o único homem que parecia capaz de deter o assassino, o oficial Antoine Richis, cai aos pés do perfumista pedindo clemência. É sinistro quando um homem, um artista consegue causar histeria e compulsão nas pessoas.

A última e derradeira cena  surpreende. Mostra Jean-Baptiste Grenouille sendo consumido pelas pessoas, e nessa hora aterradora podemos alegorizar que o ser humano pode tomar a essência da beleza ou talento e derrama-la toda em si, sem dar glória a Deus. O fim podemos ver no filme e em Atos 12.23.

Não estou fazendo propaganda do filme, mas duvido que sua curiosidade seja tão controlada. Espero que a experiência lhe ajude a considerar que o Perfumista do Éden não deve ser jamais ignorado.

 

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JOSÉ E MARIA

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Paulo Zifum

Você já ouviu falar de um marido que esperou os 9 meses de gestação da esposa para ter relações com ela? José era um homem de uma nobreza ímpar. Ele nunca havia tocado em sua noiva Maria e, de repente, recebe a notícia de que ela estava grávida. Ele pensou  no que qualquer homem pensaria: na traição dela. Mesmo sendo ofendido, conseguiu o que poucos conseguiriam: perdoar e  terminar o noivado de modo silencioso, sem se vitimizar e sem tornar o caso público.

Note a classe da narrativa:

Ora, o nascimento de Jesus Cristo foi assim: estando Maria, sua mãe, desposada com José, sem que tivessem antes coabitado, achou-se grávida pelo Espírito Santo. Mas José, seu esposo, sendo justo e não a querendo infamar, resolveu deixá-la secretamente. Enquanto ponderava nestas coisas, eis que lhe apareceu, em sonho, um anjo do Senhor, dizendo: José, filho de Davi, não temas receber Maria, tua mulher, porque o que nela foi gerado é do Espírito Santo. Ela dará à luz um filho e lhe porás o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo dos pecados deles. Ora, tudo isto aconteceu para que se cumprisse o que fora dito pelo Senhor por intermédio do profeta: Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho, e ele será chamado pelo nome de Emanuel (que quer dizer: Deus conosco). Despertado José do sono, fez como lhe ordenara o anjo do Senhor e recebeu sua mulher. Contudo, não a conheceu, enquanto ela não deu à luz um filho, a quem pôs o nome de Jesus.Mt.1.18-25
jose
 José estabelece um padrão alto para a vida conjugal:
1-Ame seu cônjuge! Se vier a errar, continue mostrando respeito, mesmo que seja uma traição. O respeito fala sobre quem você é. 
2-Mantenha sua vida conjugal em solo privado! Vigie as conversas que exponham seu cônjuge. Não torne seu casamento um “site” aberto a todos. Mantenha a discrição.
3-Pondere antes de falar! Muitos casamentos seriam poupados de “infecções” se o casal esperasse um pouco, se meditasse um pouco antes de defender ou acusar. 
4-Ouça a voz de Deus! Deus fala com os casais que aguardam instruções. Se Maria tivesse traído José, Deus com certeza daria a ele orientação e consolo. O diabo se apressa em envenenar as pessoas vulneráveis, semeando um ódio irracional e um desejo de vingança que, por fim, matará qualquer bondade do coração. 
5-Considere que o casamento exigirá sacrifícios! José nunca imaginou que sua esposa Maria teria uma necessidade tão específica de cuidado. Embora José não tenha recebido uma ordem expressa, decidiu “não conhece-la” e esperar o menino nascer para, só depois ter relações sexuais com ela. Ele não apenas a protegeu, mas mostrou bondade. 
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Segundo John Piper, José era uma vitrine onde Deus oferece aos casados um ideal conjugal. E para adquirir algo tão superior, maridos e esposas precisam de disposição, amor e fé. Ou seria muito amor?

QUANDO VOCÊ FICAR VELHO

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Paulo Zifum

Vai ficar chato, sistemático e ranzinza. Ou, vai usar a simpatia para manter por perto toda gente?” Perguntou sorrindo o jabuti Lopi ao coelho Handu (Crônicas do Tempo)

Acredite! Ninguém fica um velhinho simpático se, aos 40 e 50 tornou-se uma pessoa excessivamente exigente. Alguns não percebem que é exatamente no ponto alto de suas vidas que, devem ser mais calmos e bondosos. Um estilo de vida ansioso e intolerante pode anunciar uma velhice rabugenta.

Quando eu ficar velho quero que as pessoas sintam minha presença de modo positivo. Quero que os jovens queiram contar pra mim suas façanhas e, se precisarem de um conselho, darei. Quero que os velhos se sintam mais jovens com minha conversa. Quero manter meu espírito alegre.

*foto: Escritor Ariano Suassuna, típico velhinho bacana

MEU IRMÃO JUSCELINO

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Paulo Zifum

Juscelino era um jovem pacato, de natureza semelhante a do pai. Discreto, mantinha a presença sem pressionar ninguém, porém, sua distância nunca era indiferente. Ele demonstrava afeto, quando estava por perto.

Eu me lembro de um fato curioso ocorrido em 1988. Juscelino era então o soldado De Paula. Estávamos numa reunião de oração da família que “forçava” os parentes, de modo gentil, a uma devoção que não lhes era própria. Donizeti, um dos mais místicos da família, começou a dizer em tom misterioso que o jovem soldado seria músico e compositor como Davi. Bem, eu ouvi e achei engraçado porque Lino Zói de Bomba não mostrava dotes musicais. Mas, ele tinha um perfil de homem manso e, também era militar como Davi.

Bem, um ano se passou e Juscelino começou a frequentar nossa pequena igreja, e logo se afeiçoou à música. Sua vida mudou. Nesse tempo tentou a carreira como jogador de futebol, mas sua vocação acabou  conduzindo-o à Polícia Militar. Anos depois tornou-se músico e compositor de cânticos. Suas canções começaram a ser executadas na igreja, o que é algo muito especial. E a profecia daquela noite de 88 se cumpriu.

Hoje, Juça é um músico refinado, esposo amável e pai dedicado. Entre os irmãos da igreja é uma referência de mansidão e estabilidade. Entre os familiares é um tipo de cópia do Sr. Vicente. Se você passar um tempo com ele, vai perceber como as águas correm lentas e calmas para o mar. Juscelino é um rio que vai musical para Deus. Nós desfrutamos às margens.

HUMANIDADE COME JUNTO

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Paulo Zifum

Coloque uma mesa, ponha pão e manteiga e uma garrafa de café e espalhe as xícaras. De propósito coloque apenas uma colherzinha e uma faca para todos. O pote de açúcar deve ser pequeno. A realidade da refeição parca dá lugar para uma alegria farta quando a conversa mostra que comer é só uma desculpa para a humanidade aparecer.

 

PODE LEVAR!

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Paulo Zifum

E, ao que quiser pleitear contigo, e tirar-te a túnica, larga-lhe também a capa” Mt.5.40

Eu tinha um conjunto. Era uma túnica azul marinho com discretos detalhes verde-escuro. A capa em azul degradê tinha bordado preto nas pontas. Certo dia, um ladrão apareceu e forçou-me a dar a túnica. Em choque, entreguei olhando para aquela faca revolvendo o ar. Sem saber como, ainda tive tempo de pensar no conjuntinho azul. Chamei o larápio que se ia, tirei a capa enrolada em forma de turbante e dei para ele.

Apoiando-me numa parede, só com as roupas de baixo, fui amparado por um amigo. -O que houve? -perguntou aflito. -Levaram meu conjuntinho! -disse franzindo a testa. -Aquele azul? -espantou imaginando. -Sim! O azul! respondi rindo. -Por que você está rindo? quis saber meu amigo. Eu não soube explicar essa sensação gostosa de entregar a capa.

Moral da história: O sonho azul de segurar todos os bens pode desmontar sua vida. Não segure a capa! Não ouse ficar com ela! Prove que tem uma visão desprendida das coisas, sejam elas materiais ou não.

 

COISAS, SITUAÇÕES E PESSOAS

Paulo Zifum

Quando sentimos que nosso mundo não vão ficar em pé, podemos correr e segurar. Mas, a vida é cheia de coisas, situações e pessoas impossíveis de preservar. Caem e quebram, criando em nós sensações de perda, culpa e vazio.

Coisas: Os bens nos deixam seguros e muito o contrário também. Situações: Os eventos  impulsionam o progresso e o revés também. Pessoas: Surpreendem com o amor e desistem dele também. Não podemos segurar esses três discos no ar.

Mas, preocupe, não!

Se você, recentemente ouviu um barulhão dentro de você, espalhando aquela insegurança em seu corpinho mortal, então, faça uma coisa, certa e rápida: Abaixe-se! Proste-se ao chão e solte uma prece curta e sábia: “Senhor, ainda bem, que estás aqui! Perdoa-me porque não dei conta dessas coisas, situações e pessoas. Ajuda-me achar um modo de juntar os cacos, e, senão, dá-me força para continuar a manter o que ainda está em pé”.

A oração nem sempre muda coisas, situações e outras pessoas, mas você ficará bem.

*foto: sempre estamos voando ou navegando, mas o que queremos mesmo é a segurança da terra firme.