IDENTIDADE x STATUS

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Paulo Zifum

Um rei velho e esquecido, um príncipe metido e um ambiente político dividido. Enquanto um líder se omite, pessoas começam se mover nos bastidores, porque o poder não tolera o vácuo. Isso não acontece só no ambiente político e corporativo, mas em casa, entre casais, entre pais e filhos e também entre grupos de interesse.

O livro de 1 Reis começa dizendo que Davi estava velho e, de modo muito discreto, o autor fala que ele não tinha um casamento decente com mulher nenhuma e que não se preocupava com os protocolos de sucessão do trono (Davi era um pouco extremado com esse negócio de não se apegar ao poder). Ele foi negligente, sim, mas Deus usou essa negligência para revelar e tirar a escaramuça do “trio calafrio” composto por Adonias, Joabe e Abiatar. Um príncipe sem princípios, um general perigoso e um sacerdote volúvel se juntaram para assumir o poder. E pensaram, por um momento, que o teriam, mas, na verdade, atraíram juízo para si mesmos.

A vida é assim. Milhares de pessoas esperam achar seu lugar no trama dos teares enquanto muitos reis no ocaso do poder deixam que os mais novos se engalfinhem. Extremos, onde uns se sentem ansiosos pelo futuro e outros nada responsáveis por ele.

Há gente besta que pensa conseguir identidade com facilidades e curtem amizade com pessoas sem caráter. Puro engano. O máximo que podem amealhar é um status. Identidade? Jamais. Adonias mostrou ser um bufão, Joabe provou ser um trevoso e Abiatar um profano. Queriam um reino rápido e perderam tudo da noite para o dia.

Eu, que vigio, fico atento porque também me confundo. Observo que desejos enchem meu coração de um tônus de vaidade, e esqueço de defender minha identidade. Adonias era um candidato ao trono como todos os outros príncipes, e não há nada de errado em fazer campanha e colocar-se à disposição do reino. O problema da humanidade não reside em mostrar potencial para comandar. O verme está em começar um reino pelo uso da força e dispositivos de manipulação.

Deus, quando vê o abuso diz: “Eles fizeram reis, mas não por mim; constituíram príncipes, mas eu não o soube; da sua prata e do seu ouro fizeram ídolos para si, para serem destruídos.” (Os.8.4). O Senhor está no controle tanto do coração dos reis como de nossas afeições mais discretas. Ele irá “julgar os segredos dos homens, por intermédio de Jesus Cristo” (Rm.2.16).

Seja qual for sua aspiração, pense bem se o que deseja é encontrar sua vocação ou alcançar status. Sua identidade pode estar em risco e você a um passo de formar conjunto com algum “trio” por aí.

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SEJA PRÁTICO

Paulo Zifum

-É bem simples: você pega o dinheiro e compra! -Mas, não tenho dinheiro! -Então, dê um jeito e arrume! O menino saiu, foi até um ferro-velho e conseguiu quatro rolimãs e alguns pregos grandes, com  ajuda do amigo fez um carrinho com madeiras velhas. Tinha agora um carreto, sua primeira empresa. A feira de sábado ficava no alto e era a mais movimentada do bairro, lá o menino conseguia uns trocados levando as compras de mulheres e idosos. Os adultos expressavam um misto de dó e admiração com o esforço daquela criança. Chegando a oficina do amigo, mostrou o caderno, o lápis,  a borracha e disse: -Comprei, agora você me ensina? O mecânico com as mãos sujas de graxa levou o menino para a professorinha. Em pouco tempo já sabia ler e escrever.

O QUE VOCÊ FAZ SENTIDO

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Paulo Zifum

Falo com as plantas e com os cachorros. Perdi meu carrinho cheio de compras no mercado. Fazer uma compra econômica dá trabalho. Encontrei um amigo e notei que ele tinha no carrinho as mesmas coisas. Contei a ele do sumiço. Ele riu e disse que tinha inveja das compras que fiz, mas que nenhuma câmera o filmou porque é como um gato.

Costumo escrever agradecimentos para as pessoas. Acho que sou afortunado por alguém arrumar algo quebrado das minhas coisas. Depois de pagar o serviço fico feliz por essa rede de favores. Ajudar sapos a voltar para lagoa parece coisa de gente muito infantil. Falar bem das pessoas é uma maneira de fugir do mal.

Coloquei creme de barbear dentro do tubo de creme dental de um amigo. Minha amiga ofereceu-me uma colher de chá de algo delicioso que estava fazendo. Até hoje minha boca queima como o Hades. Ela ri eternamente. Eu deixei a gasolina do carro acabar várias vezes. Nunca me privei da aventura de ver até onde daria. Uma semana após andar a cavalo descobri que não tinha uma nova verruga. A coisinha tinha perninhas bem miudinhas.

Voltei para casa algumas vezes a pé, só com a chave do carro no bolso. Parece até que a gente voa quando começa pensar. Minha esposa muda tanto as coisas da casa de lugar que nunca terei Alzheimer. Paro para olhar flores e cato trecos na rua. Ferro velho, bazar e brechó são como shopping. Tem tudo que eu procuro.

Ainda sinto culpa por ser preguiçoso e por trabalhar demais. Por que não posso tomar mais de uma garrafinha de Yakult? Tenho vergonha de pensar que Deus riu quando o pernilongo surgiu. Um amigo diz que meus textos não são bem trabalhados. Eu disse que tenho preguiça de arrumar porque passo horas escrevendo.

Eu agradeço por você estar lendo e fico também sem graça por torrar seu tempo. Eu sou um embaraço. Mas, isso não faz sentido.

*Foto: Tarsio – primata noturno encontrado nas florestas do sul da Ásia

AMORZINHO

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Paulo Zifum

Pequeno, frágil e limitado, cabe num pote de requeijão mas não enche a palma de uma mão. Tome pra si! É tudo que tenho! Compre com ele uma esperança, dessas onde o amor é um gole de remédio para a solidão.

ACABOU O OXIGÊNIO!

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Paulo Zifum

“quando falta amor sobra culpa

Milhares de pessoas são pressionadas todos os dias pela falta de amor. João tem 10 anos e não sabe mais o que fazer para agradar seu pai. Mal sabe ele que nunca conseguirá porque o reservatório de amor de seu pai não tem uma libra sequer de oxigênio. O que esperar de alguém que está morrendo?

Quem está se afogando é capaz de agarrar a primeira pessoa que se aproximar e afundá-la sem dó para respirar. É insano o comportamento de quem está sem amor e enlouquece a vida de quem não tem reservas para dois.

As mães, porém, são incríveis. Prendem a respiração para seus filhos viverem em paz. Deus deu muito amor para elas. Uma reserva e tanto! E morrem muitas vezes sem ninguém saber que viveram quase nada para si.

O problema de muitos casamentos é a falta de ar. Não é asma, é dureza de um coração que não bombeia oxigênio. O amor é pouco e não dá pra dois. E a tragédia aumenta quanto mais se briga, pois debater-se consome o pouco que se tem. Alguns morrem na cápsula antes mesmo de abrirem a escotilha do divórcio.

Eu sinto falta de ar e pedi ao Doutor um remédio. Ele disse que preciso de um coração novo. Reclamei que algumas pessoas me tiram o fôlego. Ele afirmou que isso é mito e que o problema sou eu. Pedi um tratamento para respirar melhor porque sinto-me cansado e sobrecarregado, com pouca força. O Médico então prescreveu a Cruz, em doses dia-a-dia  é a única saída

Antes que o oxigênio se acabe, buscarei essa porta que leva ao tão sonhado oxigênio eterno. Amarei. Não morrerei, antes viverei!

 

SEXO NO CASAMENTO

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Paulo Zifum

Como a maioria dos prazeres, o sexo pode ser desfrutado sem o direito. O sexo feito sem o processo de Gênesis 2:23-25 (intenção de unir-se, confissão da vontade seguida da execução pública diante da família com um compromisso definido) é uma violação.

Há quem discorde e acuse os cristãos de serem moralistas. Dizem os liberais que havendo mútuo consentimento não há violação alguma, porém nunca explicam a tradição antiga que diz: “sexo só depois do casamento”. Os liberais defendem novas regras a partir deles mesmos, negam a racionalidade dos costumes antigos como se o que foi estabelecido antes deles deve cair a todo custo. Com sentimentos “à flor da pele”, são como advogados que atingem emocionalmente o juri para dobrá-lo. E normalmente os artistas* andam na vanguarda desse comportamento anti-racional.

Os cristãos, por sua vez, não podem negar que no passado a Igreja praticou um tipo horrível de legalismo ao tratar a sexualidade do ser humano, esmagando gerações inteiras embaixo de repressão e culpa. Mas, o erro da Igreja não justifica o exagero de Freud que reduziu o ser humano a seu desejo sexual. O famoso psicanalista negava a essência religiosa das pessoas. Mas, não foi a religião que adoeceu a humanidade, antes, foi a vontade humana que não quer limites que danou tudo.

Fazer sexo antes do casamento é uma violação contra a lei de Deus e bagunça o mundo inteiro. Os cristãos acreditam nisso, pois consideram que os efeitos do pecado não são tão imediatos e visíveis (1Tm.5.24). Há uma repercussão espiritual em todo sexo praticado fora do casamento, assim como há efeitos danosos em cada infidelidade cometida nos negócios, no trânsito e nas intenções humanas.

Imagine se os pneus estourassem toda vez que alguém ultrapassasse a velocidade permitida na estrada? Seria tão bom que o pecado do sexo fosse freado assim, mas Deus não age dessa forma. Ele permite que roubemos prazeres e deixa que tomemos coisas antes da hora como o pai do Filho Pródigo (Lc.15.11). As consequências podem não chegar na hora, mas nos alcançam, individualmente e coletivamente.

O sexo é para casados. O mundo como o conhecemos seria muito diferente se só isso fosse observado.

*Que os artistas sejam pensadores revolucionários, ninguém pode negar, porém, eles são muito suspeitos por se levantarem (quase sempre) contra a moral vigente acusando-a de retrógrada. Dificilmente agem a favor de tradições. Muitos, sem saber, promovem o discurso “é certo que não morrereis” (Gn.3.4) e encenam dizendo que “não existe pecado”. 

 

SOMOS HISTÓRIA DELE

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Paulo Zifum

Pois nele vivemos, nos movemos e existimos‘ Atos 17:28

A História já aconteceu toda. Ele escreveu cada detalhe ocorrido pelos séculos, desde a pequena primeira luz que brilhou até o mais cruel dos vilões. Nada poderia ser imposto à história que Ele criou. Tudo foi, é e será um pensamento que Ele teve.

Em um momento consegui sair e pensar nisso. Mas, não poderia surpreender o Autor porque até o mais arguto investigador dos mistérios foi escrito por Ele. Não me importo em ser e viver dentro do roteiro dele. O admiro! Cada lágrima, cada dor! Contorço-me com suas histórias de liberdade e confusão. Encanto-me com as narrativas de perigo e redenção.

Não. Não compreendo-me o caminho que Ele traça para alguns de nós, arrastando anos a fio na escuridão, encerrando homens e mulheres na ignorância. Mas aceito que Ele é o melhor romancista.

Disse a Ele certa vez que o adoro e sou-lhe fiel, muito porque Ele me livra daquilo que temo. A mim, durante minha vida, nada de ruim aconteceu. Sigo cantando estrada afora, com saúde, bela esposa, filhos maravilhosos, bons amigos e realizado no que faço. Não conheço sofrimento até aqui, porque Ele, até agora, não escreveu.

Espero que, se algo horrível foi destinado a mim no futuro, que eu seja um nobre como foi Jó. Ficaria muito feliz de sofrer e não enlouquecer. Seria uma honra ser daqueles personagens que provam que são bons quando o mal destrói tudo quanto amam.

Ó Deus! Esses pensamentos são demais para mim! Voltarei de onde vim, onde os pensamentos são mais turvos. Lá onde a Ciência se acha dona da verdade e onde os homens julgam saber a medida da justiça. Voltarei, porque, aqui, na linha imaginária do tempo, tenho vertigem.

Aceito que sou tua história, ó Senhor! E espero um dia conhecer meus Três Autores.