A SOPA DE PEDRA

Resultado de imagem para sopa de pedra história

Paulo Zifum

Era uma vez um habilidoso e famoso cozinheiro muculmano que perdeu seu emprego porque se tornara cristão. E como ninguém lhe dava emprego por ser cristão, passou a pregar de vila em vila, em busca de tanto encontrar cristãos como mostrar a fé a outros.

Passando por uma vila muito pobre chamada Ptorróis percebeu que todos passavam por grande dificuldade, mas eram orgulhosos e desunidos. Teve uma ideia para unir o povo da vila. Deixou que soubessem que era o famoso cozinheiro do Sultão Alsaeb e anunciou que serviria um banquete para todos no domingo.

Pediu que lhe trouxessem o maior caldeirão da aldeia e prometeu que ensinaria a fazer sua deliciosa e secreta sopa com apenas uma pedra. A notícia correu rápido e a multidão foi se chegando tanto para comer como para aprender a tal sopa. Fizeram para ele fogo e colocaram nele um caldeirão tão grande que o Chef precisou subir num banquinho.

Enquanto preparava a receita começou a falar aos aldeões que, naquela vila distante,  estava para chegar uma grande benção para todos eles. Começaram a ficar impressionados com a roupa do cozinheiro, com a tal sopa de pedra e agora, também, uma esperarança gratuita surgia pois, algo bom, enfim, ocorreria naquele lugar esquecido.

Quando a água começou a ferver, o pomposo cozinheiro tirou de sua sacola uma  pedra um pouco maior que sua mão e a lançou no caldeirão. Com uma grande colher de pau começou a mexer enquanto falava que Caris* desejava visitar o povoado ali. Alguém perguntou quem era essa tal mulher, mas o cozinheiro gritou:

-Preciso de sal! E salsa também!

Logo trouxeram. Ele continuou explicando que Caris nao era uma mulher, mas algo que poderia mudar totalmente a vida dos moradores de Ptorróis.

-Esqueci das batatas, mas provavelmente não temos batatas suficientes nesse lugar -lamentou, limpando a testa. Logo os moradores se juntaram e começaram a trazer tantas que sobejou.

-Vocês estão com fome? -perguntou sorrindo. -A sopa de pedra está quase pronta, se não fosse a falta de um ingrediente que daria um toque todo especial: o chouriço! -disse, mantendo toda a atenção na sopa.

O homem mais rico da vila estava também curioso e resolver participar e trouxe o pedido especial. Logo alguns começaram a oferecer pedaços de carne seca e feijão. E tudo foi lançado não caldeirão.

Pronto! O banquete está pronto! Vamos todos nos servir, mas a sopa de pedra só fica abençoada quando os idosos são servidos primeiro -falou em tom firme. Assim começaram todos a servir. E conversavam sobre o famoso cozinheiro: -Bem que ele podia morar aqui na vila e cozinhar para nós.

Maravilhados com a sopa, perguntaram ao viajante porque ele estava fazendo a sopa para todos. Nessa hora, a atenção de todos de voltava para o homem desconhecido. Então, com voz alta e bondosa, passou a falar sobre o amor de Deus. Ressaltou que a vila poderia ser transformada se eles aprendesssem a praticar esse amor.

Pediram para que ele ficasse com eles mais uns dias e aquele despretencioso missionário começou a oferecer a eles muitas outras tarefas que fizeram juntos, sempre com a mesma pedra que o cozinheiro carregava na sacola.  Arrumaram juntos a Escola e a ponte também, ajudaram várias viúvas e melhoraram a qualidade de vida dos doentes. E cada noite pediam ao visitante que falasse mais do amor de Deus. Até que um dia…

*Caris ou Charis palavra de origem grega que significa graça. Dela surge a palavra caridade (latim).

Anúncios

APRENDER ATÉ MORRER

sede fecundos

Paulo Zifum

A criança nasce curiosa para aprender.  Fuça tudo porque tem sede de descobrir. A preguiça não a alcança enquanto mantiver esse prazer. Alguns pais ficam irritados com tantas perguntas: “pai, quando que é amanhã?”.

Com o passar do tempo, ocorre com a maioria um “defeito” de acomodação, quando a vontade estimulante de aprender é confrontada com o conceito do “tem que ir à escola”. A obrigação de aprender gera um movimento mecânico e a cultura do “estudar para ser alguém na vida” mata aqulela criança aprendedora. O que sobra? Um monte de gente que estuda só para o gasto.

Eu que nem achava isso de mim, fiquei desconfiado. Tenho preguiça de pesquisar e, por vezes, acomodado demais com o meu saber mediano. Esse é um corte ruim na vida de um jovem e pior no adulto.

Jesus, com apenas 12 anos, mostrou um ritmo que deveria ser o de todos nós, pois se diz que “ele ia crescendo em sabedoria, estatura e graça diante de Deus e dos homens” (Lc.2.52). Ele era autodidata e surpreendeu os doutores que com ele conversavam. Nesse exemplo do Senhor devemos seguir, num ritmo onde não podemos “finalizar os estudos”, pelo contrário, seguiremos aprendendo por toda a vida.

Se você quer mudar em você o defeito que te fez parar de crescer, então, faça a qualificada prece do Salmo 90.12*.

Keep learning!

*se tiver preguiça de pesquisar, então… tem jeito não!

 

 

 

 

 

ELEVE SUAS CONVERSAS

deriaResultado de imagem para duas pessoas sendo separadas

Paulo Zifum

Sua conversa me impede de te ver. Desanima-me.

Em meio a um mundo cheio de palavras, os verbos ficam fracos e as pessoas não conseguem subir de nível depois de um pequeno diálogo. Por vezes, dependendo da conversa, há uma queda de toda inteligência.

Precisamos, urgente, elevar o nível de nossos diálogos, de nossas defesas e explicações. Precisamos aprender com o Mestre* das respostas sinceras e inteligentes e o Professor das perguntas cirúrgicas: Jesus!

Note com atenção a conversa que ele teve com um governador romano:

Pilatos então voltou para o Pretório, chamou Jesus e lhe perguntou: “Você é o rei dos judeus?” Perguntou-lhe Jesus: “Essa pergunta é tua, ou outros te falaram a meu respeito? “Respondeu Pilatos: “Acaso sou judeu? Foram o seu povo e os chefes dos sacerdotes que entregaram você a mim. Que é que você fez? ” Disse Jesus: “O meu Reino não é deste mundo. Se fosse, os meus servos lutariam para impedir que os judeus me prendessem. Mas agora o meu Reino não é daqui”. “Então, você é rei! “, disse Pilatos. Jesus respondeu: “Tu dizes que sou rei. De fato, por esta razão nasci e para isto vim ao mundo: para testemunhar da verdade. Todos os que são da verdade me ouvem”. “Que é a verdade? “, Então perguntou a Jesus: “De onde você vem? “, mas Jesus não lhe deu resposta. “Você se nega a falar comigo? “, disse Pilatos. “Não sabe que eu tenho autoridade para libertá-lo e para crucificá-lo? ” Jesus respondeu: “Não terias nenhuma autoridade sobre mim, se esta não te fosse dada de cima. Por isso, aquele que me entregou a ti é culpado de um pecado maior“. (Jo.18.33-40 – 19.9-11)

Percebeu?

Jesus mantém a calma, no esforço de ser coerente. Ele tinha pedido ao Pai “se possível passe de mim esse cálice”, numa conversa de entrega à vontade soberana. Agora, Pilatos surge como uma possibilidade de escape, mas Jesus não poderia reduzir o diálogo e apresenta ao nobre juiz romano uma lógica profunda sobre o que significa autoridade delegada.

Nossas conversas revelam nossa identidade que, frequentemente é ameaçada por circunstâncias e moldada por conveniências. Pelo “temor do homem” (Pv.29.25) podemos cair na tentação de emitir lisonjas (dizer o que se quer ouvir) ou tratar de modo rude (emitir ameaças). Nesse caso ego ducitor toda conversa é rasteira.

Mas, se tratarmos as pessoas como Jesus, vamos “jogar para o alto” os temas das conversas, considerando o quanto este mundo é provisório e quanto importa crer que Deus é soberano. Se elevarmos o assunto como fez Jesus, evitaremos as distorções em torno do “estar certo ou errado”.

Sem aumentar o tom de voz, podemos copiar a Jesus, como dele foi escrito: “Eis o meu servo, a quem sustento, o meu escolhido, em quem tenho prazer. Porei nele o meu Espírito, e ele trará justiça às nações. Não gritará nem clamará, nem erguerá a voz nas ruas. Não quebrará o caniço rachado, e não apagará o pavio fumegante. Com fidelidade fará justiça; não mostrará fraqueza nem se deixará ferir, até que estabeleça a justiça sobre a terra”.(Is.42.1-4).

Seguindo o Senhor, nosso modo de responder se torna mais econômico, pois acreditamos que o outro não precisa de nossa validação para se autoafirmar.

Pai e mãe, ao elevarem o discurso, dialogam com seus filhos com inteligência ao oferecerem os porquês, e jamais se vitimizam como alguns fazem em conversas agonizantes, suplicando serem ouvidos. Os filhos percebem quando seus pais estão inseguros, mas ficam cautelosos quando conversam com pais que falam do tema “vontade de Deus”.

Casais cristãos que elevam o trato de seus conflitos, apelam sabiamente para o Reino de Deus. Porque, se não voltarem para o Ceú, logo estarão brigando por um reino pequeno demais.  Elevando o diálogo “os que usam as coisas do mundo, (conversam) como se não as usassem; porque a forma presente deste mundo está passando.” (1Co.7.31). Esposas devem praticar o “seja a tua vontade” para encerrar longas discussões. Maridos devem levar o conversa para o “vamos orar e buscar de Deus uma direção”.

Filhos devem acreditar que seus pais “nenhum poder teriam se do alto não lhes fosse dado”. A conversa toma outro rumo quando os filhos confiam em Deus. Se “o coração do rei é como um ribeiro de águas caudalosas nas mãos do Senhor; este o inclina para onde deseja” (Pv.21.1), então, a conversa torna inteligente.

E nada pode ser tão inteligente que falar de política com a cosmovisão de Jesus! Ele elevou o assunto ao Céu a ponto de Pilatos ficar apavorado e perguntar: Que é a verdade? O governador romano não sabia mais, exatamente, diante de quem ele estava. Ficou atordoado com o nível de segurança de Jesus e como ele via politicamente o mundo.

Jesus era seguro e sabia conduzir uma conversa. E é isso que precisamos tanto! Elevar  para alcançar um nível mínimo de segurança, sinceridade, objetividade, profundidade e amabilidade.

Coram Deo!

 

 

IMAGO DEI

Image result for IMAGO DEI fIDES REFORMATA

Paulo Zifum

O cachorro de meu vizinho tinha o costume de fazer festa comigo. Ele corria em círculos e pulava em mim. Mas, dessa vez, veio cabisbaixo. Perguntei o que houve e meu vizinho, ocupado em casa, disse de longe, que o cãozinho estava doente. Fiquei ali, sozinho acariciando meu amiguinho. Fiz por ele um abreve oração pedindo a Deus por sua melhora e fui embora.

Tenho desejado que quando a criação estiver diante de mim, ela sinta que está diante de um reflexo de seu próprio Criador. Depois que compreendi a doutrina da Imago Dei, passei a viver de maneira mais consciente daquilo que eu represento. Ser “imagem e semelhança de Deus” é um privilégio ímpar.

Ser um correspondente de Deus no mundo é maravilhoso! Representa-lo em cada lugar, cada conversa, em cada ação, depois da Queda, é algo realmente empolgante, e, frequentemente frustrante também. Saio de algumas atuações totalmente derrotado, por não conseguir refletir. Por vezes, me veja embaçado, opaco, sem graça para mostrar “as virtudes daquele que me chamou das trevas”.

Mas, apesar das tentativas frustradas, estou em pé, cônscio de minha identidade. Não sou apenas uma estrutura complexa de oxigênio, carbono, hidrogênio, nitrogênio, cálcio e fósforo. Essa estrutura é um templo sagrado dentro do qual habita meu espírito, soprado por Ele. E, se não bastasse, Ele mesmo veio habitar nesse pequeno templo, batizando-o com a presença de seu Espírito.

Sou dEle a obra prima! E uma obra glorifica seu autor. Esse é o plano magno manifesto em Jesus Cristo: “E a vida eterna é esta: que te conheçam a Ti, o Único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste. Eu te glorifiquei na terra, finalizando a obra que me entregaste para realizar.” (Jo.17.3-4).

E qual seria essa obra? Restaurar a humanidade a ser imagem e semelhança novamente. E Jesus Cristo é o humano perfeito, superior a Adão. E a obra que Cristo fez na Cruz não levou a humanidade apenas de volta ao original do Éden, ela o levou além, pois trouxe o batismo com Espirito Santo, pois diz “mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas” (At.1.8).

Em Jesus, ocorreu o restauro de “todos nós, com rosto descoberto, refletindo como um espelho a glória do Senhor, somos transformados de glória em glória na mesma imagem, como pelo Espírito do Senhor” (2Co.3.18). Pois diz que “se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas. De sorte que somos embaixadores em nome de Cristo, como se Deus exortasse por nosso intermédio.” (2Co.5.17 e 20).

Ser humano é refletir a Imago Dei, de modo que estar com o humano, deveria ser estar com seu Criador. Essa tem sido a “ardente expectativa da criação” que “aguarda a revelação dos filhos de Deus” (Rm.8.19).

Espero que aquele cãozinho tenha sentido esse amor, e, que o sinta muito mais as pessoas que comigo estiverem.

BARRIGA CHEIA 2

Resultado de imagem para covil de salteadores

Afastada a justiça, que são, na verdade, os reinos senão grandes quadrilhas de ladrões? Que é que são, na verdade, as quadrilhas de ladrões senão pequenos reinos? Estas são bandos de gente que se submete ao comando de um chefe, que se vincula por um pacto social e reparte a presa segundo a lei por ela aceite. Se este mal for engrossando pela afluência de numerosos homens perdidos, a ponto de ocuparem territórios, constituírem sedes, ocuparem cidades e subjugarem povos arroga-se então abertamente o título de reino”  Agostinho (429 a.C.)  – Cidade de Deus p.382

BARRIGA CHEIA

barriga cheia

Paulo Zifum

a maioria é mais amiga das blandícias dos vícios do que da útil aspereza das virtudes” Sto Agostinho

O que acima de tudo interessa é:
— que cada um aumente cada vez mais as suas riquezas;
— que estas cubram as prodigalidades diárias com que o poderoso conserva submisso o débil;
— que os pobres, procurando encher a barriga, estejam dispostos a agradar aos ricos;
— que sob a sua protecção disfrutem duma pacífica ociosidade;
— que os ricos abusem dos pobres, aumentando assim a sua clientela para serviço do próprio fausto;
— que os povos dêem os seus aplausos não aos defensores dos seus interesses, mas aos generosos com os seus vícios;
— que não se dêem ordens difíceis nem se proíba o que é impuro;
— que os reis se preocupem, não com o bem, mas com a submissão dos seus súbditos;
— que as províncias sirvam aos seus governadores, não como a moderadores dos costumes mas como a donos dos seus bens e provedores dos seus prazeres;
— que as leis se apliquem, mais para que ninguém cause dano à vinha alheia do que para defender a vida própria;
— que se construam enormes e sumptuosos edifícios;
— que sejam frequentes e opíparos os festins;
— que, onde lhes aprouver, cada um possa, de dia ou de noite, jogar, beber, vomitar, dissolver-se;
— que por toda a parte ressoe o barulho das danças;
— que seja considerado como inimigo público aquele a quem esta felicidade desagrada».

O texto acima é de Santo Agostinho em sua obra Cidade de Deus (426 d. C.), escrito no período em que o Império Romano estava em queda. Assusta o modo como os interesses romanos, depois de séculos, encontram forte eco em nossa sociedade do século 21.

 

FAZER CALAR

Resultado de imagem para moises irado

Paulo Zifum

O apóstolo Paulo jamais pode ser rotulado de intolerante. Suas cartas estão repletas de instruções de amabilidade e gentileza. Mas, como nosso Senhor Jesus foi firme, Paulo também troveja:

“Porquanto há muitos insubmissos, que não passam de tagarelas e ludibriadores, principalmente os do grupo da circuncisão. É necessário fazê-los calar, pois, motivados pela cobiça, transtornam casas inteiras, pregando o que não convém. Um dos seus próprios profetas declarou: “Os cretenses são sempre mentirosos, feras malignas, glutões preguiçosos”  Tito 1.10-12

A expressão “fazê-los calar” invoca uma ação pública de denunciar e opor-se àqueles que se tornaram pessoas destrutivas.

Pessoas tagarelas, que sustentam aparente decência, mas são cobiçosas, mentirosas e vivem se alimentando da carniça de fofocas.

Paulo sentencia: É preciso fazer com que se calem! Pois, de modo covarde, soltam seus venenos. Precisam ser confrontados.

Que os líderes de comunidades cristãs atendam a essa áspera ação, que é uma virtude.