TRAIR ou DESERTAR?

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Paulo Zifum

“Trair significa escolher o lado errado, desertar significa não escolher o lado justo; se você se alia ao inimigo, trai; se abandona o amigo, deserta. Mas, qual é o lado justo e o lado errado? Quem é o amigo, quem é o inimigo”  Norberto Bobbio, Os intelectuais e o poder (São Paulo-Unesp, 1997), p.135

Para não cair em queda livre do relativismo, dizendo ser capaz de definir por si mesmo o errado e o justo, eu, buscarei nas Escrituras Sagradas um tribunal para minha consciência. Lá, diante das verdades eternas, posso saber quem é o traidor e o desertor.

Nesses 32 anos de julgamentos, descobri que eu e meu próximo somos traidores e desertores. Tanto apunhalamos com acusações quanto abandonamos com a falta de defesa. Tanto abrigamos traidores quanto acalentamos desertores. E somos traídos e também abandonados.

Diante da Palavra de Deus confesso, e não nego, que caímos em várias tentações, ora por engano e imprudência, ora por dureza do coração e maldade, ora por conveniência e covardia. Pais e filhos, cônjuges e amigos tentam não trair ou desertar. Mas, quem nunca caiu em ciladas de algum tipo de engano, prazer ou poder?

Nesses tribunais, tive de recorrer a Jesus Cristo, que foi o único homem que nunca traiu ou desertou, antes, foi ele mesmo, por Judas ferido com um beijo e abandonado e negado por seus amigos. Jesus, como meu advogado (1Jo.2.1), aconselha-me antes de sentar no banco dos réus. Sob orientação, tanto confesso (1Jo.1.9) quanto perdoo (Mc.11.25-26). Saio perdoado, embora, nem sempre, absolvido das consequências de minhas escolhas. Algumas coisas não se podem reparar.

 

 

 

 

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DESCOBERTA DE BASÍLIO

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Paulo Zifum

Basílio teve uma infância feliz e abastada. Seu pai, um próspero fazendeiro era também um pai amigo. Das lembranças da fazenda a que mais gostava era dos almoços de domingo quando o tio chegava com seus 11 primos. Basílio podia brincar com primos e primas fazendo travessuras e comendo gostosuras que jamais via durante a semana. Mas, algo ocorreu, e os primos pararam de aparecer. Basílio sentia tristeza, não entendia. Depois de crescido, já na faculdade, uma situação o fez lembrar do tio e de seus primos. Começou a indagar o porquê aquela alegria lhe fora tirada. Quando viajou para casa num feriado, sentou-se com o pai e quis saber o que houve. Seu pai o chamou para a varanda fazendo um sinal de segredo para que não deixasse sua mãe perceber e disse:

-Seu tio era muito pobre, mas extremamente orgulhoso. Eu o convidava para almoçar todos os domingos para aliviar seus gastos e oferecer para meus sobrinhos guloseimas e pequenos presentes que jamais poderiam ter. Você era muito pequeno e ouviu suas tias cochicharem algo sobre minha intenção. Eu e seu tio estávamos sentados nessa varanda e você pegou na mão de seu tio e disse: Papai vai sempre convidar o tio e a tia para almoçar em casa, ele sempre vai dar comida pra vocês. Desse dia em diante seu tio nunca mais voltou a comer em casa com a família. Passou muitas necessidades, mas prometeu que não aceitaria ajuda.

Basílio chorou. Abraçou o pai e saiu. Entrou em seu quarto e começou a fazer contato com seus primos para marcar um almoço em família. Seu coração ardia por redenção, embora temesse que o orgulho impedisse novamente essa alegria.

DEPUTO MALA

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Paulo Zifum

Não! Deputo mala não tem nada a ver com política nem mala de dinheiro! Mas, atrai leitores em tempos de convulsão social.

Gratiae tuae deputo mala quae non feci” é uma frase de Santo Agostinho que fala sobre um tema que nos escapa: se Deus nos deixasse cometer todos os males que pensamos ou somos capazes de fazer, como seria?

Inclua essa graça em suas preces de gratidão: “Devo à tua graça os males que não fiz“. Além de todas as provisões divinas que nos cercam, temos essa graça que não permite que nossa vida se torne um caos. Devemos agradecer a nosso Senhor por não nos deixar entregues à própria sorte e por não nos conceder os pedidos despachados no porão de nosso coração mau. Devemos, de joelhos, levantar as mãos aos céus e adorar ao Senhor por não conseguirmos completar alguns planos suspeitos que pareciam ser bons, mas que teriam final trágico.

*Imagem: Se não fosse a graça, essa frase de Platão seria uma verdade absoluta. Porém, Deus concede-nos livramento até nesse assunto, fazendo reinar sobre nós bons líderes que não elegemos.

O HOMEM MISERÁVEL

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Paulo Zifum

“Miserável é, portanto o homem que está privado da comunhão com Deus, para o qual está destina a vida humana. Essa destinação não é anulada pelo fato de o homem estar alienado dela. Justamente por continuar em vigor, ela fundamenta a miséria do homem, pois, na distância em relação a Deus, as pessoas estão privadas de sua própria identidade. Por isso, conforme a análise perspicaz de Agostinho, as pessoas são mais miseráveis justamente quando nada sabem de sua miséria, e isso não necessariamente na desgraça, em doença e na angústia da morte, mas em face dos bens deste mundo. Quando aí se esquecem de Deus, tornam-se por isso infelizes em meio a bem-estar e abundância, experimentando sua vida como vazia e sem sentido”. Citação de Wolfhart Pannenberg no livro Inteligência Humilhada de Jonas Madureira, p.95.

Destaque “infelizes em meio a bem-estar e abundância“.

O diagnóstico dado por Pannenberg é extraído de Romanos capítulo 7, onde o apóstolo Paulo fala do conflito onde “a atitude do homem miserável é aquela que jamais corresponde com a vontade e a consciência do que é bom” (p.151). É a reveladora insatisfação de Adão e Eva num jardim onde tinham bem-estar e abundância, mas não tinham tudo. Bastou-lhes um passo (ou pensamento) de costas para Deus e, pronto! Experimentaram a estranha sensação de vazio e de nada ser suficiente.

A incapacidade de ser feliz com pouco e de ter contentamento apesar das limitações já é um sinal de miséria, porém, estar triste tendo mais do que precisa ou merece, é uma autópsia. Esse estado deveria conduzir à humildade, mas, parece que o orgulho dá forças para tentar outra opção que é disfarçar, retardar os efeitos do “corpo desta morte”.

Sem o conhecimento de sua miséria, o homem continuará fazer discurso firme e seguir adiante, até a cera derreter, porque, antes disso não conseguirá ser sincero (sem cera).

*Foto: o filme O Retrato de Dorian Grey, da obra de Oscar Wilde, mostra o desespero do homem alienado de Deus.

VISITAR DOENTES

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Paulo Zifum

Estive doente e me visitastes‘ (Mt 25,36)

Fracassamos no pouco. E, de fato, Deus espera muito pouco de nós. Ele quer só uma visita. Não exige que tenhamos a cura, apenas espera uma visita.

As pessoas doentes ficam muito sensíveis aos pequenos gestos. Não tem preço uma visita de cinco minutos, principalmente quando a pessoa viajou duas horas para ver o amigo doente. É uma surpresa! E a emoção exclamada pergunta: você veio me ver?

Ah! Como é boa aquela visita calada com aquele sorriso de medo que esconde o choro! Como é medicinal a visita animada e sincera que faz de conta que tudo vai ficar bem! Como é maravilhosa a visita que faz aquela oração de fé! Como é reconfortante receber alguém que só veio ver e segurar a mão!

Ame os doentes com sua presença. Um dia, o Senhor vai lhe fazer um visita para agradecer.

RESOLVE AÍ, MEU FILHO!

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Paulo Zifum

“Então, lhes disse: Por que sois assim tímidos?! Como é que não tendes fé?” Mc.4.40

Tudo era festa e pressa na libertação de Israel. Depois de 400 anos de escravidão, os hebreus estavam eufóricos com saída do Egito. Sob a liderança de Moisés viram o poder de Deus que parecia sem limites. Mas Faraó, embora derrotado, não estava totalmente convencido. Deus não havia dado a Faraó a chance de usar seu exército nenhuma vez, pois os golpes divinos tinham ocorrido em planos verticais com forças invisíveis movendo a natureza. Faraó pensou que num plano horizontal com carros, cavalos e cavaleiros conseguiria tomar seus escravos de volta. Num ato de desespero, sai no encalço de um povo desarmado, acreditando em vantagem.

Quando o povo indefeso viu o tropel militar levantando poeira e vindo de modo amedrontador, declaram para Moisés que estavam mortos. Moisés clama a Deus.

E qual foi a resposta de Deus?

Bem… clique no link abaixo e tente aprender, existem horas que Deus nos diz: “Resolve, aí, meu filho!”

https://www.bibliaonline.com.br/nvi/ex/14

O AMOR VENCE O PT

Sem título

Paulo Zifum

Defina amor.

Deus é Amor

O comportamento equilibrado descrito em 1 Coríntios 13 é muito diferente do ativismo dos evangélicos do Coração 13. O amor que vence o ódio exorta sem parcialidade, mas os evangélicos petistas nada falaram contra a base do Haddad.

Bolsonaro precisou e vai necessitar de muita exortação, mas Ariovaldo Ramos subiu no palanque de Lula e não exortou o PT. Foi menos profeta que Cid Gomes e Mano Brown. Lula não precisa de reprimenda porque fez muito pelo país? Bolsonaro deve ser rejeitado sem sequer uma intercessão?

O amor que vence o ódio não se conduz com parcialidade. O profeta que ama, resiste o discurso de ódio e muito mais condena a mentira e o roubo. Porém, o amor seletivo dos homens não é coerente com a justiça. O segundo turno serviu revelar que a turma do “ele não” tem um compromisso fiduciário com o PT, independente do mal que tenham feito.

Se para ser presidente do Brasil fosse aplicado o exame de 1Coríntios13, Bolsonaro não passaria. Bolsonaro não é um cristão como foi Lutero, e se fosse, deveria ser exortado também porque Lutero exagerou e faltou com amor diversas situações e posições (principalmente no caso de apoiar o massacre dos camponoses). Sim, Bolsonaro não é perfeito. Mas, como cristãos podem aprovar Haddad sem examinar os crimes praticados pelo PT?

Não apenas votei em Bolsonaro, eu orei por ele todos os dias, pedindo a Deus que colocasse juízo naquela cabecinha. Bolsonaro pediu perdão em diversas entrevistas, mas a turma evangélica do “ele não” jamais lhe daria o perdão ou qualquer benefício da dúvida, dizendo: “ele ainda não é cristão, tem maldade em seu coração, é caído e precisa ser redimido”. Mas, para Haddad deram salvo conduto em nome do amor. Amor?

Creio no Deus da Bíblia. O Deus do antigo testamento é o mesmo do novo testamento que escolhe Jacó e Pedro, e também permite que Judas faça parte do grupo. Deus em sua soberania escolhe homens por aquilo que não são,  para manifestar sua graça e seu poder.

Porém, dizem que Bolsonaro não serve e é uma ameaça contra tudo que Cristo ensinou. O PT não. O PT em toda sua cartilha é cristão e tudo que fez representa o Sermão do Monte. Quando ouço evangélicos com um discurso de amor assim, eu procuro um canto solitário para chorar.

Estou persuadido de que o amor precisa vencer um grande doutrinamento de engano em nosso país. O ódio à verdade é um mal capital de Adão, que nega qualquer crime que tenha feito e dedica toda sua munição para se esconder no erro do outro.

Creio que o Amor vencerá o discurso de ódio em Bolsonaro, mas me alegro que já está vencendo o discurso dissimulado do PT e seus asseclas.