CAVAR POÇOS

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Paulo Zifum

Fazer uma oração, saber estudar a Bíblia e cultivar amizades é como cavar um poço artesiano. Quem dedica esforços nesses trabalhos experimenta o jorrar de bençãos.

Oração: Falar com Deus. É um trabalho para o qual a maioria não tem recurso para cavar. É um dos poços mais caudalosos, porém, pouco explorado. Exige renúncia constante da vida material (Lc.11.5-13 – 1Rs.3.1-18)

Estudo da Bíblia: Habilidade para ouvir a Deus. A tarefa exige ferramentas específicas não fornecidas pelos recursos humanos. O trabalho exige por vezes cavar profundidades para compreender um pequeno mistério, porém, quando o obreiro acha o veio, é recompensando por toda a vida (Salmo 1 -Jo.5.39).

Cultivar Amizades: Valorizar pessoas. Esse é um poço riquíssimo, com possibilidade de formar açudes, lagos e até rios. Corre-e o risco de secar repentinamente, mas isso é mais raro. Quem se esforça por cultivar amigos, recebe amparo e alegria por toda a vida. A exigência desse tipo de poço é que precisa de constante manutenção.  (Pv.17.17 -Pv.27.10)

 

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ANO NOVO E MALA VELHA

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Paulo Zifum

Vamos viajar de novo, com a mesma mala. Minha mala de couro está surrada. Confesso que não fui muito cuidadoso. Alguns ralados de 2017 foram puro desleixo. O esgarçado, não! Foram lutas que tive com o ladrão da alegria. Esgarçou a alça, mas ele não levou minha esperança.

Sua mala é o quê?

Ninguém se engane! O Ano é Novo, mas a mala é velha. E não precisamos nada além de uma resistente fé. E quanto mais antiga, maior a qualidade. Algumas malas que estão fazendo por aí são baratas e não aguentam a peregrinação. A minha mala tem a etiqueta Jucaico-Cristã. É guerreira!

E a sua?

 

BATER O MARTELO NO DEDO

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Paulo Zifum

Tive uma discussão com minha esposa. Dessas que se estendem à procura de um vencedor. Minha filha, quase adulta, ouviu a mãe e tentou me dissuadir a render-me. Eu expliquei a ela minha versão. Ela repreendeu-me dizendo que eu não deveria forçar situações antigas que geram conflitos. Eu disse a ela: –Amor! Ninguém deseja bater o martelo no dedo! A gente mira no prego! 

Depois que você bate o dedo… Caramba! Dá um pico lancinante no cérebro e depois fica aquela dor latejante. Tudo em você volta-se para o dedo e para  a unha roxa com sangue pisado.

Eu disse para minha filha que não queria brigar de novo pelo mesmo assunto. Queira acertar o prego e resolver o conflito de modo habilidoso, mas… a gente acelera e descuida. Quando vai ver… machuca a si mesmo.

Dai pra frente, se você se vitimizar, pode, de modo tolo, acusar o outro pelo incidente, e isso não é nada razoável. O outro nada tem com o fato de você mesmo acertar o próprio dedo. E as coisas podem piorar. Algumas brigas conjugais que se estendem são um convite aberto para convidados malignos (Ef.4.26-27). E o diabo que anda ao derredor da vida conjugal sugere ao coração: -acerte o dedo dela para que ela veja o como dói!

Bater no próprio dedo é um acidente, mas acertar o dedo do outro é maldade. Lembrar coisas do passado, “sangrar” o outro com ameaças e chantagens, ferir com acusações de  coisas tratadas é uma reação vingativa. Um casamento com constantes “brigas estendidas” pode, uma hora ou outra, acertar algo vital e matar o coração generoso.

Conclusão e conselho:

1-A maioria das dores do casamento somos nós mesmos que causamos com nossos pecados, exigências e expectativas altas demais.

2-Se você acertar o dedão, faça uma breve oração! Peça a Deus ajuda para não ser como Adão que negou sua culpa, acusando o outro.

3-Não espere que outro vá até você beijar seu dedinho machucado. Precisamos da compreensão e compaixão do outro, mas nessa hora, o que casais mais precisam é vencer o ego. Deixe as condolências para outra hora.

4-Aprenda a lidar com acidentes. Seu cônjuge não tem culpa se você está cansado, estressado ou carente demais. Vamos nos machucar no casamento. Isso é fato.

5-Caso enfrente uma briga muito estendida e não souber sair, procure ajuda cristã. É melhor ir ao hospital que ficar se automedicando.

Minha filha riu ao dizer que entendeu tudo. Eu ainda estou segurando o dedo com dó de mim. Mas, pretendo livrar-me desse sentimento rasteiro antes do  pôr do sol.

A PARÁBOLA DA FLORESTA

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Paulo Zifum

Faísca foi escolhido para entrevistar as árvores no outono. A ele foi dado o poder de voar por toda a floresta sem se apagar ou causar dano às árvores.  -Qual o propósito de sua vida? Perguntou nosso luminoso jornalista ao grande Carvalho. -Te responderei depois que de todos conseguir resposta. Então, foi  e começou sua lista. O Bambú disse estar frustrado porque desejava dar frutos como outras árvores e todos os dias sonhava com um lindo e doce fruto brotando de seus troncos. A Embaúba estava triste e pensava todos os dias em cair sobre uma estrada qualquer. Faísca foi surpreendido com o Eucalipto, que parecia alucinado por queimar. Pediu ao pacato jornalista que lançasse nele sua brasa e o queimasse todo, mas ao ver que Faísca era incapaz, o deixou falando sozinho. Entrevistou o imponente Flamboyant que deixou escapar seu orgulho de ser a árvore mais bela da floresta. Quando chegou diante da Parreira de Chuchu fez a pergunta com cuidado: -Qual o propósito de sua existência? Com um sorriso vaidoso apontou para seus frutos dizendo: -Isso responde? Parreira não era boa com palavras. Depois de muitos contatos, nosso dedicado entrevistador sentou-se para cruzar informações e notou que maioria das árvores não tinha clareza ou certeza do propósito de suas vidas. Percebeu que os que ignoravam o assunto reduziam a existência a queimar como o Eucalipto ou a “soltar bolas” como disse a irreverente Mangueira sobre seus frutos. Faísca levantou-se e pensou que, talvez, o sábio Carvalho poderia dar uma resposta que faria seu trabalho ter um conteúdo de elevação. Esperou o entardecer e foi ver o arrebol entre as folhas do Carvalho. -Você voltou em tempo, caro amigo! disse o grande Carvalho, rindo e retorcendo seus enormes galhos. -Sim! Entrevistei árvores, arbustos e parreiras e guardei grande expectativa para ouvir sua sabedoria. O Carvalho criou um redemoinho e puxou sem medo o jornalista magricela que foi parar no alto de sua copa. -Esse é o propósito da minha vida! Mostrou o cenário explicando as máquinas de um lado e a passeata do outro. -Olhe! falou todo garboso. -Sou o centro da uma disputa ambiental, empresarial e judicial. -Você não tem medo das máquinas que cortam e derrubam? Perguntou Faísca escrevendo cada palavra. -Não! Sou forte demais para sentir dor. Estou, na verdade, é curtindo minhas fotos nas redes sociais e vários gestos de ambientalistas me apalpando com adoração. Sou a árvore mais famosa. Falou o inchado Carvalho, com o olhar embevecido para a imagem de si que criara. Faísca saiu daquela entrevista empolgado com mil ideias sobre a redação do texto. No dia seguinte, acordou cedo para redigir seu primoroso trabalho, porém ao aproximar-se do papel, tomou um grande susto e,  desesperado tentou apagar, mas sua brasa estava ativa de novo. Em segundos o escritório estava em chamas  e os manuscritos das entrevistas subiam no ar em pedacinhos brilhantes. Um vento suave e bem determinado soprou as pequenas lâminas de carvão para a floresta. O Eucalipto deu um grito: -É hoje que eu vou queimar!!!!

MORAL DA HISTÓRIA: …

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TARDE… MUITO TARDE

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Paulo Zifum

“tarde demais foi que eu te amei” Santo Agostinho

O amor é uma revelação, ou uma resposta a ela. Quem ama quer se revelar ao objeto de seu amor, mantendo obstinada disposição a isso, mesmo que sofra indiferença ou falta de interesse. Quando não há correspondência, quem ama dá todas as desculpas para o ser amado, dizendo que este está sofrendo, cansado ou desatento. Nunca se ressente quem ama.

Do outro lado, o ser amado, deve ter sede das revelações. Porém, é natural que seu interesse seja menor porque seu amor não é original. Nunca há amor igual. Sempre há um que ama mais e corre em busca do ser querido. Normalmente o que ama menos é pródigo quanto ao amor recebido. Há um grande desperdício.

Um filho pode viver sem perceber as revelações de devoção de sua mãe e de seu pai. Um esposo ou esposa pode passar anos sem notar a pessoa maravilhosa que está a seu lado. Embora os sinais do amor sejam abundantes, temos uma tendência a desperdiçar a oferta do afeto. Uma mãe pode perder a infância de seus filhos, sem desfrutar do amor singelo deles. Pode-se desprezar o carinho e dedicação de um amigo e cair num abismo de ingratidão. Somos cegos, não de amor, mas da falta dele.

A descoberta do amor antigo é uma experiência redentora, mesmo que seja tardia. Pode também ser desesperadora quando não se pode mais voltar à fonte.

O lamento de Santo Agostinho é o mais salutar dos sentimentos. A consciência de que se amou menos ou quase nada, é, talvez, um dos momentos mais sóbrios da humanidade. Entretanto, o aperto ao olhar para o passado desperdiçado, pode ser um pesadelo. Felizes os que podem resgatar um pequeno amor, mesmo que seja uma lágrima no leito de morte.

Ah! Devia ter fixado mais meu olhar em meu amor. Devia ter passeado mais pelo quarteirão onde poderia ouvir suas revelações. Eu seria mais gentil e seria mais alegre a seu lado. Agora parece tarde. Vivi tão pouca vida amando menos!

Disse para Deus e para minha esposa: Se eu soubesse que esse amor era tão maravilhoso, teria escolhido ficar mais ao lado seu.

Descobri tarde. Muito tarde.

PAZ NA TERRA SÓ PARA QUEM

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Paulo Zifum

De repente, uma grande multidão do exército celestial apareceu com o anjo, louvando a Deus e dizendo: “Glória a Deus nas alturas, e paz na terra aos homens aos quais ele concede o seu favor“.  Lucas 2:13,14

A tradução “paz na terra aos homens de boa vontade” é, talvez, uma má vontade exegética. Há no texto grego original “δοξα εν υψιστοις θεω και επι γης ειρηνη εν ανθρωποις ευδοκιa” uma certa dificuldade de tradução, mas em “εν ανθρωποις ευδοκια” não temos ênfase na vontade dos homens. É o beneplácito divino que é exaltado.

Todos os homens pecaram e se rebelaram contra Deus, portanto, todos precisam de favor do Soberano. Não há justo, nem sequer um. A paz (anistia) não é concedida por mérito humano, mas por uma decisão exclusiva de Deus. A uns Ele dá paz e a outros não estende sua destra de comunhão.

Veja o caso do Rei Herodes ao saber que Jesus nasceu. Perturbado ao ouvir que o menino seria o futuro rei dos judeus, Herodes estremeceu. A chegada do Reino de Deus pode ser um desastre para muitos negócios na Terra, pode ser o fim de muitos reinos.

Porém, para os homens cujo coração foi preparado para a chegada de Jesus, a notícia de seu nascimento trouxe a paz. Simeão suspirou dizendo: “Ó Soberano, como prometeste, agora podes despedir em paz o teu servo. Pois os meus olhos já viram a tua salvação” (Lc.2.29-30). Enquanto Herodes queria matar, Simeão sentia paz em morrer.

A pergunta crucial do texto é: “a quem Deus quer bem”? Sabemos que quando os EUA decidiram mudar a embaixada americana para Jerusalém, não estavam pensando no bem dos palestinos. A vitória dos aliados na Segunda Guerra foi uma notícia ruim para os japoneses. Quando Deus envia seu Filho ao mundo sabia que haveria um conflito. Embora o Filho de Deus, o Príncipe da Paz (Is.9.6) fosse bom para o mundo todo, Ele seria rejeitado por causa dos mais variados interesses terrenos. Como está escrito: “sou um homem de paz; mas, ainda que eu fale de paz, eles só falam de guerra” (Sl.120.7).

O conflito instalado entre os homens e Deus é explicado pela diferença entre ambos (Is.55.8), pois, “porventura andarão dois juntos, se não estiverem de acordo? (Am.3.3). E Jesus viveu intensamente a dor da rejeição pois “veio para o que era seu, e os seus não o receberam” (Jo.1.11), “e os homens amaram mais as trevas do que a luz, porque as suas obras eram más” (Jo.3.19).

O “deixo-vos a paz, a minha paz vos dou” (Jo.14.27) é dirigido a um grupo e o “não vim trazer paz, mas espada” (Mt.10.34) a outro. O mesmo perfume “nos que se salvam” é sentido “nos que se perdem”. Uma notícia de que um Rei venceu a guerra pode ser boa para uns e péssima para outros, como disse Paulo: “para estes certamente cheiro de morte para morte; mas para aqueles cheiro de vida para vida” (Rm.2.15-16). Joelhos se dobrarão em reverência ao Rei, outros se verão forçados a prostrar (Fp.2.10).

E quem pode sentir essa paz celestial  que “excede todo entendimento” (Fp.4.7)? É um bem, um estado que os homens não podem alcançar. Depende de uma ação de Deus, como está escrito: “ele nos resgatou do domínio das trevas e nos transportou para o Reino do seu Filho amado, e por meio dele reconciliasse consigo todas as coisas, tanto as que estão na terra quanto as que estão no céu, estabelecendo a paz pelo seu sangue derramado na cruz” (Cl.1.13 e 20). 

A “paz na terra” desejada pelo coral de anjos na noite de Natal não era uma oferta generosa e geral. Sobre aqueles mensageiros o livro de Hebreus indaga: “não são todos eles espíritos ministradores, enviados para servir a favor dos que hão de herdar a salvação? ” (Hb.1.14). Eles não cantaram para todos.

Portanto, concluímos que, a cantata de Natal é um edito real do Rei dos Reis do tipo “terei misericórdia de quem eu quiser ter misericórdia, e terei compaixão de quem eu quiser ter compaixão” (Ex.33.19). Essa não é uma visão ecumênica nem tão pouco convencional.

GRÃO DE TRIGO

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Paulo Zifum

Todo mundo é grão. Mas, nem todos alimentam. Gente inteira, dentro da casca que não quebra, que não racha e jamais abre. Mundo solidão.

Todo mundo é grão. Há os que viram pão. Gente que se humilha, que morre pelo outro e  a vida doa. Mundo solidário.

Um cercado de casca e outro cercado de gente. Um com a vida preservada e outro, sacrificada. O que se fecha, morre depois. O que morre agora, vive mais tarde um pleno significado.

“O povo amaldiçoa aquele que esconde o trigo para alcançar maior preço, mas a bênção alcança aquele que logo se dispõe a atender”. Pv.11.22

Se és trigo, não escondas tua vida! Não tentes salvar a si! Grão! Deixes moer: “Senhor! Fazei de mim teu pão!”

Digo verdadeiramente que, se o grão de trigo não cair na terra e não morrer, continuará ele só. Mas, se morrer, dará muito fruto.” Jo.12.24