HOMEM DE CULTO parte 4

A Bíblia é um livro repleto de contrastes. Um dos mais evidentes mostra a diferença entre o homem de culto e o homem profano. A narrativa da história de Saul e Davi é perfeita para nos ensinar o perfil de um homem de culto.

Saul parecia um homem de culto (1Sm.10). Os homens religiosos podem ser “iluminados, e provar o dom celestial, e participar do Espírito Santo” (Hb.6.4), mas isso não significa que são homens de culto. O texto diz: ” o Espírito do Senhor se apoderará de ti, e profetizarás com eles, e tornar-te-ás um outro homem.” (1Sm.10.6), mas, assim como a roupa não faz o monge, o evento isolado ou experiência extraordinária não garante que uma pessoa será espiritual a partir dali.

 

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HOMEM DE CULTO parte 3

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A grande prova do homem de culto não era apenas o sacrifício de animais ou o sacrifício físico doloroso (Abraão com 99 anos circuncidou a carne do seu prepúcio), mas a entrega total do coração. E assim como todo culto verdadeiro e todo amor genuíno deve chegar em sua prova máxima, Abraão foi esmagado com o último pedido de Deus: o sacrifício de Isaque (Gn.22). O culto na maioria das vezes, ocorre em ambiente comum, mas um dia, pode entrar em território desconhecido e algo muito caro pode ser pedido.

Abraão, estava diante de algo difícil. Todos os sacrifícios que havia oferecido até Isaque eram súplicas e ações de graça. Mas, como entender esse novo altar no monte Moriah? Nessa hora é que temos a confirmação de que Abraão não era um religioso fanático, mas um homem que entendia que ninguém deve ocupar o lugar de Deus. Toda idolatria, seja por esposa ou por filho, seja por emprego ou por bens, deve ser confrontada no altar.

Você consegue analisar sua jornada de culto a Deus? Qual o ponto se encontra? Ambiente comum ou em solo estranho?

HOMEM DE CULTO parte 2

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Paulo Zifum

Abraão era um homem muito reverente e sensível às questões do culto a Deus. O autor de Gênesis ao narrar a trajetória de Abraão, faz questão de destacar o valor que esse homem de fé dava para o culto.

Quando Deus lhe apareceu ele “edificou um altar” (Gn.12.7), depois, em busca pela aproximação de Deus “edificou um altar e invocou o nome do Senhor” (Gn.12.8), o que nos indica que desejava mais a experiência anterior. Depois, já na terra prometida, edifica outro altar depois que Deus lhe fala novamente (Gn.13.8). Em Gênesis 14 Abraão mostra sua sensibilidade espiritual percebendo quem era Melquisedeque a quem deu o dízimo, e ainda notou que não deveria tomar nada das mãos do rei de Sodoma. O culto a Deus norteava a vida de Abraão. Suas experiências com Deus normalmente estavam marcadas com o sacrifício, o que nos indica que Abraão buscava constantemente se acertar com Deus e lhe ser agradável.

O homem de culto é admirável, não apenas por sua devoção, mas também por sua intercessão pelos outros. Abraão já havia resgatado Ló do sequestro que sofrera (Gn.14), mas em Gênesis 18 ele sabia que Ló estava muito encrencado. Nessa hora, o valor do homem de culto se mostra tão decisivo por meio da oração, e Abraão luta pela vida de Ló suplicando a Deus clemência em face do juízo que seu sobrinho sofreria. De fato, Ló recebeu livramento, mas o sobrinho de Abraão não erigiu altar nem pelo resgate nem pelo escape em Sodoma.

Abraão também pediu por Abimeleque: “e orou Abraão a Deus, e sarou Deus a Abimeleque, e à sua mulher, e às suas servas, de maneira que tiveram filhos; Porque o Senhor havia fechado totalmente todas as madres da casa de Abimeleque, por causa de Sara, mulher de Abraão” (Gn.20.17-18).

Você é um homem de culto? Como reage quando Deus coloca seus mensageiros em seu caminho? Você tem percebido a importância mecânica de parar para orar e adorar? Você tem orado em favor dos outros?

 

HOMEM DE CULTO parte 1

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Homem de culto é muito mais que uma qualificação religiosa.

Abel era homem de culto, enquanto Caim era profano. Sensível, Abel preocupa-se em ser adequado, prestando atenção na oferta e na condição de seu coração (Gn.4.2-6). Esse esforço é uma marca do homem de culto. Caim, provavelmente, fez como seu pai Adão que não se explicou de modo adequado e não demonstrou arrependimento (Gn.3.11-12). E é por aí que os contrastes na Bíblia marcam a diferença entre o homem de culto e o profano, entre o justo e o ímpio, entre o espiritual e o carnal.

Um homem pode ser muito religioso e ainda assim, não entender nada a respeito dos valores verdadeiro do Culto. Ele leva para Deus o “fruto da terra”, agradece pelas bençãos, usa os elementos dados por Deus, mas não consegue ir ao ponto essencial do culto que é o conserto com Deus. Fala de tudo, canta de tudo e oferece sacrifícios, mas sem sucesso, como Caim.

O homem de culto observa o seguinte cuidado: “guarda o teu pé, quando entrares na casa de Deus; porque chegar-se para ouvir é melhor do que oferecer sacrifícios de tolos, pois não sabem que fazem mal’ (Ec.5.1).

Podemos notar em Noé que, seguindo a tradição de Abel, conseguiu agradar o Senhor que “sentiu o aroma agradável da adoração” (Gn.8.20-21). O homem de culto do Antigo Testamento valorizava os protocolos que norteavam o relacionamento com Deus.

Você tem essa qualificação? Conhece os protocolos ou vai chegando no altar com legumes e verduras?

DISSE QUE IA, MAS NÃO FOI

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Paulo Zifum

Conversei com um amigo  reprimindo-o por sua atitude negativa, infantil e nada razoável. Ele reconheceu e mostrou arrependimento, confessando que ter agido errado. Quando reunimos as partes ofendidas, eu perguntei se ele gostaria de falar algo. Ele endureceu-se e reafirmou sua turrice. Foi uma tragédia. Eu pensava que ele ia, mas não foi.

Por que nos arrependemos de fazer as coisas corretas? Por que recuamos da bondade? Por que falamos e depois não conseguimos fazer? Por orgulho? Por medo? Por dinheiro?

A resposta, podemos avistá-la na auto-traição de Saul. Ele era um rei e isso, por si, já indica uma pessoa exposta à opinião pública. A mais leve mudança nos níveis da autoestima pode desencadear reações muito suspeitas.

A história de Saul começou quando ele foi escolhido para ser o primeiro rei de Israel (1Sm.10.20-27). Ele se escondeu mostrando insegurança ou aparente humildade, mas acabou sendo achado e feito rei. Uma nota no texto merece destaque: “Mas os filhos de Belial disseram: É este o que nos há de livrar? E o desprezaram, e não lhe trouxeram presentes; porém ele se fez como surdo” (1Sm.10.27). Depois de um tempo de reinado, surgiu um jovem guerreiro chamado Davi que arrebatou a afeição da nação. As “mídias” sociais da época só falavam de Davi e ofuscavam a liderança de Saul. Este ficou ressentido, começou a perseguir Davi e até tentou matá-lo (1Sm.18). Porém, chegou a reconhecer que estava errado e se dispôs a mudar:

Jônatas falou bem de Davi a Saul, seu pai, e lhe disse: “Que o rei não faça mal a seu servo Davi; ele não lhe fez mal nenhum. Ao contrário, o que ele fez trouxe grandes benefícios ao rei. Ele arriscou a vida quando matou o filisteu. O Senhor trouxe grande vitória para todo o Israel; tu mesmo viste tudo e ficaste contente. Por que, então, farias mal a um inocente como Davi, matando-o sem motivo? “Saul atendeu a Jônatas e fez este juramento: “Juro pelo nome do Senhor que Davi não será morto”. Então Jônatas chamou a Davi e lhe contou a conversa toda. Levou-o até Saul, e Davi voltou a servir a Saul como anteriormente. E houve guerra outra vez, e Davi foi lutar com os filisteus. Ele lhes impôs uma grande derrota e eles fugiram dele. Mas um espírito maligno mandado pelo Senhor apoderou-se de Saul quando ele estava sentado em sua casa, com sua lança na mão. Enquanto Davi estava tocando harpa, Saul tentou encravá-lo na parede com sua lança, mas Davi desviou-se e a lança encravou na parede. E Davi conseguiu escapar” 1Sm.19.4-10.

Note que Deus manda um “espírito maligno” para atacar Saul. Isso pode ser melhor entendido na tese paulina abaixo:

E, por haverem desprezado o conhecimento de Deus, o próprio Deus os entregou a uma disposição mental reprovável, para praticarem coisas inconvenientes, cheios de toda injustiça, malícia, avareza e maldade; possuídos de inveja, homicídio, contenda, dolo e malignidade; sendo difamadores, caluniadores, aborrecidos de Deus, insolentes, soberbos, presunçosos, inventores de males, desobedientes aos pais, insensatos, pérfidos, sem afeição natural e sem misericórdia. Ora, conhecendo eles a sentença de Deus, de que são passíveis de morte os que tais coisas praticam, não somente as fazem, mas também aprovam os que assim procedem” Rm.1.28-32

A “disposição mental reprovável” é vista em nossa incoerência de dizer uma coisa e fazer outra. Golpeamos nossa própria consciência quando somos duros, quando revidamos e agimos sem misericórdia. Fracassamos quando deixamos de fazer o que é reto por temor dos homens, por orgulho ou por fama ou dinheiro.

Segundo o texto acima, temos somente Deus para nos socorrer. Se Saul recorresse a Deus, se buscasse segurança em Deus, conseguiria sustentar suas boas intenções. Segundo está escrito: “porque Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes” (1Pe.5.5). Ora, a capacidade de enfrentar a Cruz e negar a si mesmo já é, em si, uma graça para o cristão que, a partir disso, consegue viver de modo coerente com seu discurso.

Todos temos fraquezas como Saul. Todos podemos ter um comportamento inseguro, mas falar uma coisa num dia e fazer outra no dia seguinte, revela desvio de caráter e, repetidas vezes, mostra a falta de auxílio divino. Ora, nenhum homem após Adão pode viver 100% por suas palavras. Apenas em Deus “não há mudança nem sombra de variação” (Tg.1.17). Nós não podemos financiar todas as nossas promessas. Essa condição da natureza caída, da qual Paulo fala, prostra-nos de vergonha pois “não faço o bem que quero, mas o mal que não quero, esse faço” (Rm.7.19).

Depois que prometemos que vamos, como ir? A resposta está em João 15.5 e em Filipenes 2.13.

*Foto: Flautista de likes: a incoerência de concordar com postagens antagônicas

PASTOR TRISTE

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Paulo Zifum

“O pastor, para ser pastor, tem de ser triste

Ser triste é um corte do ministério pastoral. O pastor sorri na sala e chora no quarto, e disfarça, cauteloso. Nunca desonesto com sua tristeza, o pastor alinha-se, em seu treinamento,  com o “homem de dores, que sabe o que é padecer”. Agora, deixe-se bem claro que quem padece, por dó de si, está saindo fora do curso, como fez Demas (2 Tm 4:9,10). E é suspeita a tristeza sentida porque não se alcançou sucesso pessoal.

A tristeza desse ministério é bela, uma bem-aventurança cheia de choro invisível.

E pastor padece. Como padece! Ele ama o rebanho e, por isso, se enche de temores, e sofre porque o pecado encontra caminho na vida da esposa, dos filhos, dos líderes e do recém-convertido cuidado com tanto carinho.

Entretanto, os pastores bem treinados separam  dor e tristeza. Ora, a tristeza nunca deve ser muita, precisa ser contida, enquanto a dor é um caso inevitável. O ferro perfurante da ingratidão espeta o coração do pastor sem esse escolher. E os “alexandres latoeiros” sempre surgem (2Tm.4.14) causando dor e prejuízos não esperados. Mas, a verdade é que esse sacrifício  foi combinado. As dores são algemas que o pastor sabe que enfrentará. Porém, essas não o impedem de cantar (At. 16.23-25). E o rosto feliz não significa um ministério sem dor; e, com domínio próprio, afirma o pastor: “sei estar abatido, e sei também ter abundância; em toda a maneira, e em todas as coisas estou instruído” (Fp. 4.12).

Jesus era sereno, simpático e não desprezava banquetes. Porém, sofria com sua compaixão. Absorvia as dores do mundo, enfermando num “vinde a mim” que só ele poderia oferecer. E é por isso que o ministério pastoral é um caminho triste, porque escoltar cansados e sobrecarregados até o Senhor é uma tarefa incerta de sucesso com audições que exigem confidência e discursos que deixam o ministro esgotado. 

Porém, quando os infelizes chegam ao Salvador e são transformados ao pé da Cruz, o pastor tem seu alívio e um intervalo de alegria celestial na partilha do “penoso fruto da alma” do Supremo Pastor (Is. 53.11). Entretanto, ao sair de um ambiente alegre, o pastor logo retorna para os acidentes do pecado, pois como está escrito: “quem enfraquece, que eu também não enfraqueça?” (2Co. 11.29). E volta a tratar a dureza dos corações sentindo no peito o que significa o desabafo “até quando vos sofrerei?” (Mt.17.17). 

Pastores sofrem com classe. E são tristes com discrição. E, um dia, eternamente, se alegrarão.

APÊNDICE

Nunca sinta dó de um pastor. Ele é um privilegiado como todo cristão a quem “foi dado o privilégio de, não apenas crer em Cristo, mas também de sofrer por ele” (Fp.1.29).

Se você conhece um pastor, preste bem atenção. Se ele disfarça, é valente. Ore por ele e procure aliviá-lo. Os que assim fazem, aplicam em ações da bolsa de valores celestial. Quando o Supremo Pastor Sofredor se manifestar (1Pe.5.4), ele vai puxar os nomes daqueles que os pastores mencionaram. Porque todo pastor tem um “testamento” tipo Romanos 16 e, se seu nome estiver na lista dele, essa honra não lhe será tirada.

 

O BILHETE

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Paulo Zifum

Escrevi para o Tempo: Já volto! Mas, nunca voltei. E se leu, nunca me esperou.

*Foto: A Morte de Marat é uma tela de Jacques-Louis David pintada em 1793. Ela está exposta no Musées royaux des Beaux-Arts de Belgique em Bruxelas. A pintura mostra Jean-Paul Marat, revolucionário francês, assassinado em casa em 13 de julho por Charlotte Corday.