VIDA EFICAZ, FACA AMOLADA

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Paulo Zifum

Se o machado está cego e sua lâmina não foi afiada, é preciso golpear com mais força; agir com sabedoria assegura o sucesso.” Eclesiastes 10.10

Quando era jovem, tive um professor de Filosofia que nos esmagava com seu conhecimento, sem cortar uma única fibra de nossa juventude em curso. Eram aulas sem sucesso.

Lembro-me também como eu ficava suando com lápis e borracha, debruçado sobre uma prova para a qual não tinha me preparado. Fazia muito esforço sem muito resultado.

Agora, tudo é diferente quando se está preparado.

Quando um advogado escreve uma defesa bem fundamentada e se prepara para a audiência, com todas as “cartas na manga”, derruba troncos à frente. O mesmo ocorre com o médico especialista, que estuda seus casos e luta para vencer as moléstias de seus pacientes. A pessoa afiada mostra conhecimento adequado e útil, mas alguns teimam em golpear às cegas.

Quando você não prepara o discurso, não escolhe as palavras, acha que poderá resolver com argumentos razoáveis? Mas, nem tudo funciona racionalmente. E, também, nem sempre adianta chorar para cortar o coração, pois existem horas que, só uma boa explicação funciona.

Parar e afiar a lâmina. Isso, sim, pode evitar o cansaço de esmagar, machucar ou danificar sem proveito algum. Falar sem impacto, enviar mensagens que serão ignoradas, fazer procedimentos que não tem resultado, deixa a pessoa exaurida.

Esse princípio serve para a oração (Tg.4.3), pois nada recebe quem faz pedidos cegos. Serve também para educação de filhos (1Sm.2, Pv.22.6). E, ainda, pode ser aplicado a todos os empreendimentos onde o preparo e manutenção devem ser constantes.

A vida afiada usa força cadenciada, e lentamente, observando tempo e modo, se alcança sucesso.

A mão diligente dominará  Pv.12:24

Os planos bem elaborados levam à fartura; mas o apressado sempre acaba na miséria. Pv.21.5

Termine primeiro o seu trabalho a céu aberto; deixe pronta a sua lavoura. Depois constitua família. Pv.24.27
Sua lâmina está boa?

 

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VOCÊ CONHECE ANSELMO?

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Que eu possa procurar-te desejando-te, e desejar-te ao procurar-te, e encontrar-te amando-te e amar-te ao encontrar-te.” Anselmo da Cantuária

“Ó Senhor, encurvado como sou, nem posso ver senão a terra; ergue-me, pois, para que possa fixar com os olhos o alto. As minhas iniqüidades elevaram-se por cima da minha cabeça, rodeiam-me por toda parte e oprimem-me como um fardo pesado. Livra-me delas, alivia-me desse peso para que não fique encerrado como num poço. Seja-me permitido enxergar a tua luz embora de tão longe e desta profundidade.”

“Ensina-me como procurar-te e mostra-te a mim que te procuro; pois, sequer posso procurar-te se não me ensinares a maneira, nem encontrar-te se não te mostrares. Que eu possa procurar-te desejando-te, e desejar-te ao procurar-te, e encontrar-te amando-te e amar-te ao encontrar-te.”

“Ó Senhor, reconheço, e rendo-te graças por ter criado em mim esta tua imagem a fim de que, ao recordar-me de ti, eu pense em ti e te ame. Mas, ela está tão apagada em minha mente por causa dos vícios, tão embaciada pela névoa dos pecados, que não consegue alcançar o fim para o qual a fizeste, caso tu não a renoves e a reformes.”

“Não tento, ó Senhor, penetrar a tua profundidade: de maneira alguma a minha inteligência amolda-se a ela, mas desejo, ao menos, compreender a tua verdade, que o meu coração crê e ama. Com efeito, não busco compreender para crer, mas creio para compreender. Efetivamente creio, porque, se não cresse, não conseguiria compreender.”

Capítulo I  Proêmio

*Foto: aurora boreal ou aurora polar é um fenômeno óptico composto de um brilho observado nos céus noturnos nas regiões polares, em decorrência do impacto de partículas de vento solar com a alta atmosfera da Terra, canalizadas pelo campo magnético terrestre. 

NÃO SABE NADA!

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Paulo Zifum

“cabe saber que, acerca de coisa nenhuma, pode ser sabido se é, a não ser que de algum modo se saiba a respeito dela o que é, quer por conhecimento perfeito, qu er pelo menos por conhecimento confuso”  São Tomás de Aquino – Comentário ao Tratado da Trindade de Boécio -pg.161

Aprendi um alição importante: os filósofos gregos metafísicos (Sócrates, Platão e Aristóteles) tinham, pelo menos, esse “conhecimeno confuso” que a maoria não possui. Eles se esforçaram muito para definir o “ser ou não ser” e achar uma base segura para o conhecimento válido.

A frase “só sei que nada sei”, atribuída a Sócrates, pode criar uma preguiça sem fim ou uma inquietação salutar em busca do saber.

Você já parou para pensar que não conhece as coisas em sua essência?

Podemos viver com uma pessoa e ainda não conhece-la pelo que é. Note que achamos saber, mas os erros cometidos nesse juízo são maiores que o número de pessoas que conhecemos. Segundo Tomás de Aquino, só podemos conhecer se tivermos um conhecimento perfeito, ou, pelo menos confuso (que indica direcionado mas impreciso).

Hoje, nosso conhecimento das pessoas é polarizado pela estética, utilidade ou pela polidez moral (comportamento). E, se julgamos que uma pessoa é boa, podemos aceitar suas ideias como sendo razoáveis. Influenciados por uma cultura que só analisa pequenos fenômenos  sob condições controladas, podemos dizer que nosso conhecimento não chega a ser nem confuso, que dirá perfeito.

A discussão parace inútil, mas não é. Os gregos estavam certos e colocaram seus “navios” para procurar o conhecimento do bom, verdadeiro e belo. Buscaram no mundo das ideias, de modo confuso. Os judeus diziam saber de modo perfeito, porém, quando a Verdade veio a eles, mostraram-se inferiores aos gregos. E Jesus passou entre eles e disse: “e conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”. Em vez de humildes, foram duros, negando a oferta graciosa do Senhor e o texto do Evangelho de João capitulo 8 mostra o quanto estavam distantes de saberem qualquer coisa.

Eu preciso muito ouvir alguém dizer na minha face: Você não sabe nada!

Quero ficar corado e, pelo menos, provar que estou um pouco confuso. Confuso, mas ávido por conhecer e prosseguir em conhecer.

E a vida eterna é esta: que te conheçam, a ti só, por único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste.” Jo.17.3

*Foto: Magneto – X-Men, é um personagem que não sabe quem ele é, como a maioria dos mutantes dessa série de ficção. O filme no fundo mostra o quanto o ser humano é reativo e basta ter um pequeno poder e… pronto! Magneto é o do tipo que, se ficar nervoso, sai arrastando tudo pela frente.

 

ACESSO MEDIADO

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Paulo Zifum

é impossível o raio divino reluzir para nós senão recoberto pela diversidade dos véus sagrados” Dionísio Areopagita cap.I da Hierarquia Celeste [§ 2]

Sobre o conhecimento de Deus, segundo a tradição apostólica, o ente humano é incapaz de acessar os mistérios de Deus diretamente. Precisamos das referências e formas análogas da criação para pensar sobre Deus.

E embora quando Jesus Cristo veio em carne a referência tenha atingido seu clímax, ainda assim, os homens foram incapazes de acessar o conhecimento da verdade. Esses “véus sagrados” dos quais fala Dionísio, além da criação, poderiam ser os métodos diversos usados por Deus ao revelar-se, que vão desde o seu “passear entre as partes” com Abraão (Gn.15.9-18) até sua passagem entre as fendas da rocha  para o curioso Moíses (Ex.33.17-23). Ele usa mediações para que seus meninos (1Co.13.11-12) possam se aproximar.

Porém, a Lei e os Profetas baixaram os véus da revelação especial que traziam  progressivamente o conhecimento pleno da verdade.

Esses véus diversos foram usados para, enfim, estender sobre nós a pessoa de Jesus Cristo conforme nos fala Hebreus capitulo 1 e nos “abre caminho de acesso” no capítulo 10.

A criação e a Biblia eram acessos que apontavam para o unico mediador: Jesus Cristo.

*Foto: Sir Isaac Newton, cientista (1643-1727) foi um astrônomo, alquimista, filósofo natural, teólogo e cientista inglês, mais reconhecido como físico e matemático. Sua obra, Princípios Matemáticos da Filosofia Natural é considerada uma das mais influentes na história da ciência. O que os educadores modernos omitem é que Newton, como Descartes e outros, pesquisavam para conhecer a Deus. Eles levantaram “diversos véus”.

CIÊNCIA ESPECULATIVA

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Paulo Zifum

corresponde a uma divisão entre o que é matéria das ciências práticas (as coisas que podem ser feitas por nossa obra) e o que é matéria das ciências especulativas (coisas que não são feitas por nossa obra).”  Tomás de Aquino – Comentário ao Tratado Sobre a Trindade de Boécio -pg.101

O conhecimento obtido sem ver ou tocar objetos, pela abstração, é especulativo. Tomamos ciência de que o fogo queima pela observação da materialidade, porém a consideração de que o fogo possa ser útil de diversas formas é uma ciência especulativa.

Tomás de Aquino diz que a matemática não precisa da matéria sensível para afirmar-se como ciência, embora analise os objetos que existem. Especula com cálculos e se estabelece sem ver ou tocar.

Nesse caso, o conhecimento matemático pode levar ao prático, havendo recursos. O fogo pode ser manipulado para provar o que dele se especulou na teoria, posto que esse conhecimento está no campo da matéria e forma. O saber teórico pode migrar para o prático.

Agora, no campo da metafísica, poderia ser assim? Ela considera as coisas independentemente de todas as suas condições materiais, ou seja, é um conhecimento totalmente separado da matéria e forma.

A oração, por exemplo, é um conhecimento que o cristão julga ter. Ao ser indagado sobre a validade desse saber, um cristão poderia dizer que experimentou diversas vezes o resultado dessa ciência, afirmando migrar do teórico para o prático. Alguns podem duvidar de que haja uma realidade por trás da oração, visto não que funciona com todos. Porém, para os cristãos, é tão certo como o fogo*.

A Bíblia oferece um conhecimento especulativo, que segundo o filósofo cristão Tomás de Aquino, conduz à verdade por tratar das verdades últimas, “das coisas não feitas por nossa obra”. Especulações podem ser falsas e nunca levar à verdade, porém, a Bíblia oferece uma ciência que traz conforto para os que buscam a verdade, porque o conhecimento e Deus é base para se conhecer de fato todas as coisas.

*Oração sob suspeita: a ciência sempre sofre com a fraude da manipulação e alguns acusam os cristãos de manipular a teoria religiosa quando a oração não funciona. Os não acham que ao receberem um “não” divino o princípio da oração tenha falhado, mas para os opositores é escapismo dizer que o “não”, em si, é uma reposta certa.

VOCÊ NÃO É O QUE É

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Paulo Zifum

“Por exemplo, o homem na condição presente consiste em corpo e alma, é corpo e alma, não corpo ou alma separadamente e, portanto, não é o que é. Aquele, porém, que não é composto disto e daquilo, mas é simplesmente isto, esse verdadeiramente é o que é, e é belíssímo e poderosíssimo porque em nada se assenta.”   Boécio (480-525 d. C.)

Boécio, ao afirmar a natureza una de Deus, usa a natureza humana como referência do ser. Ao fazer isso, aponta para uma verdade que incomoda os que pensam no homem como criatura autônoma.

Quando olhamos nosso corpo diante de um espelho, o que vemos? Um corpo apenas? Quem não desconfia de si? Nós que nos assentamos em tantas coisas para viver e somos dependentes desde o nascer. Sim. Você não é o que é. Você é uma criatura cuja forma depende da matéria.

Esse pensamento não é atraente para quem não crê, posto que humilha, mas, os que creem em Deus, deleitam-se, pois tudo está seguro porque Ele é o que é. Como disse Boécio: “belíssimo e poderosíssimo”!