AH! COMO EU AMEI!

Paulo Zifum

Ouvi uma música de Benito di Paula, que diz: “ah! como eu amei!”. Bela canção, principalmente por descrever o amor humano na linha do desespero. Fala, talvez, do amor não correspondido ou do passado feliz quando se tinha a pessoa amada. Talvez descreva a injustiça que algumas pessoas boas sofrem, porque depois de amarem, enfrentam a ingratidão de filhos, de irmãos e amigos. De que Benito falava?

Veja a poesia:

O amor que eu tenho guardado no peito
Me faz ser alegre, sofrido e carente

           Ah! Como eu amei

Eu sonho, sou verso,
sou terra, sou sol
sentimento aberto

         Ah! Como eu amei
         Ah! Eu caminhei
         Ah! Nao entendi

Eu era feliz, era a vida
Minha espera acabou
Meu corpo cansado e eu mais velho
Meu sorriso sem graça chorou

       Ah! Como eu amei
       Ah! Eu caminhei

Tem dias que eu paro
Me lembro e choro,
Com medo eu reflito que
nao fui perfeito

      Ah! Como eu amei

Eu sonho, sou verso,
sou terra, sou sol
sentimento aberto

       Ah! Como eu amei
      Ah! Eu caminhei
      Ah! Nao entendi

Eu era feliz, era a vida
Minha espera acabou
Meu corpo cansado e eu mais velho
Meu sorriso sem graça chorou

       Ah! Como eu amei
       Ah! Eu caminhei

Eu também caminhei bastante até aqui. Igual a Benito, também não entendi muita coisa, mas acho que amei. Do meu jeito, mas amei. Falhei bastante, fui cego com muitos e inerte com tantos. Mas, acho que amei.

Sem título

 

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AFLIÇÃO CONJUGAL

Paulo Zifum

A união conjugal (conjunto+jugo) pode ser um sofrimento se os cônjuges não forem compatíveis. Intelectualmente muito alto, emocionalmente escuro, sociável sem limites ou perfeccionista, são anatomias que podem causar um “andar junto” bastante desengonçado.

É tão belo um homem e uma mulher carregando um jugo em harmonia! A admirável capacidade de ajustar o “jugo” para manter a estabilidade constrói a história de amor. Proteger as fragilidades do cônjuge, compensar tiques com um sorriso cúmplice, defender inventando desculpas com criatividade e amor, dar explicações usando a 1ª pessoa do singular é uma ginga de gente bem casada.

Porém, a maioria dos casados pena e sofre os trancos da vida a dois. O marido dá uns puxões rompantes e a esposa pode frear demais, um deseja lá e outro não quer sair, ela quer segurança e ele o risco. É um mal querer que aflige os casamentos.

Solução? Segundo Jorge Maldonado, a solução é a ordem da renúncia: primeiro o homem. O teólogo cita Efésios 5.25 para fundamentar que o marido é a primeira vítima, o primeiro a sacrificar a vida, vontades para redimir a esposa. Maldonado interpreta perfeitamente a teologia paulina que direciona o homem a assumir a liderança do sacrifício pela felicidade conjugal. O que não exclui a mulher de fazer o mesmo, pois em 1Coríntios 7 o apóstolo Paulo defende a entrega mútua.

Se seu casamento está muito desigual e nele ocorrem agressões a ponto de descarrilhar, então, considere o que Paulo orienta em 1Coríntios 7.10-16. Há um limite para a vida conjugal e o jugo não pode ser uma escravidão.

Infelizmente, alguns cônjuges só começam a ter boa vontade depois que perdem o companheiro. O pecado causa uma demência considerável e alguns não leram (na bula) as contra-indicações antes de casarem.

Antes de pensar em sair, verifique se a aflição conjugal é fruto de sua falta de Deus. Se for, você não dará certo com ninguém porque o seu vazio nenhum outro ser humano poderá preencher. Mas, se você mantém comunhão com Deus e seu cônjuge deseja enlouquecê-lo, então, leia bem o tratado de 1Coríntios 7.10-16.

Não há conselhos fáceis para um casamento infeliz, porém, Deus tem muita ajuda para aqueles que ainda acreditam na segunda milha (Mt.5.41).

link abaixo: Tratado do Conflito Conjugal

https://www.bibliaonline.com.br/nvi/1co/7

POR UM TRIZ

Paulo Zifum

Tomei um tiro hoje. Foi por um triz que não morri. A bala pegou de raspão no coração. Bem na pontinha. Senti uma dó, de mim, feito uma dor. Quem atirou não mirou no peito, queria só bater na cabeça. Mas com bala não se brinca. Algumas palavras são de bronze e pólvora. Ai, que estrago! E lembro bem do dedo no gatilho. Tiro mal feito, atingiu meu peito. Caí pra trás e disse: Faz assim, não! Mas, feito foi. O que importa é que escapei de mais essa. O amor bate no peito. Ainda.

 

ESSA MÚSICA É MINHA

Paulo Zifum

Você pode apropriar-se de um som. Muitos nem sabem disso ou não perceberam que podem juntar para si tesouros musicais e personaliza-los na vida. Quando meu pai morreu, escolhi uma canção para ouvir sozinho. Fui muito feliz na escolha. O autor nem sabe o bem que essa música me faz quando a ouço. Tomei canções para meus filhos quando eram pequenos e os colocava para dormir cantando. Essas canções serão eternamente deles, verão meu olhar terno sempre que cantarem. E ainda tenho as canções de amor conjugal, que fazem mágicas por mim e por minha esposa.

Música pode ter direito autoral (que respeito o pagamento a cada peça), porém, não preciso pagar para dizer: “essa é minha música”. Guardo canções em meu acervo emocional, desde clássicas até xotes, de rock até as mais caipiras e todos os louvores especiais que falam de Deus com beleza. Cada uma me conta sobre a vida que vivi. Falam de dias felizes e tristes, de momentos em que quis viver e dias em que quis morrer. Soube passar cada lugar, cada vale e cada montanha, cada rio caudaloso e cada deserto causticante, ouvindo músicas e espantando males.

Sou “dono” de muitas músicas. E você?

SEU FILHO, SUA FLECHA

Sem título

Paulo Zifum

O Salmo 127.3-4 diz que os filhos são como “flechas nas mãos do guerreiro“. Imagino Hitler em sua infância,  como uma flecha sendo preparada. Parece-nos que os pais do Führer não foram os “guerreiros”. Quem tomou Hitler e o estendeu no arco pangermânico e antissemita foi seu professor, Leopold Poetsch. Um criança pode ser adotada por outros guerreiros e apontada para o mundo e para a História. Cairão no chão (em vão) ou atingirão  alvos específicos. Podem ser flechas do pior capitalismo ateísta ou do fanatismo religioso mais exacerbado. Estendidas no arco da vaidade para desperdiçarem seus ricos dons com futilidades, ou alcançarem alvos maravilhosos para a cura da humanidade com a arte e literatura. Flechas políticas, flechas militares. Flechas do bem ou setas do mal.

Os pais são guerreiros. Alguns, infelizmente parecem cansados e com a guarda baixa. Outros são péssimos arqueiros. Estamos numa guerra e quem educa filhos precisa treinar com o arco. Ficamos com as flechas em casa por anos. Tempo suficiente para quando chegar o período escolar ganharmos os primeiros títulos como pais. Depois, na adolescência, lançarmos mais longe e, na vida adulta, atingir o grande e sublime alvo que é serem bons homens e mulheres.

Deus dá a pais, avós, irmãos mais velhos, tios e professores a oportunidade de melhorar o mundo.

O Salmo 127 termina assim: o arqueiro desse filho “não será humilhado quando enfrentar seus inimigos no tribunal”. Podemos utilizar dois sentidos: Filhos que defendem os ideais como os descritos em Jeremias 35 e tornam-se um auxílio divino como descrito no Salmo. O segundo sentido seria que a vida dos filhos pode oferecer aos pais honra ou vergonha, mérito ou acusação sobre crime de responsabilidade.

Sobre o último sentido, a  História já tem levantado seus tribunais como hoje se vê no cenário nacional, onde políticos surgem como flechas para sangrar o país. Mas, graças a Deus, temos pais e professores que estenderam com sucesso flechas que hoje neutralizam o mal da corrupção.

Deus, no Juízo Final, perguntará: “quem lançou essa flecha”?  Ele pedirá conta também dessa responsabilidade. Honrará os bons guerreiros que lutaram a favor de seu Reino, mas os que apontaram contra sua Cruz, perecerão.

Flechas nascem todos os dias. Sendo pais ou não, serão colocadas em nossas mãos. Cada palavra, cada filosofia de educação e ideologia é um arco. Que Deus nos dê alvos elevados e nos ensine atirar!

DURMA UM POUCO, MEU FILHO!

Paulo Zifum

O que você consegue perceber no Salmo 127? Eu o li milhares de vezes e ,só agora, pude ouvir um tom carinhoso escondido nessa poesia. Foi assim:

“Meu filho, você pensa que pode cuidar de tudo, e realmente se esforça. Noto sua preocupação em organizar, calcular e assegurar resultados. Percebo as tensões em manter seus papéis sociais como esposo, pai, filho, irmão, profissional e amigo. Sua saúde, às vezes, ameaça. São muitas variantes externas e internas carregando suas emoções. O que você vai fazer? Levantar de madrugada e dormir tarde? Ficar agitado a ponto de não conseguir comer sem largar o celular? Dorme um pouco, meu filho! Você não pode administrar tudo, nem dar conta de tudo. Se eu não cuidar de você, nada dará certo. Se eu não velar por seus filhos e relacionamentos, suas palavras podem resolver? As emoções podem roubar sua paz. Acredite! Eu estou fazendo coisas no turno da noite que você não pode ver. Basta confiar. Acorde no horário amanhã, trabalhe bastante, mas não precisa se matar. Durma um pouco, agora.” (Salmo 127.1-2: Um Desenho da Doce Voz).

A LÍNGUA DO FACEBOOK

Paulo Zifum

Todo mundo quer noticiar, fazer jornalismo crítico intuitivo sem conhecimento técnico. O facebook hoje é um “samba do crioulo doido”. As pessoas curtem coisas e compartilham “eu concordo com isso” sem nem perceberem a fonte da qual jorrou. Pessoas ansiosas alimentam a net com um “nada presta, mas eu discordo”.

Os brasileiros paracem os judeus querendo um messias específico. O anseio por justiça torna os homens bem-aventurados, mas a ansiedade nas redes sociais torna as pessoas muito tolas e descuidadas. Não devemos discutir tudo na mesma plataforma. Caetano Veloso tem suas razões ao defender os programas do Ministério da Cultura, porém, ele não é uma autoridade para questionar a austeridade do governo num momento de crise. As plataformas precisam ser respeitadas, mas internauta não quer saber de nada.

Proponho a seguinte paráfrase:

“Semelhantemente, o facebook é um pequeno órgão da net, mas se vangloria de grandes coisas. Vejam como um grande bosque é incendiado por uma simples fagulha.
Assim também, o face é um fogo; é um mundo de iniqüidade. Colocado entre os meios de comunicação, contamina a pessoa por inteiro, incendeia todo o curso de sua vida, sendo ela mesma incendiada pelo inferno. Toda espécie de literatura doma-se e é domada pela espécie humana; o face, porém, ninguém consegue domar. É um mal incontrolável, cheio de veneno mortífero. Com o face bendizemos ao Senhor e Pai, e com ele amaldiçoamos os homens, feitos à semelhança de Deus. Da mesma conta procedem bênção e maldição. Meus irmãos, não pode ser assim! Acaso pode sair água doce e água amarga da mesma fonte? Meus irmãos, pode uma figueira produzir azeitonas ou uma videira, figos? Da mesma forma, uma fonte de água salgada não pode produzir água doce. Quem é sábio e tem entendimento entre vocês? Que o demonstre pelo conteúdo, mediante postagens publicadas com a humildade que provém da sabedoria. Contudo, se vocês abrigam no coração inveja amarga e ambição egoísta, não se gloriem disso, nem neguem a verdade. Esse tipo de “sabedoria” não vem do céu, mas é terrena, não é espiritual e é demoníaca. Pois onde há inveja e ambição egoísta, aí há confusão e toda espécie de males. Mas a sabedoria que vem do alto é antes de tudo pura; depois, pacífica, amável, compreensiva, cheia de misericórdia e de bons frutos, imparcial e sincera. O fruto da justiça semeia-se em paz para os pacificadores.”  Tiago 3:5-18

Tomo muito cuidado no face, dou muita risada e acredito nessa linguagem. Não sou bombeiro, sociólogo nem antropológo, mas, como teólogo, acho que os cristãos precisam ser mais prudentes. Como diria o ET do Face: “Nóis é cristão, mas nóis posta cada besteira”, desde opinião religiosa até politica.